Publicações recentes

Publicações recentes:

04 janeiro 2008

Grifes brasileiras de moda se fundem

O país da moda

Um fenômeno ocorrido na Europa e nos Estados Unidos desde a década de 80 chega ao Brasil. A concentração de grifes em empresas gigantes.

Tecidos, cortes, cores, tendências. O que a passarela apresenta vai muito além da roupa. Moda é negócio, nome é grife e está a venda. As duas marcas criadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch acabam de ser compradas pela Identidade Moda [do Grupo HLDC, já detentor da marca Zoomp], uma empresa que já chega ao mercado com o controle de sete grandes grifes: Herchcovitch Alexandre, Herchcovitch Jeans, Zoomp, Zapping, Fause Haten, Clube Chocolate e Cúmplice. [O grupo deve investir em 2008 R$ 14 milhões na abertura de novas lojas e R$ 22 milhões no marketing das marcas.]

O presidente da holding explica que o objetivo do projeto é fazer o Brasil exportar moda. Os estilistas vão continuar desenhando as coleções, mas a administração das marcas vai mudar.

"Você tem conceitos criativos muito bons, você tem designers extremamente competentes e reconhecidos, mas falta business, falta gestão. Um quilo de algodão exportado, você tá falando de oito dólares, você transforma isso em roupa vai pra 20 dólares, se transforma essa roupa numa marca vai pra 180 dólares", diz Vicente Mello, presidente da Identidade Moda.

Essa concentração de grifes já se mostrou importante no mundo da moda. Separadas e normalmente administradas como empresas familiares as marcas têm condições menores de fazer investimentos.

Juntas elas se tornam grandes negócios, capazes de realizar projetos bem maiores. A indústria da moda européia faz isso desde a década de 80.

O primeiro conglomerado a entrar nesse negócio foi o francês LVMH. Em 84, comprou a Christian Dior. O nome era importante, mas o negócio ia mal.

O grupo assumiu também o controle da Louis Vuitton e de várias marcas famosas. O investimento criou a estrutura para transformar a moda numa grande indústria.

"Cada vez mais o criador tem que estar amparado em tecnologia e inovação. Tem que ter esse planejamento de investimento para ser continuamente competitivo no mundo. O que faltava ao Brasil em termos desse salto para o negócio na moda era exatamente ocorrer esse casamento", diz Paulos Borges, diretor criativo da São Paulo Fashion Week.

Fonte: Jornal da Globo - 03/01/08

3 comentários:

Arnaldo Rabelo disse...

Saiu uma interessante matéria na revista Exame (24/01/08) mostrando que as importantes marcas de moda brasileira que foram compradas recentemente por grupos de investimentos (como a Zoomp, Ellus e Alexandre Herchcovitch) não tiveram como atrativo os excepcionais resultados de negócio. O que interessou aos investidores foi o fato de serem marcas fortes que passavam por dificuldades.

Os investidores deixam os estilistas cuidando exclusivamente das coleções e fortalecem a empresa com ganho de escala, investimento de capital e gestão profissionalizada. Os desafios administrativos são muitos: lidar com o ego dos estilistas, competição com produtos piratas, grande informalidade do varejo de moda brasileiro (sonegação fiscal), instabilidade das vendas... Mas o interesse é preparar as empresas para abertura de capital na Bolsa de Valores.

Esses grupos também buscam administrar um conjunto de marcas que atinjam nichos complementares.

Veja a matéria completa aqui.

Arnaldo Rabelo disse...

Herchcovitch deve retomar suas grifes

O estilista Alexandre Herchcovitch está prestes a retomar o controle de suas grifes, cuja venda ao grupo I’M (Identidade Moda) ele anunciou em dezembro do ano passado.
Na verdade, a venda das marcas Herchcovitch; Alexandre e Herchcovitch; Jeans não teria sido concretizada na época. A assinatura do estilista no contrato dependeria de um pagamento a ser feito pelo grupo que não ocorreu até agora.

Não só não ocorreu o pagamento, como a produção da coleção do inverno 2008 de Herchcovitch não teria sido iniciada. Normalmente, a coleção deveria estar pronta neste mês, para ser comercializada.

Herchcovitch é também diretor de criação da Zoomp e assumiu em janeiro o cargo de curador criativo das demais grifes da I’M, que faz parte da holding HLDC Investimentos.

Em julho do ano passado, a HLDC adquiriu a Zoomp e a Zapping, acumuladas de dívidas, sobretudo trabalhistas, que até o momento não foram quitadas integralmente.
Em dezembro, a holding anunciou a compra das marcas Herchcovitch; Alexandre e Herchcovitch; Jeans, Fause Haten e Cúmplice.

Em março, a Cúmplice negou ter completado o negócio com a HLDC. Fause Haten teria sido o único que de fato assinou o contrato de venda de sua grife, mas também estaria tendo problemas no cumprimento do contrato.

Fonte: Folha de São Paulo - 28/03/08

Arnaldo Rabelo disse...

Alexandre Herchcovitch desliga-se do Grupo I'M

O estilista desistiu de transferir suas marcas para a holding e anunciou sua saída dos cargos de curador do grupo e de diretor de criação da Zoomp

O estilista Alexandre Herchcovitch desistiu da negociação de suas marcas com o Grupo I'M (Identidade de Moda) - cuja transação havia confirmada em dezembro do ano passado - e anunciou a retomada própria de suas produções. O anúncio foi feito pelo próprio estilista, por meio de um comunicado oficial enviado à imprensa no dia 02/04 e repercutido pelos principais jornais do País do dia 03/04.

Alegando que a transferência de suas marcas para o Grupo I'M "não chegaram a um bom tempo", Herchcovitch anunciou seu desligamento dos cargos de curador do grupo I'M e de diretor de criação da marca Zoomp. Após a declaração do estilista, a gestora de marcas também emitiu uma nota à imprensa, declarando que a saída do estilista não implica, necessariamente, no rompimento abrupto de um negócio, uma vez que os trabalhos com as marcas de Herchcovitch não haviam sido, de fato iniciados.

Proveniente da holding HLDC, dos empresários Enzo Monzani e Conrado Will, o Grupo I'M havia confirmado a associação com o estilista em dezembro, com a aquisição de suas grifes Herchcovitch, Alexandre Herchcovitch e Jeans. Na mesma ocasião, o grupo também anunciou a compra das marcas Fause Haten e Cúmplice. Esta última também chegou a desfazer o negócio com a I'M pouco tempo depois do acordo de compra.

Meio & Mensagem - 03/04/08