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10 maio 2007

A nova indústria brasileira

(Jorge Hori)

[Em outro artigo] apontamos o irremediável processo de sucateamento da indústria tradicional brasileira, que se atrasou - mais uma vez - e não conseguirá superar a concorrência internacional.

Carlos Lessa, no seu artigo de ontem [09/05], refere-se às duas revoluções industriais (a primeira baseada na indústria téxtil, siderurgia de alto forno e a ferrovia e a segunda no automóvel), nas quais o Brasil teria se atrasado. Teria ocorrido por falta de uma política industrial. Não citou a terceira, baseada na eletrônica e tecnologias da informação e comunicação. Nessa o Brasil se atrasou. Não por falta de política industrial. Mas por uma política industrial voltada para uma autossuficiência que não se conseguiu alcançar. Luciano Coutinho teve uma importante participação nesse processo.

É por conta dessa terceira revolução industrial que o Brasil que chegou a ser a oitava potência industrial no mundo, venha despencando.

Pretender recuperar as posições perdidas, com base no mesmo modelo, será uma tarefa inglória. Quando muito terá que buscar a sobrevida.

A política industrial deverá considerar a perspectiva da quarta revolução industrial, que não é futuro, mas já é presente, ainda que pouco emergida.

Essa quarta revolução industrial está em consonância com a Quarta Onda, que será movida pela dimensão ambiental, afetando principalmente o uso dos combustíveis.

Semelhantemente à terceira revolução industrial essa quarta revolução terá por base novas tecnologias que irão afetar os produtos finais: a bio e a nanotecnologia.

Vamos ter, nas próximas décadas, novos produtos à disposição dos consumidores.

Diversamente da terceira com produtos inusitados, a quarta terá produtos tradicionais com novas características.

Por exemplo, uma camiseta colorida, 100% de algodão, não tingida. Produzido com algodão colorido, fruto da bio-tecnologia.

Ou essa mesma camiseta que absorve o suor, mas não o guarda, secando imediatamente.

A tradicional indústria brasileira de têxteis e de calçados que mais sofre com a concorrência chinesa, não terá mais como superar essa, em preço e qualidade.

O único caminho é a inovação, seja no desenho (design) ou na incorporação de novas tecnologias.

Para isso deve ser estabelecida uma parceria entre as empresas do setor e os Governos para a criação de um fundo de investimentos em desenvolvimento tecnológico inovador, que deverá comprar projetos das instituições de pesquisas e das empresas de base tecnológica.

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