Arnaldo Rabelo

10 dezembro 2011

Hypermarcas vende Etti e Assolan por R$ 310 milhões

Marca de molho de tomate foi vendida para multinacional Bunge, enquanto a Química Amparo ficou com a palha de aço

Após meses de negociação, a Hypermarcas fechou a venda das empresas Assolan e Etti pelo valor total de R$ 310 milhões. Com essa operação, somada a venda de Assim dois meses atrás (por R$ 140 milhões), a Hypermarcas somou a seu caixa R$ 450 milhões, valor que era previsto pelo mercado.


A Etti, de atomatados, foi vendida para a multinacional americana Bunge. Já a Química Amparo, dona da marca Ypê, adquiriu a Assolan, de palha de aço, segundo apurou o Valor. O anúncio ao mercado será na segunda-feira.

Dessa forma, a Bunge reforça a sua operação na área de bens de consumo no país, considerada tímida em relação a outros concorrentes, e a Ypê ganha uma nova marca para ampliar o seu portfólio - algo que a empresa vem tentando fazer há anos. As companhias não se manifestaram a respeito da informação.

Em relação a Hypermarcas, a companhia fecha o ano com a finalização da venda de suas marcas e com caixa um pouco mais cheio, em um período de reorganização das atividades do grupo. A Hypermarcas está se transformando numa empresa de saúde e bem-estar, focada na área de beleza e medicamentos.

Pela Hypermarcas trabalharam o Credit Suisse e o banco de negócios BR Partners.

Fonte: Valor - 10/12/2011

07 dezembro 2011

Brasil para de crescer no terceiro trimestre, mas deve recuperar crescimento em 2012

Serviços, indústria e consumo encolhem; Dilma estuda conceder novos incentivos

A economia brasileira parou de crescer no terceiro trimestre e fez o governo reduzir a previsão de crescimento do PIB (soma dos bens e serviços do país) em 2011 de 3,8% para 3,2%. A estagnação foi recebida com alívio, pois temia-se uma retração.

Só a agropecuária teve ganho; serviços e indústria encolheram, e o consumo das famílias caiu 0,1%, primeira queda desde a crise de 2008.

Estatísticas divulgadas ontem pelo IBGE mostram que a atividade econômica ficou estagnada entre julho e setembro, depois de crescer 0,7% no trimestre anterior.

A atividade se contraiu na indústria, que perde fôlego há meses, e nos serviços, setor mais dinâmico da economia na primeira metade do ano. Somente a agropecuária continuou crescendo.

O fraco desempenho foi resultado das decisões tomadas pelo governo no início do ano para conter a inflação, num momento em que a economia brasileira estava superaquecida e os preços pareciam fora de controle.

Para combater a inflação, o Banco Central restringiu a oferta de crédito e aumentou as taxas de juros, medidas cujos efeitos só começaram a se fazer sentir com mais força nos últimos meses.

Também contribuiu para a freada da economia a decisão do governo de conter despesas e reduzir investimentos. Mais recentemente, o pessimismo gerado pela crise na Europa fez empresários e consumidores desanimar.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias diminuiu 0,1% no terceiro trimestre. É a primeira vez que o consumo sofre uma contração desde a crise mundial de 2008. Os investimentos do governo caíram 0,7%.

Bancos e consultorias reviram suas projeções após a divulgação dos números do IBGE e agora preveem que o país crescerá 3% ou menos neste ano. No início do ano, os economistas esperavam uma taxa de 4,5%.

A maioria acredita que a economia começará a se recuperar neste fim de ano, mas lentamente. As projeções apontam para uma expansão de no máximo 0,5% no último trimestre do ano.

"Houve uma desaceleração importante e uma mudança até da estrutura do que vinha acontecendo anteriormente", disse Rebeca Palis, gerente da área do IBGE responsável pelo PIB.

O BC começou a reduzir os juros em agosto, o governo removeu restrições à oferta de crédito e baixou medidas para estimular o consumo de eletrodomésticos.

Mas essas medidas devem demorar para produzir resultados, segundo os economistas, e a recuperação só deverá ganhar força no segundo semestre do ano que vem.

"O governo se antecipou à piora da crise e cortou juros, mas o impacto na economia leva tempo e deve ser gradual", afirma a economista Fernanda Consorte, do banco Santander.

O aumento do salário mínimo, que terá um reajuste de cerca de 14% em janeiro, também deverá contribuir para aumentar o consumo, mas ninguém espera que o país volte a crescer tão rápido como no ano passado.

"O emprego vai crescer mais devagar e o salário não seguirá no mesmo ritmo deste ano", diz economista Armando Castelar, da Fundação Getúlio Vargas. Ele prevê que as incertezas provocadas pela crise externa continuarão a deprimir os investimentos e o consumo.

Fonte: Folha de S. Paulo - 07/12/2011