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06 outubro 2006

Novas tecnologias afetam negócio de publicidade na TV

Os DVRs (Digital Vídeo Recorders) já estão disponíveis no Brasil, oferecidos pelas operadoras de TV por assinatura. Com eles é possível gravar a programação que se deseja e vê-la depois, quando e na seqüência que se deseja. Um estudo recente nos Estados Unidos diz que num futuro próximo 80% da televisão não será assistida ao vivo, mas gravada por esses aparelhos e vista depois. Um pesadelo para os publicitários, que vêm cada vez mais no merchandising dentro dos programas a última forma de manter a comunicação das marcas com seus consumidores.

Depois dessa incipiente mudança no quando e como ver TV, que ainda nem emplacou direito por aqui, já começa a mudar também o "onde". Surgiu no exterior um aparelho que capta o sinal digital que sai do DVR, ou seja, a sua programação já gravada, e a coloca na sua rede local, portanto em outros computadores da sua casa, na internet, no seu celular ou PDA que se conecte à rede. A programação selecionada e gravada pode ser vista no celular, sem nenhum custo extra, a não ser o tempo de comunicação. É claro que para ser viável é necessário um celular de última geração que transmita dados em maior velocidade.

Custo da brincadeira? Esse aparelho custa cerca de US$ 250, com mais US$ 200 de um DVR. Pelo uso do celular nos Estados Unidos, a operadora local cobra US$ 20 pela comunicação de dados e mais US$ 10 para o sinal da TV, fixos, por mês, sem limites. Sem o equipamento, trata-se de um custo de R$ 70 por mês, mais ou menos.
Outra iniciativa interessante é a de não usar o DVR, mas o computador pessoal para capturar o sinal da TV por assinatura e jogá-lo na rede. É necessário uma placa de vídeo que capture o sinal da TV. A escolha e gravação da programação desejada pode ser feita com um software como o MythTV, que é de uso público e elimina automaticamente os comerciais.

O cenário que depreende é mais ou menos o seguinte: de um único ponto de TV digital na sua casa, você escolhe a programação que quer ver, sem os comerciais, e pode assisti-la na hora que quiser e onde quiser. Seja na rua, pelo seu celular, seja do seu computador portátil em viagem ou de outro ponto na sua casa pela rede local. Tudo isso por um custo inicial de US$ 200 a US$ 500 e de aproximadamente R$ 70 por mês, se quiser usar o celular, ou um custo marginal se quiser usar só o seu computador portátil e a internet.

No Brasil discute-se a regulamentação da transmissão de sinal de TV pelas operadoras de telefonia, mas parece que o mundo e a tecnologia não vão esperar o governo brasileiro. Alguns modelos de negócio vão mudar bem antes disso. As TVs por assinatura têm uma parte de sua receita baseada na venda de pontos de acesso e algumas redes ganham com a venda internacional de sua programação (que virtualmente acaba). E os publicitários e gerentes de marca vão enfrentar o desafio anárquico da TV diferida e sem comerciais.

(Marcio Feres)

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