Arnaldo Rabelo

28 novembro 2011

Kodak é vítima da própria invenção

Sem dinheiro e com prejuízos crescentes a cada trimestre, a Kodak vive o paradoxo de precisar vender as patentes de sua principal invenção para sobreviver em 2012.

Mãe da câmera digital, a Kodak é, para os especialistas, o exemplo clássico da companhia que desperdiçou, ao longo dos anos, alguns dos seus principais ativos.

Apesar de a tecnologia ter nascido nos laboratórios da empresa, foi "enterrada" diante do temor da competição com filmes fotográficos, que morreram anos depois.

O resultado da investida tardia na área digital foi a perda de mercado para rivais como Nikon e Canon, hoje com mais de 70% de participação.

O que resta à Kodak é vender suas 1.100 patentes de imagens digitais para conseguir parte dos US$ 500 milhões necessários para manter suas operações em 2012.

"A Kodak viveu literalmente a crônica de uma morte anunciada, comum a boa parte das empresas que não investem em novos projetos com o temor de que possam comprometer seus negócios atuais", diz Cláudio Terra, da consultoria TerraForum, de gestão da inovação.

Veja matéria completa aqui.

Fonte: Folha de S. Paulo - 05/11/2011

Guerra de clones impulsiona web no País

O Brasil tem cerca de 80 milhões de usuários de internet. Neste ano, o comércio eletrônico deve movimentar R$ 18,7 bilhões, um crescimento de 26% sobre 2010, segundo a consultoria e-bit. E o ambiente é dominado por cópias, criadas por empreendedores brasileiros que importam modelos de negócios internacionais. Os detratores chamam o Brasil de um mercado de “copycats” (imitadores).

Veja a matéria completa aqui.

Fonte: O Estado de S. Paulo - 27/11/2011

Publicidade on-line movimenta R$ 3 bilhões por ano no Brasil

O Brasil movimenta atualmente R$ 3 bilhões em anúncios na internet -- cerca de 10% do total do bolo publicitário no país.

O volume ainda é pequeno quando comparado ao de países maduros no uso da rede - como os EUA e o Reino Unido, nos quais a participação vai de 15% a 25%.

A expectativa das empresas, no entanto, é que o volume aumente com a adesão de mais brasileiros à internet e também com a intensificação das redes sociais no comércio eletrônico.

"O mercado de anúncios na internet tem mais potencial do que o de TV e é apenas questão de tempo para que amadureça, principalmente com a massa de usuários que chegará depois do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga)", disse ontem Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, durante evento da revista "The Economist", em São Paulo.

Hoje, 35% das residências do país têm computadores. Do total de lares, somente 27% têm conexão à rede segundo o CGI (Comitê Gestor da Internet), que regula o setor no Brasil.

Com a disseminação do PNBL, que promete internet de até 1 Megabit por segundo (Mbps) por preços entre R$ 29 e R$ 35, a expectativa é que o alcance chegue a 80%.

Dos 77,8 milhões de usuários de internet no Brasil, 67% usam as redes sociais. Espera-se que chegue praticamente a 100% até 2014. A próxima onda nas redes sociais será o consumo. Com 27 milhões de e-consumidores, a expectativa é que o comércio eletrônico chegue a R$ 20 bilhões em 2011.

Fonte: Folha de S. Paulo - 05/11/2011

PIB deve crescer 5% em 2012

Apesar do agravamento da crise na Europa, há fatos que apontam para um crescimento entre 4,5% e 5% no PIB brasileiro para 2012, o que é uma ótima notícia.

O governo montou um pacote de investimentos para 2012, dentro de sua estratégia para alcançar uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, apesar da crise internacional. Novas concessões de rodovias, os leilões dos aeroportos, investimentos da Petrobrás, a segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) fazem parte do plano.

Enquanto em 2011 o crescimento econômico foi puxado pelo consumo, no próximo ano o motor deverá ser o investimento.

O reajuste de 14,3% no valor do salário mínimo, que passa dos atuais R$ 545,00 para R$ 622,73 em janeiro, deverá injetar cerca de R$ 64 bilhões na economia brasileira em 2012. A destinação desses recursos para consumo ou pagamento de dívidas tende a acelerar os negócios e permitir que o PIB volte a crescer no primeiro trimestre do ano que vem, depois de ficar praticamente estagnado ao longo do segundo semestre de 2011.

Para Jim O’Neill, economista criador do termo BRIC, acredita que o Brasil pode se tornar um país desenvolvido em 20 anos. Até o fim desta década, a renda per capita do país terá dobrado. A economia está hoje perto de US$ 2 trilhões e o PIB per capita, próximo de US$ 15 mil. Talvez até o fim desta década seja de US$ 30 mil. Mas é preciso mais investimentos do setor privado e inovação.

Fonte: Matérias do jornal O Estado de S. Paulo - 27/11/2011

26 novembro 2011

Produzir conteúdo virou necessidade para marcas

Produzir conteúdo não é mais uma escolha, mas uma necessidade para as marcas

"Com os sites, redes sociais e blogs, a atenção do consumidor ficou mais difícil de ser capturada. O consumidor vai atrás só daquilo que o interessa", disse Moreno. Pensando nisso, a Nissan priorizou sua Fan Page do Facebook, criando um grupo editorial para construir conteúdo bem-humorado e criativo, aliando questões cotidianas a conteúdo institucional.

"A gente quer que uma pessoa tenha um relacionamento da marca. De um lado, conteúdo contestador, de entretenimento. E de outro lado, eu entrego conteúdo institucional básico da marca, mas de uma forma light", disse.

O sucesso da estratégia em redes sociais da Nissan está no vídeo do "Pônei Maldito", comercial com uma música grudenta que chegou à marca da propaganda mais vista do YouTube no Brasil. Depois disso, a Fan Page da montadora japonesa saltou de 2 mil para 75 mil fãs e inseriu o sucesso na cultura popular, resultando em paródias e brincadeiras envolvendo a publicidade.

A relação com o consumidor criou "advogados" da Nissan nas redes sociais, o que orgulha o diretor de Marketing. A marca optou por não moderar os comentários, deixando críticas expostas em sua página do Facebook, mas recebeu apoio de outros clientes.

Conteúdo líquido
"Conteúdo é muito mais que uma palavra na moda, é uma necessidade de toda e qualquer empresa. É o conteúdo que dá sentido a uma marca", disse Gian Martinez, da Coca-Cola. O cenário atual, segundo ele, é de absoluta sobre carga de conteúdo. O que vale, na avaliação do publicitário, é priorizar o "conteúdo líquido", aquele que entra na vida das pessoas.

"Viver como uma água é o sentido para quem produz conteúdo. Pensar em uma ideia que consiga entrar em todas as mídias", disse Martinez, que acredita na busca das marcas por construir conteúdos relevantes e genuínos. "É conseguir construir coisas que as pessoas achem que é importante para elas", afirmou.

Gian Martinez lembrou da música criada para Copa do Mundo, que foi cantada pelas torcidas do campeonato e por internautas em vídeos no YouTube.

Fonte: Terra - 24/11/2011

Classes emergentes estimulam inovação

Estudo aponta que empresas terão que mudar estratégia para atingir novos públicos

De acordo com o estudo da Ernest & Young, Innovating for the next three billion: The rise of the global middle class, a nova classe média global impulsiona a necessidade de as empresas mudarem a direção estratégica para capacitar as demandas do novo público. Essa transformação envolve a criação de produtos e serviços totalmente novos para atender a faixa populacional que será engrossada por mais de três bilhões de pessoas até 2030.

"O estudo mostra que os mercados de crescimento acelerado, entre eles o Brasil, começarão a deixar de dirigir suas economias para uma dependência em exportações, mas para um modelo de crescente consumo interno", afirma André Viola Ferreira, sócio-líder da Ernst & Young Terco para mercados estratégicos. O executivo também afirma que apesar de não ser rica pelos padrões dos países desenvolvidos, a classe média nesses mercados já está poupando menos e gastando mais, criando grandes oportunidades para companhias que podem servi-la com produtos e serviços relevantes para suas necessidades.

A pesquisa destaca que a maioria das empresas de economias desenvolvidas atualmente dirige suas energias e atividades principalmente para produtos finais premium em seus mercados de alto crescimento. Mesmo entre companhias de alta performance nesses mercados, essa proporção é alta: 40%. O relatório argumenta que esse foco em bens de luxo terá que mudar.

O aumento no número de consumidores de renda média previsto até 2030 representará um aumento de demanda de US$ 21 trilhões para US$ 56 trilhões. "Trata-se de um enorme potencial em economias de rápido crescimento, e essa pesquisa demonstra a escala de oportunidade para companhias que desenvolvem produtos inovadores", diz Ferreira. "As empresas precisam pensar sobre mudanças fundamentais no modo como trabalham para tirar vantagem dessas mudanças demográficas", completa.

Fonte: Cliente SA - 25/11/2011

Os brasileiros e as marcas

Estudo identificou comportamento dos brasileiros em relação às marcas e elegeu as cinco melhores

A pesquisa nomeada "Meaningful Brands for a Sustainable Future", realizada pelo Grupo Havas, identificou o comportamento do consumidor brasileiro. No Brasil, 33% dos entrevistados disseram que as marcas fazem uma contribuição positiva para a qualidade de vida dos consumidores. Enquanto que no estudo global essa mesma questão ficou com 20% das respostas. Um dado interessante é que para 71% dos consumidores globais se as marcas sumissem de um dia para o outro não faria diferença na vida das pessoas, enquanto que apenas 47% dos brasileiros correspondem com essa resposta. "Essa constatação demonstra que há mais marcas que fazem a diferença para os brasileiros", afirma André Zimmerman, diretor geral da Havas Digital no Brasil.

O estudo mostrou que os brasileiros estão mais preocupados com questões sociais e ambientais do que os europeus, norteamericanos e indianos, uma vez que 72% dos entrevistados disseram que tais questões têm um impacto negativo em sua qualidade de vida. Os brasileiros também acreditam que é papel das grandes companhias ajudar a resolver os problemas referentes a essas questões, deixando, assim, de responsabilizar somente o governo (apenas 10% responderam que tais questões são da alçada do governo contra 23% que acreditavam nisso em 2009).

62% dos entrevistados disseram que estão prontos para pagar 10% a mais por um produto feito de forma social e ambientalmente responsável. Mas se adquirir um produto assim não implicar em custos mais altos, o número de adeptos sobe: 87% dos consumidores brasileiros escolheriam o produto feito nessas condições.

Os consumidores entrevistados para a pesquisa deram notas para as marcas selecionadas em 26 atributos referentes ao tema sustentabilidade, divididos em seis categorias: posicionamento de mercado, local de trabalho, comunidade, economia, meio ambiente, governança e ética. As marcas que foram melhor avaliadas são: Petrobras, Danone, Colgate-Palmolive, Pirelli, e Brasil Foods.

Segundo o estudo, estas marcas conquistaram sua posição no ranking porque estão conduzindo bem os três pilares que tornam as marcas significativas para os consumidores: estão promovendo qualidade de vida para as pessoas, estão promovendo a sustentabilidade e estão fazendo com que cada interação com seus consumidores seja significativa e engajadora. A Petrobras é vista como uma marca que representa o país. Todas as suas iniciativas são projetadas para estabelecer um vínculo entre a companhia e os patrimônios brasileiros - seja ele natural (projeto Amazonas, Projeto Tamar) ou cultural (Futebol, Olimpíadas e outros).

Fonte: Cliente SA - 21/11/2011

Como o Storytelling Transmídia está Mudando a TV

Por Lisa Hsia, vice-presidente executiva da Bravo Digital Media.

Até agora, as empresas de mídia focaram em obter audiências para assistir seus programas “ao vivo” através de um aparelho de TV, onde está o grande volume de dólares da publicidade.

Mas o storytelling transmídia - que é definido como contar uma história que se estende através de múltiplas plataformas de mídia (para a televisão, está indo além do programa que vai ao ar) - tem a capacidade de acabar com isso. “Transmídia” é um daquelas palavras quentes dos buxixos de hoje, tendo conferências, artigos e relatórios de tendências dedicados a ela. Mas não é um conceito novo. Star Wars, Matrix e outros filmes expandiram-se para além do seu núcleo de suas franquias há décadas - para jogos, livros e realidades alternativas.

Na era digital de hoje, há novos fatores em jogo que dão à transmídia o poderoso potencial de mudar o jogo de como o conteúdo para TV é criado.
Pense nisso:

A TV social (tecnologia que suporta comunicação e interação social no contexto de ver televisão ou relacionado ao conteúdo da TV; pode, por exemplo, integrar comunicação de voz, chat de texto, reconhecimento de presença e de contexto, recomendações, avaliações ou vídeo-conferência com o conteúdo da TV, diretamente na tela ou através de dispositivos auxiliares) tornou a televisão uma experiência mais rica e bidirecional, com a participação dos fãs. Uma pesquisa da Nielsen mostra como a TV social amplifica a conversação e impacta as classificações dos programas. A tecnologia criou ferramentas que permitem ao usuário interagir e jogar com o conteúdo como nunca antes (com base na localização, produtos virtuais, realidade aumentada, QR-code, etc). A familiaridade dos fãs com essa tecnologia e o desejo de experimentar o conteúdo da TV em dispositivos que não sejam TV explodiu.

A capacidade de criar veículos de storytelling de forma eficiente, a preços acessíveis e participativa, que vão além de “bônus extras” e se espalham por meio de diferentes canais de circulação, está mudando as regras e criando uma proposta de valor muito grande para ser ignorada. Como um dos avôs do storytelling transmídia, o professor da USC Henry Jenkins, gosta de dizer, “Se não se espalha, está morto”.

Além da segunda tela

Tirar vantagem dessa nova realidade é imperativo nas mídias sociais, tanto da perspectiva de engajamento quanto de valor. Vemos o storytelling transmídia como o próximo passo obrigatório na evolução da TV, tendo sido usado recentemente na primeira campanha do programa Top Chef.

Nesse programa, conforme os concorrentes são eliminados, eles descobrem que sua jornada ainda não acabou. Em vez de ir para casa, eles têm a chance de competir em uma série digital similar que acontece a cada semana depois do episódio ir ao ar. Esses programas online dão aos competidores a chance de ganhar o seu lugar de volta ao programa final na TV. A série digital impacta diretamente o resultado do programa que vai ao ar na TV.

Para experimentar a dinâmica completa da competição, os fãs são atraídos para assistir tanto a TV quanto as plataformas digitais. O objetivo é criar apelo para os fãs do programa Top Chef com o conteúdo mais aprofundado e significativo que eles querem, assim como criar conteúdo online que atraia fãs casuais para o grupo.

A meta é criar um fluxo de conteúdo de plataforma para plataforma e trazer fãs ao longo do caminho – tanto o superfã como o fã casual. Isso é algo que não foi possível até à adoção em grande escala dos smartphones, tablets, redes sociais e ferramentas de criação de games como Bunchball e GetGlue.

Unindo elementos com o objetivo comum de gerar engajamento em torno desse centro transmídia, estamos provando que todas as métricas – rankings, tráfego e buxixo social – irão evoluir. Não estamos apenas tentando aumentar o valor da proposta em termos de engajamento, mas também em termos de retorno do investimento para os patrocinadores de longo prazo.

Se conseguirmos provar que o engajamento e o valor aumentam exponencialmente com a integração perfeita do storytelling em todas as plataformas de mídia, todos ganham - fãs, criadores de conteúdo e anunciantes. Os departamentos digitais deixarão de ter esse nome e serão “geradores de conteúdo multiplataforma”, que estão convertendo conteúdo de storytelling para onde quer que melhor se encaixe e de onde a melhor proposta de valor derive.

Mais inovação à frente

A TV está à beira de uma revolução transmídia e há muitas experiências interessantes em curso.

O canal Syfy está lançando um programa chamado Defiance (Desafio), onde uma história é contada na TV e em um game: cidades diferentes, com personagens e acontecimentos em comum.

Tim Kring, um dos pioneiros modernos da transmídia com seu trabalho em Heroes e Conspiracy for Good, está produzindo Touch (Toque) para 2012. Ele espera que a Fox embarque em suas tendências transmídia.

O próximo marco em transmídia, ainda inalcançado, é o storytelling social colaborativo, onde os fãs poderão aprofundar a trama de forma significativa e generalizada. As empresas de mídia inteligentes procurarão formas de ir além dos modelos tradicionais e de transformar seus fãs em avançados embaixadores da marca.

Se a transmídia será a nova norma, ainda veremos. Mas pode-se facilmente perceber que, no cenário atual de mídia fragmentada, será obrigatória para a sobrevivência da TV. Talvez o futuro da TV não esteja na televisão tradicional ou nas plataformas digitais, mas na inteligência coletiva - o ciclo de interação entre os dois.

Fonte: The Washington Post – 17/11/2011
Tradução: Arnaldo Rabelo