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07 julho 2008

Para enfrentar China, brasileiros vendem ‘sapato de marca’ no exterior

Estratégia da maior parte das indústrias é vender menos calçados a preços maiores.
Além de distribuir, indústrias já investem na abertura de lojas próprias no exterior.

As indústrias que participaram da feira internacional de calçados Francal, realizada em São Paulo, estão buscando uma nova forma de ganhar o mercado internacional: trocando quantidade por qualidade.

A invasão dos produtos chineses – que não poupa nem o mercado brasileiro – fez o setor desistir de concorrer no quesito preço.

Para não perder faturamento, as empresas investem em produtos de maior valor agregado e buscam fortalecer suas marcas no mercado internacional.

De janeiro a maio deste ano, o faturamento da indústria de sapatos nacional no mercado externo cresceu 2%, atingindo US$ 784,2 milhões, enquanto a alta do número de pares vendidos foi menor, de 0,8%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Lojas próprias
Oferecer um produto diferenciado é a estratégia das marcas Dumond e Capodarte, do Grupo Paquetá. A marca, que sempre trabalhou em associação com grifes famosas no Brasil - produzindo, por exemplo, para a Hugo Boss - está investindo em lojas próprias no exterior para vender sapatos femininos. A Dumond tem sete lojas no exterior, mas o plano é chegar a 30 unidades nos próximos quatro anos, com forte concentração no Oriente Médio.

Em busca do dinheiro do petróleo - e do forte consumo de acessórios femininos em países como os Emirados Árabes Unidos e o Catar - a companhia hoje exporta 35% de sua produção. Os sapatos enviados para o mercado internacional são os mesmos vendidos ao consumidor no Brasil por preços entre R$ 180 e R$ 500. Os calçados são fabricados em Sapiranga (RS), cidade próxima ao pólo de sapatos da cidade gaúcha de Novo Hamburgo.

"A estratégia é sempre atender a classe média alta, como acontece no Brasil", ressalta o gerente de exportações das marcas, João Marcos Taieti Gimenes. Segundo ele, o sapato brasileiro já “se vende” pela qualidade e pelo design, especialmente no caso dos modelos da Dumond. "A gente vende um conceito de brasilidade que está ligado aos detalhes e à combinação de cores", ressalta.

Sem ‘genéricos’
Atendendo meninas de até 9 anos de idade, a Pampili, empresa de Birigui (SP), busca agregar tecnologia e design a seus produtos para crescer no mercado externo – até desenvolveu uma palmilha especial para sapatilhas infantis. Hoje, a empresa vende para 50 países – com foco na América Latina e no Oriente Médio – e diz estar crescendo apostando no "conceito de marca", deixando de fornecer sapatos "genéricos" que ganham outro nome no exterior.

"Buscamos novos canais de distribuição e mais valor agregado, com produtos segmentados e venda em lojas tradicionais e também em seletivas. Deixamos, há quatro anos, de ser uma indústria de calçados para investir na nossa marca", explica Sérgio Andreazzi, gestor de negócios da Pampili.

A Calçados Beira Rio, do Rio Grande do Sul, exporta três marcas de calçados femininos - Beira Rio, Vizzano e Moleca - e afirma que "informação de moda, conforto e qualidade" são exigidos pelos clientes do mercado externo. A empresa diz que espera um crescimento de 20% em suas exportações neste ano, principalmente na América Latina.

A exemplo do que ocorre na Pampili, Rodrigo Miceli Piazer, gerente de exportações da Beira Rio – empresa que emprega 5 mil funcionários e tem sete fábricas no país – afirma que o objetivo é "internacionalizar as marcas". Por isso, os sapatos saem do Brasil com a etiqueta das marcas da empresa. Segundo ele, a Beira Rio exporta atualmente 10% dos pares de sapato que produz.

Tradicional
Presente em mais de 60 países, as sandálias Havaianas são o símbolo da estratégia de agregar valor a produtos tipicamente brasileiros. Hoje, as sandálias são exportadas para cerca de 60 países, e o mercado externo representa cerca de 12% das vendas totais.

O produto, segundo a executiva de sandálias da Alpargatas Carla Schmitzberger, é consumido por todas as classes sociais: para a classe D e E, é um substituto do sapato; para as classe A e B, é um produto com credencial de moda.

Por conta de forte presença das Havaianas no mercado interno - a marca vende quase uma sandália por habitante todos os anos (em 2007, foram mais de 150 milhões) - a executiva da Alpargatas conta que o crescimento no mercado externo é maior, ficando entre 30% e 40% ao ano.

Para reforçar seu negócio de sandálias, a Alpargatas adquiriu em novembro do ano passado a marca Dupé, que serve como uma espécie de estratégia da empresa contra as Havaianas “genéricas” que ganham espaço no exterior. Os modelos da Dupé são feitos com o mesmo produto das Havaianas – borracha – com a diferença de que são mais simples e têm um preço final cerca de 25% menor.

Fonte: G1 - 05/07/08

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