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24 outubro 2007

Quando o luxo se torna democrático

O Brasil desponta entre os mercados que estão na mira das marcas de luxo. Apoiando-se no crescente interesse da classe média e da classe média alta – as camadas que efetivamente geram lucro para as grifes –, este mercado deve movimentar US$ 4,3 bilhões este ano só no Brasil.

A estimativa é da MCF Consultoria & Conhecimento e do instituto de pesquisa GfK Indicator, que também apura um crescimento de 11,5% nas vendas do segmento em relação a 2006. “O que sustenta esse mercado não são os produtos com preços inacessíveis [como bolsas de R$ 20 mil] e sim os caros, mas tangíveis [como carteiras de R$ 500]”, explica André Cauduro D’Angelo, autor do livro “Precisar, Não Precisa” e pesquisador deste nicho.

Para uma marca sofisticada, a democratização pode ser um tiro no pé se ocasionar popularização da identidade. “Pode haver uma perda de interesse das classes abastadas. Foi o que aconteceu com a Pierre Cardin, que não é mais considerada de luxo”, sintetiza D’Angelo. Para manter a aura, mas não restringir sua clientela, as grifes estão encontrando alternativas. Um caminho possível é criar linhas ou até outras submarcas com produtos superexclusivos, de preços estratosféricos. Outra opção segue a tendência de desmaterialização. Em outras palavras, o luxo passa a ser o tempo, a beleza, o silêncio e o sossego, a autonomia, o contato com a natureza ou a segurança.

“A Armani dá nome a alguns hotéis, assim como a Salvatore Ferragamo. Usando a marca reconhecida mundialmente como ativo, estes negócios têm dado certo”, garante o pesquisador. A francesa LVMH já instalou spas em algumas de suas lojas. O conglomerado de marcas de luxo – que reúne Dior, Louis Vuitton e Moet & Chanton, entre outras – é o maior do mundo e sua receita anual varia de 12 a 15 bilhões de euros.

No Brasil, São Paulo lidera o comércio de bens de luxo. Este ano, o consumo na capital paulista deve aumentar 59%, seguido pelo Rio de Janeiro, onde a evolução prevista é de 22%. A região Sul se destaca pelo ambiente economicamente favorável, na visão de D’Angelo. O aspecto cultural é o maior limitador: o interesse que as pessoas nutrem pelas marcas e o valor que os grupos sociais atribuem às grifes são menores do que no Sudeste. “Mas a tendência é de que estas marcas venham para a região Sul, apostando em lojas multimarcas”, prevê D’Angelo.

Ele acredita que empresários de outros segmentos também podem se beneficiar das estratégias de marketing dominadas por nomes sofisticados. Junto com André Arnt, professor e consultor de estratégia e marketing, e Luiz Henrique Rosa, diretor de criação da Pública Propaganda, ele vai ministrar o curso “Aprendendo com o marketing de luxo”, promovido pelo Coletiva EAC – Centro de Estudos Avançados em Comunicação, Marketing e Opinião Pública, em Porto Alegre.

“A intenção é destrinchar a gestão de marketing no ramo, como as marcas conseguem transformar produtos em ícones. É possível pegar um item popular, transformá-lo em objeto de desejo e assim cobrar um preço mais alto”, exemplifica D’Angelo. Já o movimento contrário costuma ser um passo em falso. “Ainda que se saiba que reduções de preço repercutiriam, num primeiro momento, em incremento de vendas, cabe ao gestor de marketing saber que o preço elevado faz parte do conceito e impedir reduções oportunistas”, alerta André Arnt, diretor da ColetivaEAC. As aulas iniciaram no dia 20 de outubro, no Plaza São Rafael Hotel.

Fonte: Revista Amanhã - 22/10/07

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