Arnaldo Rabelo

31 março 2009

Cerveja busca nova publicidade

Se no Brasil foi a indústria de eletrodomésticos que criou um bordão publicitário capaz de se perpetuar no repertório nacional, com o "não é assim uma Brastemp", nos EUA foi a indústria cervejeira que conseguiu esse feito. Por lá, a expressão "wassup" (algo como "o que há de novo?") consagrou a propaganda da marca Budweiser e acabou sendo usada, como paródia, até mesmo na campanha de Barack Obama à presidência.

Embora o mercado cervejeiro nacional seja robusto o suficiente para gerar ícones de comunicação, os próprios fabricantes assumem que há uma certa padronização nos anúncios. As companhias têm até pesquisas mostrando isso, mas preferem não falar sobre elas.

"A fórmula básica do anúncio de cerveja oscila entre um clima de malandragem e uma bela bunda", ironiza Adilson Xavier, presidente da agência de publicidade Giovanni+DraftFCB.

Essa tendência gerou uma receita básica que acaba por confundir o público, como apontam as pesquisas feitas para avaliar a eficiência dos comerciais - o consumidor identifica que é cerveja pelas condições gerais, mas não difere mais uma marca da outra. Esse resultado, na opinião de Xavier, vem da própria ditadura dos indicadores surgidos nas pesquisas de avaliação dos comerciais.

O publicitário explica que esses indicadores mostram que o universo dos cervejeiros é formado por homens que se juntam para falar de mulher. "Isso levou a padrões de comportamento que acabam por dar um toque de mesmice aos anúncios", diz. "No exterior, as campanhas de cerveja recorrem ao humor de maneira inteligente."
Há, porém, elementos que justificam a diferença de comportamento dos mercados nacional e estrangeiro. Um deles é o fato de que, no exterior, há uma ampla variedade de tipos de cerveja e preços. Aqui, a expansão do mercado é recente no setor, que sempre foi dominado pela cerveja do tipo pilsen.

As propagandas das marcas premium, que vêm ampliando seu mercado nos últimos cinco anos, ocupam principalmente as páginas de revistas e jornais. "São veículos que atingem uma audiência mais qualificada", justifica Marcel Sacco, diretor de marketing do Grupo Schincariol, dono da popular NovaSchin, mas também das premium Devassa, Eisenbahn e Baden Baden.

A acirrada competição pelo bebedor padrão de cerveja igualou a comunicação e a líder AmBev - dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica -, está incomodada com o nivelamento, admitem seus executivos nos bastidores. "Não é mais estratégia essencial concentrar a comunicação dos produtos em comerciais na TV aberta", diz a diretora de inteligência de mercado da AmBev, Paula Lindenberg. "Cada vez mais buscamos aplicar recursos em pontos de conexão com o consumidor."

Ricardo Morici, diretor de marketing da Femsa, dona das marcas Kaiser, Sol e Xingu, diz que, se a propaganda estava muito parecida aos olhos dos consumidores, já há um claro movimento para mudá-la. "A eficiência da comunicação está em causar impacto e todos estamos atrás disso", diz.

Os executivos das cervejarias defendem que suas campanhas em cartaz ainda funcionam - é sempre a do concorrente que não vai muito bem. Mas nenhum abre os resultado das avaliações de percepção da eficiência publicitária. Luiz Pegorin, responsável por pesquisas desse tipo no instituto Ipsos, explica que o comercial funciona quando indica capacidade de se sobressair em meio aos outros e de ser lembrado pelo público.

Fonte: Último Segundo, a partir da Agência Estado - 30/03/09

28 março 2009

Audi quer usar crise para ganhar terreno

Montadora aposta em mercados emergentes para aproveitar momento delicado para indústria automobilística

Em meio à crise mundial, enquanto muitas empresas da indústria automobilística passam por graves dificuldades financeiras, a Audi quer aproveitar para ganhar participação no mercado internacional e crescer em países emergentes. Neste contexto, o Brasil é uma das principais apostas da montadora alemã de carros de luxo, subsidiária da Volkswagen.

A ânsia por crescimento se justifica pelos bons números do fechamento do ano passado. “2008 foi o 13° ano consecutivo em que a Audi teve lucro recorde. No mundo, mais de um milhão de carros foram vendidos”, afirma Peter Schwarzenbauer, vice-presidente mundial de vendas e marketing da Audi. O ganho da empresa em 2008 foi de 2,7 bilhões de euros.

“Esses números nos colocam em uma posição privilegiada frente aos nossos concorrentes para enfrentarmos a crise. Nós mantemos os mesmos planos de antes da crise. De 2009 a 2015, iremos investir 2 bilhões de euros por ano na produção de novos produtos”, diz.

“A Audi acertou nos últimos anos ao ser conservadora em aumentar sua capacidade de produção e agressiva ao investir em novos veículos. Agora é o momento de ganhar participação e sair mais forte da crise”, completa Paulo Sérgio Kakinoff, que acaba de ser nomeado presidente da companhia no Brasil.

A crise teve um grande impacto no segmento de luxo da indústria automobilística. O Grupo Tata, que lançou nesta semana o Nano, o carro mais barato do mundo, comprou no ano passado as marcas Jaguar e Land Rover da Ford, por US$ 2,3 bilhões. Em fevereiro deste ano, Fiat e Chrysler anunciaram sua fusão.

Para tirar proveito do momento delicado, até 2015, a Audi pretende lançar 40 novos produtos e consolidar-se como a líder no segmento de carros de luxo. No primeiro bimestre de 2009, pela primeira vez, a Audi passou à frente da BMW e da Mercedes na Europa. No país, a marca está hoje na terceira posição.

“O Brasil é muito importante estrategicamente para nós”, afirma Schwarzenbauer. Com o mercado europeu e Estados Unidos saturados, os números de início de ano no país ilustram bem a sua relevância para a marca. As vendas brasileiras cresceram 12% em janeiro e 28% em fevereiro.

“Em março, estamos caminhando bem rumo a um novo recorde em número de emplacamentos. Como Warren Buffet disse, quando a maré baixa, vemos quem estava sem sunga”, diz Jan Ebersold, CFO da Audi no Brasil. Nos dois primeiros meses do ano, foram vendidos 387 carros no Brasil. Em 2008, as vendas da marca foram de 1.427.

Em 2009, as vendas de carros de luxo no país devem chegar a 10 mil unidades. Para abocanhar uma fatia maior do mercado, a Audi irá aumentar sua presença no país. Ainda em março, ela ganha representantes no Rio de Janeiro e a partir de abril em Brasília e Goiás.

De olho nas classes um pouco menos abonadas, a Audi lançará no país, no segundo semestre de 2011, o A1. O carro é um pouco menor do que os outros modelos da linha e um pouco mais barato. O veículo, que será fabricado em Bruxelas, na Bélgica, ainda não teve o preço definido.

Enquanto o A1 não chega, estão previstos para estrear neste ano no Brasil os modelos Q5, em abril, TTS, no primeiro semestre, e S3, no segundo semestre. A Audi também já confirmou sua participação no Salão de Automóveis deste ano. Em 2008, a montadora não compareceu ao evento.

O Brasil está na 37ª posição no ranking mundial da Audi, com vendas de 2 mil veículos por ano. O desempenho é o mesmo da Índia, mas bem atrás dos outros países do Bric, como a Rússia, com 18 mil, e a China, com 120 mil. O gigante asiático é o segundo país em vendas da empresa depois da Alemanha.

Sucessão
Em mais um sinal da importância crescente do Brasil para a empresa, pela primeira vez na história da Audi no país, um brasileiro assume o cargo de presidente da empresa para as operações nacionais.

Paulo Sérgio Kakinoff, de 34 anos, nascido em Santo André, trabalhava desde seus 18 anos na Volkswagen. Ele agora deixa o cargo de diretor executivo do Grupo Volkswagen América do Sul para assumir a presidência da Audi.

Fonte: Época Negócios - 27/03/09

Nestlé aposta suas fichas em venda porta a porta para conquistar baixa renda no país

Responsável por 82% do consumo no Brasil, classes C, D e E viram alvo para aumentar vendas da empresa

Conscientes da importância da baixa renda para a expansão de seus negócios no país, as empresas começam a criar estratégias para conquistar essa fatia da população. Não é à toa. As classes C, D e E representam nada menos do que 82% do consumo nacional. Ciente disto, a Nestlé resolveu, literalmente, ir atrás desses consumidores.

Em 2006, a multinacional lançou a venda porta a porta de seus produtos. Por esse sistema, a empresa seleciona empreendedores para se tornarem microdistribuidores. Instalados em bairros periféricos, eles recrutam mulheres da própria comunidade para trabalhar com a venda de produtos Nestlé em carrinhos.

A multinacional fica responsável por orientar e treinar as vendedoras, inclusive com conceitos de nutrição e saúde, abastecer os microdistribuidores e preparar os catálogos de venda.

O programa, batizado de Nestlé até Você, começou com dez microdistribuidores e 800 revendedoras. Hoje, está presente em 40 cidades do estado de São Paulo, além do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Vitória, Curitiba, Belo Horizonte e Belém.

No final de 2008, o projeto contava com 140 microempreendedores e seis mil revendedoras, o que garantia visitas a cerca de 200 mil lares por quinzena.

A estratégia tem mostrado resultados. No ano passado, a área de baixa renda da empresa teve crescimento de 15%, faturando R$ 1 bilhão, ou 7% do faturamento total de R$ 14 bilhões da companhia. Entusiasmada com os resultados, a empresa agora começa a expandir o programa para o Nordeste, inicialmente no Ceará e em Pernambuco.

“Estômago não tem classe. Esse projeto funciona. Até o final de 2009, devemos ter 10 mil colaboradoras e 250 microdistribuidores”, afirma Ivan Zurita, presidente da Nestlé no país.

“O projeto nasceu há três anos no Brasil e se mostrou uma iniciativa de sucesso. Já levamos o conceito para a Venezuela, Colômbia e Equador”, completa Luis Cantarell, vice-presidente da Nestlé responsável pela Zona das Américas.

A expectativa da Nestlé no Brasil, segundo Zurita, é crescer o dobro do PIB neste ano – a multinacional projeta um resultado positivo para o indicador. Espera-se, no entanto, que o segmento de baixa renda cresça o dobro disso.

Facilidade
Alexandre Aramayo, de 32 anos, é um dos microdistribuidores do Nestlé até Você. Ele atua em Guarulhos, na Grande São Paulo. “Conto com cinco funcionários e 53 revendedoras, nos 17 bairros em que trabalho. Visitamos cerca de 10 mil residências por mês. Quando começamos, vendíamos cerca de 300 kits por mês. Hoje, já são 1,9 mil”.

Além de produtos isolados, vendidos por catálogo, os microdistribuidores também vendem kits, compostos de produtos refrigerados e secos.

“Muitas regiões periféricas não contam com grandes supermercados por perto. O consumidor é obrigado a percorrer longas distâncias com as sacolas na mão. Os produtos refrigerados podem estragar. Outra vantagem da venda porta a porta é que o cliente pode postergar o pagamento, além de ser atendido por um conhecido”, fala Alexandre Costa, diretor da Nestlé responsável pela área.

De fato, o atrativo maior para o consumidor não está no preço. Os produtos vendidos porta a porta são, em média, de 10% a 20% mais caros do que os encontrados em grandes redes de supermercado.

De acordo com as regras do programa, as revendedoras têm 20 dias para pagar os produtos ao microdistribuidor. Este, por sua vez, tem 28 dias para acertar as contas com a Nestlé. A margem de lucro para ele fica em torno de 60%. Já as revendedoras ganham, em média, R$ 320 por mês.

“Depois de um ano e três meses, consegui, em fevereiro, recuperar os R$ 70 mil que investi para me tornar um microdistribuidor. Com o que ganho, vivo bem e consigo pagar uma boa escola particular para os meus filhos”, comemora Aramayo.

Outras frentes
Além da venda por catálogo, a empresa alimentícia tem desenvolvido produtos específicos para a baixa renda para atrair o segmento. O Leite Ideal, por exemplo, foi criado exclusivamente para atender às necessidades da venda porta a porta.

Enriquecido com ferro, cálcio e as vitaminas A, C e D, que buscam cobrir carências nutricionais, o alimento é oferecido em embalagens sachês, o que reduz seu preço final. Sucesso de vendas, o Leite Ideal agora chega às prateleiras dos supermercados da região Nordeste do país.

A Nestlé também já lançou outros produtos tradicionais em embalagens de custo mais baixo, como os biscoitos Bono e Passatempo e sachês de Farinha Láctea, Mucilon, Nescau e Ninho.

A instalação da fábrica de Feira de Santana, na Bahia, em 2007, também tem cumprido um papel estratégico para a multinacional. A unidade, que produz massas lámen e envasa produtos lácteos, café solúvel e cereais, contribui para reduzir custos, principalmente logísticos, na região.

Quando foi construída, a expectativa da Nestlé era que sua capacidade teria que ser ampliada após dois anos. Contrariando os prognósticos, a ampliação da fábrica começou a ser ampliada já neste ano.

Em uma última frente, a Nestlé até Você leva representantes autorizados para vender produtos da marca nas estações de trens e metrôs de São Paulo e do Rio de Janeiro. Já é possível também encontrar os alimentos em lojas como a Casas Bahia. Agora, só resta saber até quando a baixa renda vai ser suficiente para aplacar a fome de crescimento da Nestlé.

Fonte: Época Negócios - 26/03/09

Topper muda logotipo

Como parte da estratégia para internacionalizar a marca, a Topper muda seu visual e amplia seu portfólio para atuar no mercado de artigos esportivos

Marca que se tornou sinônimo de futebol no Brasil, a Topper está passando pela maior transformação de sua história - e também pela mais visível. Seu logotipo, a tradicional letra "T" estilizada, em preto e vermelho, em uso desde a década de 70, será substituído por um novo símbolo. A partir da primeira semana de março, todos os produtos da marca passarão a ser identificados por uma linha curva. Explica Ana Couto, da Ana Couto Branding & Design, responsável pela repaginação: "O novo símbolo pode ser associado a toda modalidade de esporte. Ele remete tanto uma rede quanto a uma fita de linha de chegada."


A mudança no logotipo da marca é o resultado de de duas mudanças cruciais que estão ocorrendo na estratégia da empresa. A primeira delas refere-se ao seu posicionamento no mercado. A Topper deixa de ser uma marca segmentada para os praticantes de futebol para se tornar poli esportiva e unissex, aumentando a oferta de produtos relacionados ao esporte - e consequentemente, ampliando o número de consumidores. "O segmento de corrida é o que mais cresce no mundo. Não temos como ficar alheios às tendências de um mercado onde temos condições de atuar com força", diz Fernando Beer, diretor de artigos esportivos da Alpargatas, fabricante da Topper.

A segunda mudança diz respeito à ampliação da Alpargatas. Em outubro do ano passado, a empresa comprou a unidade da Argentina, onde a marca Topper já detém 30% do mercado de material poliesportivo. A ideia é conseguir esse market share também no Brasil. A união tornou a empresa uma gigante no mercado de calçados esportivos, produzindo anualmente 250 milhões de pares de calçados e sandálias, com faturamento de 1 bilhão de dólares. Atuando em 80 países e com 150 mil pontos de vendas, a nova Alpargatas quer ter uma unidade em seus produtos e ações relacionadas à marca Topper. "Queremos que o cliente entre em qualquer loja do mundo e reconheça nossa marca", diz Beer.

Na Argentina, a atuação da marca era feita de maneira completamente separada, com logotipo e estratégias diferenciadas. Não será mais assim. Com a unidade nos negócios será possível padronizar ações de marketing e propaganda, permitindo a redução de custos. "Tudo isto nos possibilitará um salto qualitativo para assegurar um de nossos principais valores: o de criar marcas desejadas internacionalmente, algo que já temos experiência em fazer", diz o diretor-presidente da Alpargatas, Márcio Utsch, referindo-se às Havaianas, outra marca da empresa, comercializada em 80 países nos cinco continentes.

Fonte: Época Negócios - 20/03/09

27 março 2009

Visão do cenário econômico brasileiro

No dia 24 de março estive no seminário de negócios "Hong Kong - Foshan: seu parceiro para ter sucesso na China". Achei interessante o fato da China estar expandindo a função comercial de Hong Kong para a cidade vizinha de Foshan, com uma grande infra-estrutura.

Uma das apresentações que me chamou a atenção foi a do Sr. André Loes, economista chefe do HSBC Brasil. Ele traçou um cenário sobre a situação econômica atual do país. Seguem abaixo os principais pontos.

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Ele estima que o PIB mundial encolherá 1,4% neste ano e crescerá 2,2% em 2010. O Brasil deverá crescer quase nada este ano: 0,1%. Para o ano que vem, é previsto um crescimento de 2,6% no PIB.

Loes diz que a situação do Brasil é favorável, já que o aumento no desemprego é relativamente baixo, houve crescimento real da renda (19% desde janeiro de 2005) e a crise quase não terá efeito sobre a riqueza total do país.

Algumas características estruturais do país estão por trás disso:
- baixa exposição ao comércio internacional;
- grande participação do Estado na economia;
- a solvência externa não é mais um problema (relação da dívida externa com as reservas).

Ele também prevê que o dólar cairá um pouco até o final de 2009.

Um dos principais problemas hoje é a contração do crédito e suas consequências (queda na receita fiscal, aumento do desemprego, etc.).

O consumo das famílias representa cerca de 60% do PIB. Este é um ponto muito afetado pelo nível de confiança do consumidor na economia.

Há espaço para queda nos juros. Espera-se que até julho já esteja em cerca de 9%.

Diferente dos países do primeiro mundo, o Brasil deverá sair da crise com seu sistema financeiro intacto.

O estímulo à economia via política monetária será mais importante que o estímulo via política fiscal.

21 março 2009

Usiminas moderniza marca

Com investimento mais modesto, mudança busca valorizar atributos de modernidade e agilidade à companhia em um momento de queda na demanda nos mercados interno e mundial

Antes da explosão da crise econômica mundial, no último trimestre de 2008, os planos da Usiminas incluíam aumento na produção, robustos investimentos para expansão e gastos de R$ 30 milhões para mudança de sua marca, com forte presença na mídia. Mas com a queda de 50% na demanda do mercado de aço no Brasil, a indústria - que produz anualmente oito milhões de toneladas - decidiu destinar apenas R$ 4 milhões para a mudança da identidade visual da companhia. O grupo também desacelerará o ritmo de investimentos e transformou planos de aumento da produção em meta de corte de custos, já que em algumas unidades como a de Ipatinga (MG), apenas a metade da capacidade industrial tem sido utilizada nos últimos meses.

Num cenário de queda na demanda mundial e interna de aço, o processo de mudança da logomarca pode dar algum fôlego à companhia. A criação da nova identidade visual levou nove meses, sob a responsabilidade da Interbrand. Com a nova imagem, que utiliza cinco cores randômicas (azul, laranja, vermelhor, roxo e verde) a empresa traz leveza à marca, antes impressa apenas em tom azul. O ícone em formato de "U" é inspirado nas grandes panelas da fábrica de aço (aciaria). E as novas cores representam a universalidade de aplicações do aço. Utilizadas alternadamente, as novas tonalidades significam também uma imagem moderna, ágil. "O mundo do aço parece cinza mas de fato não é", afirma o presidente da Interbrand, Alejandro Pinedo.


A Usiminas é a 10ª marca mais valiosa do país, segundo a Interbrand, com valor de R$ 654 milhões, e a 23ª mais valiosa da América Latina. As 13 empresas do grupo passam a utilizar também o sobrenome Usiminas e algumas das companhias vão desaparecer como a Cosipa (Companhia Siderúrgica de São Paulo) e a Zamprogna (no Rio Grande do Sul), reforçando a atuação uniforme do conglomerado. A mineradora J.Mendes, adquirida em 2008, foi incorporada e transformada em uma área de mineração da Usiminas.

"As empresas são cada vez menos locais e mais globais. Há também o estresse econômico e os efeitos da crise na demanda mundial de aço. É o maior processo de ruptura industrial dos últimos 50 anos com queda na demanda interna e externa de aço", afirma o presidente da Usiminas, Marco Antonio Castello Branco.

Neste cenário, a companhia iniciou o projeto Reinventando para obter mais eficiência, modernidade e inovação criando também bolsa de idéias para ouvir empregados. "Construir uma marca é construir um ser, é construir uma organização", afirma. Segundo Castello Branco, a nova Usiminas será uma empresa mais unificada, integrada do Nordeste ao Sul e mais brasileira. "Foi a primeira vez que a Usiminas se olhou no espelho e percebeu como os outros a notavam". A campanha publicitária foi criada pela Tom Comunicação a partir do conceito "Sensibilidade para Evoluir".

Pesquisa de percepção de marca indica que a companhia tem imagem confiável, sólida mas que necessitava de mais agilidade e modernidade, atuando com uma visão global e regional também. "A Usiminas era vista como uma empresa que ainda vê o mundo a partir do binóculo de Ipatinga (MG). Nossa imagem tem de estar alinhada com o que nós somos. Temos o valor da técnica e a Usiminas sabe fazer isso. Sabemos fazer com capricho criando um produto de grife, e não apenas commodities", afirma Castello Branco.

Fonte: Meio & Mensagem - 19/03/09

Consumo de mídia está mais disperso

Pesquisa da consultoria Deloitte indica que comerciais de TV ainda são os mais impactantes, mas o computador ganha espaço no dia-a-dia dos brasileiros

A TV ainda é o principal veículo de comunicação publicitária no Brasil, mas o nível de dispersão do consumidor é alto. Esta é uma das conclusões a que se pode chegar ao analisar a pesquisa O Futuro da Mídia, realizada pela primeira vez no País pela consultoria Deloitte. Foram entrevistadas 1.022 pessoas, entre 14 e 75 anos, divididas segundo a seguinte classificação: Geração Y (de 14 a 25 anos); Geração X (26 a 42); Geração Boomers (43 a 61); e Geração Matures (62 a 75).

"A tendência, inclusive da TV, é ir cada vez mais para a internet", afirma Marco Brandão, sócio da Deloitte na área de tecnologia, mídia e telecom. De acordo com o levantamento, os consumidores gastam, atualmente, 82 horas por semana utilizando diversos tipos de mídia e entretenimento tecnológico, como videogame. Quando perguntados sobre quais os três tipos de inserções publicitárias de maior impacto, 75% dos entrevistados citam as de TV. Esse número é alto inclusive entre a Geração Y (69%), mas cresce nas gerações X e Matures (77%) e especialmente na Boomers (79%).

Considerando-se todos os entrevistados, os anúncios em revistas aparecem em segundo lugar em influência (57%), seguidos daqueles veiculados online (45%) e em jornais (30%). Os celulares aparecem na quinta posição, com 19% das respostas. Entre os jovens de 14 a 25 anos, porém, a publicidade em celular é considerada mais influente (23%) do que nos jornais (15%). Eles são também os que dão mais importância à publicidade online (51%), enquanto quem tem de 62 a 75 anos dá menos valor (30%).

Apesar do poder confirmado da televisão, é importante notar que apenas 37% das pessoas consultadas não fazem mais nada enquanto assistem aos programas, novelas e afins. Os outros 63% desenvolvem diversas atividades enquanto estão em frente à telinha: 44% disseram navegar em sites; 38% lêem, escrevem e mandam e-mails; 33% falam com outras pessoas pelo telefone celular e 30% pelo fixo.

Os números indicam que a internet é um canal publicitário fortíssimo, especialmente entre os mais jovens. "Essa pesquisa também é realizada nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha e na Grã-Bretanha e, somente no Brasil, a geração Y [14 a 25 anos] gasta mais tempo na internet do que na TV", frisa Brandão.

Fonte: Meio & Mensagem - 19/03/09

20 março 2009

Todo poder ao design

Gigantes dos produtos de consumo recrutam designers para o topo da hierarquia corporativa como forma de valorizar suas marcas - e ganhar competitividade

Em meio aos diversos significados que a palavra "design" adquiriu com o passar dos anos, o mais utilizado do ponto de vista do marketing está relacionado à ideia de sofisticação e exclusividade. Foi com esse sentido que os setores da moda, de artigos de luxo, automóveis e eletrônicos se apropriaram do termo para aumentar o prestígio - e o preço - de seus produtos. Mas o conceito original de design é muito mais amplo: envolve todo o processo de concepção e fabricação de um produto, seja ele um apontador de lápis ou um tanque de guerra.

É justamente dentro dessa abordagem mais ampla que o design experimenta um renascimento entre as empresas globais de produtos de consumo. Proprietárias de um portfólio gigantesco de marcas e espalhadas por dezenas de países, grandes corporações têm utilizado as possibilidades oferecidas pelo design para reforçar suas marcas e aumentar suas vantagens competitivas em relação aos concorrentes.

E, para conduzir esse processo, têm destacado designers para assumir postos em seu primeiro escalão - como vice-presidente ou mesmo como chief design officer, cargo que se equipara ao de executivo-chefe das áreas de marketing, operações ou finanças. Com essa posição, eles têm poderes para intervir em praticamente todas as áreas da companhia, das fábricas à cadeia de suprimentos e distribuição.

Fonte: Revista Exame - 19/02/09

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Veja a matéria completa aqui.

11 março 2009

Classe C é apontada como o motor da economia brasileira

Uma pesquisa realizada em cinco capitais, com casais que têm renda familiar entre mil e dois mil reais mostra que a nova classe C brasileira é vaidosa, sonha com uma casa mais bonita.

O arroz com feijão continua sendo o prato preferido de 52% dos brasileiros que ganham. Mas os hábitos desta nova classe C estão mudando.

A maioria acha que tecnologia, como DVD, televisão, celular, contribui para o bem estar da família.

O computador 80% é fundamental e não dá mais pra viver sem ele.

De cada 10 pessoas seis têm cartão de crédito. Mas a maioria pensa duas vezes na hora de usar.

Os maiores sonhos mudaram. Antes, a classe C queria uma casa e um carro. Agora, deseja um carro novo e uma casa mais bonita.

Quem cuida bem da aparência tem mais chance de ter sucesso. Esse é o pensamento de mais de 70% dos entrevistados.

Por isso, mulheres e também homens frequentam salões de beleza duas vezes por mês e gastam entre R$ 15 e R$ 30 por visita.

O zelador Herom sabe exatamente porque passa creme nos cabelos. “Pra ficar mais legal, senão fica muito ressecado”.

Para o coordenador da pesquisa o desejo e o potencial de consumo desses brasileiros são o motor da economia do Brasil.

“Existe uma dependência do crescimento do Brasil pelo crescimento da classe C. Então nós, como todos os agente econômicos, temos que estar atento para onde estão os desejos e o comportamento do consumidor para podemos nos adequar à eles, porque aí sim podemos fazer girar a roda da economia”, alerta Aloísio Pinto, coordenador da pesquisa.

Fonte: Jornal Hoje - 11/03/09

Redes sociais mais populares que e-mail

Cerca de 67% dos internautas acessam redes sociais como o Facebook, sendo que no Brasil o percentual atinge 80%; Por aqui, gasta-se 23% do tempo online com essas redes

A atividade mais popular na internet é o acesso a redes sociais, à frente de e-mails, de acordo com estudo lançado pela Nielsen. No total, 67% dos internautas exercem essa atividade, contra 65% que utilizam e-mails, sem contar o fato de que o crescimento do alcance das redes e blogs é duas vezes maior do que de outras ferramentas mais tradicionais, como portais, e-mails e buscas.

Enquanto as redes sociais crescem, os portais estão em declínio, diz o estudo, com participação caindo dos 24% de 2006 para 16% em 2008.

Esses sites de relacionamento já representam 10% do tempo gasto pelas pessoas na internet. O Brasil se destaca neste quesito, com dedicação de 23% do tempo para as redes. Sem contar que o nosso País é o primeiro do ranking de alcance das redes, com 80% das pessoas que tem acesso à internet. Os Estados Unidos por exemplo tem índice de 67% e a Alemanha está bem abaixo, com 51%.

Outro fenômeno apontado é que as redes sociais estão quebrando a barreira dos jovens. A Nielsen descobriu que o maior crescimento da maior rede do mundo, o Facebook, veio da faixa de 35 a 49 anos. Além disso, houve acréscimo de duas vezes mais pessoas da faixa de 50 a 64 anos do que dos menores de 18.

A Nielsen aponta ainda que as três maiores redes sociais do Brasil são Orkut, Sonico e MySpace. O Facebook atinge somente 2% da população online do Brasil.

Em nível global, o Facebook tem 108 milhões de usuários (ou 30% da população internauta do mundo, segundo a Nielsen), contra 81 milhões do MySpace e 19,7 milhões do Classmates IOnline. Com a força dos usuários brasileiros, o Orkut é o quarto maior do mundo, com 17,5 milhões e o Linkedln têm 15%.

Fonte: Meio&Mensagem - 10/03/09

09 março 2009

Força de vendas ganha destaque com a crise

Com a redução das transações financeiras, a instabilidade das aplicações de risco e a redução do consumo, os profissionais de vendas e de marketing voltaram a ter papel de destaque nas empresas de todos os segmentos econômicos. Construir uma relação de confiança com o consumidor retraído em tempos de crise econômica passou a ser um dos grandes desafios das companhias, que passaram a buscar a capacitação de seus profissionais de vendas com a ajuda de entidades como a Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas (ADVB).

Segundo Agostinho Turbian, presidente da Federação das ADVB (FENADVB), em seus 52 anos de atuação, a entidade já formou e capacitou mais de 1 milhão de profissionais do setor. Além de sua atuação em todo o território brasileiro, a ADVB seguiu a tendência da globalização, já está presente em diversos países do mundo e mantém o projeto de expansão.

Em entrevista concedida ao programa "Panorama do Brasil", Turbian destacou a estabilidade da economia brasileira frente à crise econômica internacional e a força do consumidor interno. "Não é a economia brasileira que está vendendo, mas o povo brasileiro que está comprando."

Acompanhe aqui os principais trechos da entrevista, comandada pelo jornalista Roberto Müller, com a participação de Márcia Raposo, diretora de Redação do DCI, e de Milton Paes, da rádio Nova Brasil FM.

Fonte: DCI - 09/03/09

Tim reposiciona marca no Brasil

Na tentativa de recuperar o espaço perdido nos últimos anos, a operadora anuncia uma reformulação total de suas estratégias de marketing

A Tim, empresa de telefonia, serviços de internet e TV por assinatura, lança nesta segunda (10/03) uma nova campanha de marketing para reposicionar a marca no Brasil. O antigo slogan, “Tim, viver sem fronteiras” é substituído pelo “Você, sem fronteiras”. A mudança faz parte do plano de recuperação da empresa no Brsil. No final do ano passado, a Tim perdeu para Claro o posto de segunda empresa de telefonia móvel do país. A base de celulares pós-pagos encolheu em cerca de 200 mil linhas, o que também afetou o crescimento da receita.

A estratégia de vendas que acompanha o novo slogan está baseada no lançamento de novos serviços - ao menos um por mês até o final do ano. Paralelamente, a operadora espera sair da briga de preços que marca a disputa de mercado no país. “Hoje as operadoras dão minutos e celulares para atrair clientes”, diz Rogério Takayanagi, diretor de marketing da Tim. “Essa guerra está destruindo o mercado. Não acreditamos nela.”

Segundo Luca Luciani, presidente da Tim no Brasil, a mudança busca associar a marca Tim ao espírito dos novos tempos - que vem sendo marcado por mudanças políticas, econômicas e sociais - e atrair a atenção dos consumidores mais qualificados, interessados em serviços inovadores.

Reconquistar a atenção dos consumidores é fundamental para a operadora. No ano passado, as vendas da Tim ficaram muito abaixo da dos concorrentes. A operadora vendeu 5,1 milhões de novos celulares, contra 8,5 milhões da Claro, 7,6 milhões da Vivo e 7 milhões da Oi. Em janeiro, o quadro não se reverteu e a Tim permaneceu como a quarta no ranking de vendas de novos celulares.

Luciani, não revelou o valor do investimento na nova campanha. Os gastos com publiciade fazem parte de um pacote de investimentos de R$ 2,3 bilhões em 2009 e R$ 2 bilhões em 2010. De acordo com Takayanagi, a nova campanha será um “divisor de águas” na estratégia da Tim no Brasil. “É com certeza a maior campanha desde que a Tim começou a operar no Brasil em 1998.”

Fonte: Época Negócios - 09/03/2009