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13 outubro 2006

A dinâmica global e a necessidade de mudanças

A China tem representado um desafio para muitas indústrias do Brasil, incluindo de móveis, calçados, têxteis e até de automóveis.

A manifestação dos operários têxteis, que já lamentam 240.000 empregos perdidos e diáriamente assistem ao fechamento de mais empresas, é sintomática. A novidade é que, até a indústria de automóveis, um dos ícones da economia e berço do sindicalismo radical, se vê acuada e assustada. Não faltam vozes na mídia de que, no máximo dentro de cinco anos, a China vai aproveitar a porteira aberta e inundar o país com carros das montadoras internacionais, fabricados na China, bem mais baratos.

A greve dos metalúrgicos da Volkswagen mostrou claramente que o rei está nu. A Volkswagen está obrigada a fechar uma fábrica obsoleta e improdutiva para ter condições de competir. A fábrica de São Bernardo produz 33 carros por funcionário. A Toyota nos EUA produz 74 carros por funcionário. O que o governo pode fazer neste caso? Nada e nem lhe compete fazer nada. O problema da obsolescência e de pouca competitividade é problema empresarial.

Esta acomodação ou desprezo da realidade não é privilégio dos empresários brasileiros. Na década dos anos 80 os empresários americanos davam risada sobre o empenho dos japoneses em produzir carros, TV's, câmeras, copiadoras, etc.. Onde estão hoje os produtos americanos? No esquecimento. Os mais jovens não sabem mencionar sequer uma marca do rádio, TV ou câmera americana. Tirando a Ford e General Motors, quantas marcas sobreviveram? E estas duas vivem numa crise permanente. Até a poderosa IBM vendeu sua divisão de PC's aos chineses.

O que podemos apreender disso tudo? Primeiro fato: a economia global é uma realidade e não adianta tergiversar ou fugir do assunto. A realidade está aqui e as estatísticas comprovam a perda do mercado exportador.

Segundo fato: a obsolescência das nossas indústrias é fato notório. Não me refiro ao equipamento. Temos máquinas moderníssimas. O que está obsoleto é a tecnologia e o gerenciamento. O desperdício sob qualquer ponto de vista dentro das nossas indústrias é catastrófico. Enquanto não havia comparação com produtos mais baratos os clientes pagavam. Mas, no momento em que alguém vai oferecer o mesmo produto com preço sensivelmente mais baixo (e ainda tendo lucro) é fácil deduzir o que acontecerá.

O problema de desperdícios, de obsolescência e, principalmente, da acomodação está presente nas indústrias brasileiras. As pessoas não percebem que o que faziam vida inteira pode ser feito de maneira diferente, mais eficaz, menos dispendiosa e mais lucrativa. Olham em torno e vêem que todos fazem a mesma coisa e do mesmo jeito e acham-se protegidas e que não há necessidade de mudar, já que todos fazem o mesmo.

No mundo dinâmico de hoje a acomodação é igual a uma sentença de morte. O tempo perdido para se adaptar e prosseguir em um novo rumo nunca mais voltará.


Baseado em artigo de Zdenek Pracuch

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