Arnaldo Rabelo

25 janeiro 2009

Web avança como canal de decisão de compra

Internet tem maior peso na compra de pacotes de férias, PCs e produtos financeiros

Os locais de compra convencionais estão perdendo espaço para a Internet. Nos países desenvolvidos, a maioria dos consumidores utiliza a rede mundial para tomar a decisão de compra de um produto ou serviço. A constatação é do estudo "Mundo Digital, Vida Digital", realizado pela TNS, que analisou a importância da Internet no processo de decisão de compra. Concluído no final de 2008, o estudo reuniu mais de 27 mil entrevistas com pessoas de 18 a 55 anos, de 16 países do mundo.

O levantamento revela, ainda, que o ambiente online apresenta maior influência nos setores de turismo, tecnologia, finanças e entretenimento. O papel da web foi considerado fundamental pela maioria dos entrevistados (86%) que adquiriu um pacote de férias nos últimos 12 meses. No setor de serviços destacaram-se os produtos financeiros (72%); ingressos para shows e teatros (70%) e treinamentos e cursos (69%). A exceção foi a compra de medicamentos - somente 22% dos pesquisados declararam que a internet teve papel importante na aquisição desses itens.

Pesquisa e compra - Os itens com percentuais mais elevados de compras online foram os ingressos para shows e teatros (84%) e os pacotes de férias (71%). "Produtos dessa natureza justificam a migração dos canais de compra tradicionais para os virtuais, principalmente pela conveniência e maior disponibilidade de informações da web", aponta Lucas Pestalozzi, diretor da área de Technology da TNS InterScience.

Já produtos como PCs, aparelhos celulares, eletrodomésticos e artigos de áudio e vídeo (TVs e DVDs), obtiveram índices elevados em pesquisa/comparação de preços na web. Em contrapartida, apresentaram um percentual mais baixo de vendas online. Isso significa que, nessas categorias, a rede é utilizada basicamente para investigar características técnicas e comparar preços. "Nos itens de maior valor agregado o consumidor tem necessidade de materializar a compra, o que reduz as chances de efetivar a transação no ambiente online", ressalta Pestalozzi.

O estudo examinou, ainda, o papel da Internet em momentos de vida importantes das pessoas: a compra de casa própria, realização de investimentos financeiros, definição de escola para os filhos e escolha de cursos de capacitação profissional. Nesses casos rede não é utilizada somente para pesquisas, mas também para a troca de informação com outros consumidores e busca de opinião de especialistas. Em decisões relacionados ao desenvolvimento profissional, 24% disseram ter avaliado e compartilhado a questão com outros internautas e 27% procuraram a opinião de profissionais.

Fonte: Cliente S.A. - 22/01/09

21 janeiro 2009

Mente feminina é mais propensa a pensar em comida

O cérebro do homem tem mais "força de vontade" que o da mulher para controlar o desejo de comida, indica estudo com voluntários que ficaram 17 horas em jejum e depois foram estimulados com imagens de seus alimentos preferidos.

O experimento, realizado nos EUA, tem seu resultado publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Para o estudo, os cientistas pediam aos participantes do teste que tentassem inibir a fome, ignorando o estímulo visual e pensando em outras coisas. Tanto homens como mulheres conseguiam diminuir a fome. O cérebro masculino, porém, revelou uma atividade menor nas áreas envolvidas com regulação de emoções. O cérebro feminino, aparentemente, continuava "ligadão" no desejo de alimento.

"Nosso estudo era sobre comparar a diferença de gênero na capacidade de inibição do desejo de comida durante estimulação. É sobre controle cognitivo", disse à Folha o principal autor, Gene-Jack Wang, do Laboratório Nacional Brookhaven, de Upton (EUA).

O estudo foi feito com 13 mulheres e 10 homens de peso normal, com média de IMC (Índice de Massa Corporal) de 24,8, considerado normal.

Depois de estimulados, os cérebros dos participantes eram examinados através de PET (tomografia por emissão de pósitrons). Os cérebros dos homens que adotavam a técnica de "inibição cognitiva" desligavam várias áreas associadas à regulação da emoção, como a amígdala, o hipocampo, a ínsula e o córtex orbitofrontal.

O estudo do grupo de Wang lembra que a capacidade de controlar emoções é fundamental, e que danos nesse sistema de inibição podem levar a distúrbios alimentares.

A interação entre genética e ambiente tem levado a uma epidemia de obesidade nos EUA, dizem os médicos. A predisposição nos genes se alia à maior facilidade de obtenção de alimentos calóricos demais.

"Nossa descoberta de uma falta de reação à inibição em mulheres é consistente com estudos comportamentais", escreveram os cientistas.

Bacon, pizza e chocolate

Os alimentos escolhidos para o teste vieram de uma lista apresentada pelos pesquisadores. Havia legumes e vegetais na lista. Mas os favoritos eram "bombas calóricas": pizza, lasanha, cheeseburger, sanduíche de bacon, queijo e ovo, sorvete ou bolo de chocolate.

"Gordura e açúcar provêm um monte de calorias. Levou milhares de anos para os nossos ancestrais descobrirem isso para nós. Não tínhamos o "luxo" disso até os últimos quarenta anos, quando pudemos produzir grande quantidade de comida a preço barato", diz Wang.

"Vários estudos recentes provaram que roedores que recebem açúcar intermitentemente se tornam tão viciados nele como se fosse álcool", diz Wang. Ele cita também uma pesquisa que monitorou centenas de homens e mulheres por 20 anos e mostrou várias diferenças no histórico de peso.

Homens ganharam em média 4,5 kg por década; mulheres tiveram ganho de 2,3 kg entre 1982 e 1992, e de 4,1 kg de 1992 a 2002. Em 1982, 90% das mulheres tinham peso normal, número que caiu para 74% duas décadas depois. Entre homens, 79% tinham peso normal em 1982 e apenas 43% em 2002.

Entre os obesos (IMC acima de 30), os números foram parecidos. Havia só 1% de homens ou mulheres obesos quando adolescentes, mas o valor subiu para 8% entre mulheres e 9% entre homens 20 anos depois.

Fonte: Folha de S. Paulo - 20/01/2009

Em ambiente mundial de recessão, Brasil pode ser ‘ilha’, avaliam instituições

Para FMI e Banco Mundial, Brasil deve crescer mais que os países ricos. Mas recessão técnica não pode ser descartada, segundo economistas.

Se depender das projeções de diversos organismos internacionais, o Brasil pode ser converter numa ‘ilha’ em meio a um oceano de recessão das principais economias mundiais.De acordo com os números mais recentes de organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países do grupo conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) deverão ter crescimento superior ao dos países ricos - embora menor que o registrado por esses mesmos países nos últimos anos.

O FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 3,5% em 2009. O Banco Mundial projeta 2,9%. O número é inferior às previsões para os demais países do Bric: Rússia, Índia e China devem crescer mais de 5%, de acordo com o FMI, ou mais de 3%, segundo o Banco Mundial.

Mesmo assim, a taxa brasileira é bastante superior à dos países desenvolvidos, que devem registrar queda ou crescimento máximo de 0,4%, segundo os mesmos organismos. O governo brasileiro projeta um número ainda maior, de 4%, enquanto a proposta de orçamento deste ano traz a previsão de 3,5% de elevação do PIB, e o Banco Central estima em 3,2% o crescimento da economia.

Recessão no curto prazo

No entanto, as projeções não significam que o país não passará por dificuldades, pelo menos a curto prazo. Pelo contrário: segundo diversos economistas, existe a possibilidade real de que o país entre na chamada recessão técnica - dois trimestres seguidos de queda na economia - antes de começar a se recuperar, durante o restante do ano.

"Podemos ter uma recessão técnica sim, é até bem provável, pelo que estamos vendo dos indicadores mais recentes. De qualquer forma, deveremos ter uma recuperação no restante do ano, de modo que o PIB brasileiro ainda seja positivo em 2009", afirma Antônio Correia de Lacerda, professor de economia da PUC-SP.

É a mesma opinião da colunista Miriam Leitão, que escreveu em seu blog que "no último trimestre do ano passado, o PIB encolheu. O número ainda não foi divulgado, mas quando for, será negativo. Neste primeiro trimestre do ano, também a produção, o emprego, as vendas estão diminuindo".

Momento delicado

Segundo Lacerda, a época em que a economia brasileira sente de modo mais agudo os efeitos da crise financeira global - o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 - é particularmente vulnerável à desaceleração."Os resultados desse período tendem a ser menores do que o resto do ano, pois existem muitas empresas dando férias coletivas ou usando banco de horas, o que também gera impacto negativo", explica.

"A contração da economia no último trimeste veio até mais forte do que estávamos esperando. Isso não implica necessariamente uma revisão para baixo do PIB, mas é inegável que os números de dezembro não são nada positivos", diz o gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, vai pela mesma linha. "Acho que pode ter uma recessão técnica sim. Mas o importante não é ela existir tecnicamente ou não, mas o quão profunda ela é. Se ficar pouco abaixo de zero em dois trimestres, e depois recuperar, tudo bem. O duro é quando você vai fundo demais, e daí não consegue sair dela no índice anual".

Crescimento no final do ano

Já para o ano fechado, a expectativa é que a economia passe por um processo de recuperação e termine o ano com elevação - ao contrário da trajetória da maior parte dos países ricos, que deverá ser descendente. Isso se deve à diferenças de conjuntura entre o Brasil e essas nações.

"Essa crise veio de fora. A economia brasileira não apresenta os mesmo problemas que existem nos países desenvolvidos. Por aqui, também temos uma ação forte da política econômica no sentido de estimular a economia. Isso, cedo ou tarde, vai ter um impacto na geração de emprego e renda, sustentando a demanda interna", diz Castelo Branco.

"Além disso, as empresas brasileiras em geral estão em posição mais favorável que as estrangeiras. Não temos passíveis problemáticos, por exemplo. Temos estoques em alta, mas assim que eles forem desovados, podemos voltar à normalidade", completa

Queda mais profunda

"Lá, a queda na atividade econômica é muito maior. Eles estão num processo recessivo muito mais pronunciado. O Brasil vai crescer pouco, mas não vai ter uma recessão prolongada", diz Lacerda. "O Brasil deve crescer entre 2% e 4% em 2009, principalmente se todo o incentivo do governo funcionar", opina Marcelo Moura , pesquisador do Ibmec São Paulo.

"Numa análise fria da situação, temos um governo com uma carga tributária gigante, ou seja, com espaço para reduzir, assim como na taxa de juros. O ideal seria aumentar gastos de investimento com infraestrutura, o que poderia aquecer a economia", sugere.

Outro fator apontado como decisivo para os rumos da economia nacional em 2009 é a direção tomada pela taxa de juros, atualmente na casa de 13,75%."O BC (Banco Central) deve cortar os juros na próxima reunião. Na minha opinião, esse corte pode ser até mais acentuado do que se espera até agora, talvez algo como 0,75 ponto percentual", diz Castelo Branco, da CNI"Os juros precisam ser cortados de forma decisdiva, pelo menos um ponto. Não adiantar chegar agora e cortar 0,25", concorda Lacerda.

Voz divergente

No entanto, nem todos os economistas concordam com as projeções de que o Brasil conseguirá se recuperar até o final de 2009. Um deles é Marcelo Carvalho, economista-chefe da filial brasileira do banco Morgan Stanley. Para ele, é possível que a economia brasileira termine o ano de 2009 com um crescimento próximo do zero."Na nossa visão, a desaceleração da economia brasileira será mais pronunciada do que muitos estão esperando. O país é mais vulnerável à situação internacional do que normalmente é reconhecido", escreveu, em relatório divulgado em dezembro.

No mesmo documento, Carvalho diz ainda que "baseado nos indicadores de dezembro, a maior parte das entidades aponta um crescimento de cerca de 2% em 2009. Mas é possível que essa previsão seja otimista demais. Um número próximo a zero não pode ser descartado. Acredito que as palavras ‘Brasil’ e ‘recessão’ vão começar a aparecer juntas nos jornais cada vez mais".

Saindo mais forte da crise

Já para Alcides Leite, professor de Mercados Financeiros da Trevisan Escola de Negócios, as dificuldades podem até ser benéficas para a economia brasileira."Por um lado, tivemos uma correção cambial, pois o real estava supervalorizado anteriormente. Além disso, existe agora a possibilidade de uma redução significativa na taxa de juros, com a menor pressão inflacionária. Assim, quando houver uma retomada, estaremos em melhor condição", diz ele.

"Estão acabando as desculpas para o BC não mexer na taxa de juros. Se conseguirmos terminar 2009 com um crescimento de cerca de 3%, um câmbio entre R$ 2 e R$ 2,10 frente ao dólar e uma taxa de juros com uns 2,0 a 2,5 pontos percentuais abaixo do nível atual, nós vamos sair fortalecidos da crise", afirmou.

Fonte: G1 - 21/01/2009

17 janeiro 2009

Para estimular turismo, Paraná cria 11 marcas

Logomarcas são parte do plano do Conselho Consultivo de Turismo e serão usadas no material de divulgação das atrações do estado

Uma versão estilizada da copa de uma araucária passa a assinar os materiais de divulgação das atrações turísticas do Paraná. A exemplo do que já fizeram o próprio Brasil e muitas cidades ao redor do mundo, o estado ganhou uma marca oficial, separada do governo ou de uma determinada gestão, que tem como proposta unificar e reforçar a comunicação.
Ao todo, foram criadas 11 marcas – uma para o estado como um todo e para dez regiões com potencial turístico (Noroeste, Norte, Campos Gerais, Curitiba e Região Metropolitana, Litoral, Centro-Sul, Centro, Sudoeste, Oeste e Iguassu & Caminhos ao Lago Itaipu). As logos, materiais promocionais e explicativos do projeto foram lançados no fim do ano passado e são assinados pela agência curitibana de design YUP Brasil.

A ideia é que elas sejam utilizadas em todos os materiais do estado distribuídos em eventos, feiras e em outras cidades turísticas. Segundo o coordenador estadual de turismo e artesanato do Sebrae, Aldo Cesar Carvalho, o investimento total é de R$ 90 mil, entre os trabalhos de mobilização e alinhamentos e o desenvolvimento das marcas propriamente ditas. A ideia, explica o coordenador, é parte do plano de marketing proposto pelo Conselho Consultivo de Turismo do Paraná, e foi colocada em prática a partir de um convênio entre o Sebrae e o Ministério do Turismo.

A diretora de criação da YUP, Vanessa Mezzadri, conta que durante dois meses foram feitos estudos de todas as regiões do estado que, segundo o Sebrae, têm potencial turístico. “Foi criada uma marca de acordo com as atrações principais de cada uma, a cultura e as características sociais e culturais”, explica. “No caso da marca do Paraná, trabalhamos com a Araucária, que é simbolo do estado.”

Para o diretor da Art Office, Kleber Puchaski, PhD em design pela Royal College of Art de Londres, muitas regiões estão entendendo a importância de não deixar que a criação da sua imagem aconteça “naturalmente”. “A imagem precisa ser administrada, porque não só empresas competem por recursos, investimentos. Mas também países, cidades e estados.”

O consultor de marcas José Roberto Martins, da Global Brands, observa que tratar o turismo através de uma estratégia de marca é uma iniciativa que precisa estar amparada em atributos realmente existentes. “O conceito deve ser sustentado na prática. Se não, corre-se o risco de cair no descrédito e criar uma frustração. É preciso ter a infraestrutura pronta antes da marca.”

Brasil

Foi esse o problema, segundo Martins, da marca Brasil. “O país tem corrupção, excesso de burocracia e uma série de problemas de infraestrutura, por exemplo, que acabam prejudicando a comunicação da marca.”

Para Puchaski, no entanto, o país está apenas no início de um processo de comunicação estruturada, que pode ter bons resultados. “O que o Brasil ainda precisa administrar são os estereótipos ligados à sua marca – como ser o país do futebol, samba e tráfico de drogas, por exemplo.”

O estado da Bahia e cidades como Nova Iorque, Londres e Barcelona são alguns dos exemplos de regiões que usaram a estratégia de marca para atrair turistas. O investimento na marca, pondera Martins, nem sempre traz resultados imediatos. “O fundamental é saber que a marca, seja de um produto, serviço ou região, é um recurso estratégico, e não tático. Isso significa dizer que tem objetivos de longo prazo.”

Produtos

Em agosto do ano passado, foi o etanol brasileiro que ganhou uma marca própria. O projeto é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e tem como objetivo facilitar a sua divulgação. A proposta das ações de comunicação era de desmistificar o produto e reforçar a ideia de energia limpa e renovável.

Um dos mais emblemáticos exemplos de sucesso deste tipo de marca é o café colombiano. Há mais de 40 anos a Associação Nacional de Cafeicultores do país investe em campanhas publicitárias e ações de marketing, focando em qualidade e diferenciação do produto. O resultado é inquestionável – o Brasil é o maior exportador do grão do globo e o segundo em consumo, mas é da Colômbia o título de melhor café do mundo. Do país e do camponês Juan Valdez, com a sua mula Conchita, – personagens criados pela agência americana Doyle Dane em 1959, que já rodaram o mundo divulgando o café colombiano.

Fonte: Gazeta do Povo - 17/01/09

12 janeiro 2009

Internet registra alta de 30% nas vendas

O comércio eletrônico fechou 2008 com faturamento de R$ 8,2 bilhões, 30% acima de 2007, de acordo com a e-bit, empresa especializada no setor, informa a Folha Online.

Antes da crise, a previsão era chegar a 35% de alta, o que mostra que as vendas não foram tão impactadas pela turbulência no mercado financeiro. Nesse cálculo não entram veículos, passagens aéreas e leilões.

O diretor da e-bit, Pedro Guasti, diz que a alta nas vendas na internet se deve à "esperteza do consumidor". "A rede é um meio que oferece múltiplos tipos de informação para os usuários, que acabam se sentindo mais seguros", afirma o executivo, em nota.

No ano passado, 3,7 milhões de consumidores fizeram sua primeira compra pela internet, o que ajudou a incrementar as vendas online. Entre os fatores que contribuíram para a chegada de novos consumidores está a entrada de grandes varejistas na rede. "A fidelidade de alguns consumidores faz com que eles associem a marca da loja física à da loja virtual", diz Guasti.

Para 2009, a expectativa é que o crescimento fique entre 20% e 25%, em relação ao ano passado, chegando a um faturamento de R$ 10 bilhões.

Fonte: PEGN - 09/01/09

O Mercado dos Cosméticos Orgânicos

O mercado dos cosméticos orgânicos, o mais promissor.

Sustentabilidade nunca esteve tanto em foco como agora. Produtos eco-friendly são as novidades do mercado atual e são as novas apostas dos empresários e profissionais de marketing.

Produtos com ingredientes orgânicos, sem ser derivados de petróleo, ingredientes adquiridos de forma sustentável, embalagens recicladas, recicláveis ou biodegradável e que não são testados em animais tendem a ganhar espaço em nossas prateleiras em hidratantes, sabonetes, máscaras para o rosto e cabelo, maquiagens, óleos, gel, tinturas de cabelo, esmaltes, condicionadores e shampoo.

A onda verde está abrangendo a área da beleza e da saúde de forma inovadora, com produtos que mostram os resultados rapidamente como os outros não ecologicamente corretos.

Os produtos orgânicos também dão importância aos ingredientes que vêm de origem animal. A preocupação é que eles não devem ser obtidos a partir da morte ou maus tratos do animal e sim da produção natural do ser. O mel das abelhas, por exemplo, pode ser extraído naturalmente e é responsável por ótimos resultados. As empresas também não usam flores, folhas e frutas em extinção e ainda se preocupam em fazer reposições do que foi usado.

Exemplo de marca de cosmético que aderiu á idéia ecológica foi a empresa brasileira Natura, que criou a linha Ekos, que possui produtos que não utilizam o óleo mineral, derivado do petróleo, e sim, óleos de origem vegetal. A marca também criou a Tabela Ambiental, que contém informações sobre a origem e o descarte da matéria-prima das embalagens e seus produtos, com a intenção de reduzir à zero sua emissão de gás carbono. Confira a tabela em seu site www.natura.net.

Diferente dos antigos produtos ecológicos, os produtos atuais não só tem a embalagem correta, agora os produtos vêm em embalagens bonitas, com um alto valor agregado, assim deixa de existir o mito de que os produtos “naturais” são feios.

A desvantagem é que a maioria dos pesquisadores e representantes das empresas afirmam que é impossível comercializar em grande escala um produto 100% correto. Um dos maiores problemas está na conservação do produto. Produtos totalmente ecológicos teriam pouca validade.

Além dos objetivos principais que os produtos devem atingir, a maior parte dos produtores de cosméticos orgânicos deseja que seus clientes observem as sensações que os produtos naturais transmitem como a energia do bambu, o relaxamento do lótus e muitos outros.

A aromaterapia também é outro trunfo, os cheiros dos produtos naturais podem aliviar o stress e melhorar a capacidade respiratória.

Para a certificação e regulamentação dos produtos orgânicos no Brasil foram criados O IBD (Instituto Biodinâmico) e o Ecocert. Ele dão a garantia se o produto está dentro das normas de qualidade e sustentabilidade com algumas prioridades como pureza, segurança e eficácia. Alguns selos são dados para produtos com mais de 5% de ingredientes orgânicos, já o IBD só aprova os produtos com no mínimo 90% dos ingredientes nessa categoria.

No inicio dos anos 90 é que a preocupação com produtos que agridem o meio ambiente aumentou e, esses anos foram marcados pela proibição da emissão de CFC em produtos como spray de cabelo e reuniões mundiais que abordam esse assunto. A partir dessa década, o assunto só ganhou mais foco. Atualmente, o movimento verde já é considerado um estilo de vida. Para muitos, os produtos eco-friendly são escolhas inquestionáveis.

Outras marcas que acompanham o movimento e que encontram-se no Brasil são: A Lush, a Éh Cosméticos, a Amazon Secrets, a Florestas, a Cassiopéia, Magia dos Aromas, Amazônia Viva, Reserva Folio, Weleda e a Phytophilo Aromatherapy.

Fonte: Portais da Moda (Laís Lana Campos) - 08/01/09

09 janeiro 2009

Redes sociais: além dos próprios sites

Foi com seu 'próprio Orkut' que Obama arregimentou seis milhões de pequenas doações

As redes sociais saíram dos sites das redes sociais. Em 2008, quando o conceito de "social" deixou os domínios dos gigantes Orkut, Facebook ou MySpace, a síntese do novo momento foi a eleição do presidente norte-americano Barack Obama. Ele não só tinha o seu perfil no Facebook e no Twitter, como criou a sua própria rede social, nos moldes do Orkut.

Foi com seu "próprio Orkut" que Obama arregimentou seis milhões de pequenas doações, que não passaram de US$ 100. Foi por meio de sua rede também que ele colocou eleitores em contato com eleitores para que eles se organizassem e fizessem campanha espontânea para sua corrida à Casa Branca. Para sua mensagem se espalhar ainda mais, no Twitter e no Facebook, o candidato informava os eleitores.

A experiência de Obama também foi replicada em jornais, portais e até em games. O "Wall Street Journal" e o "Le Monde", por exemplo, montaram as suas próprias redes sociais, em uma tentativa de atrair os leitores com as ferramentas "a que eles já estão acostumados". Portais brasileiros abriram espaço para blogueiros independentes, em uma forma de também trazer conteúdo ao qual as pessoas estão acostumadas na web.

Até os games foram atingidos pelo fenômeno. Um dos títulos mais aclamados do ano, Spore, no qual o jogador cria uma civilização, contou com um importante pé na internet: os gamers poderiam interagir entre si e trocar suas "criações", como prédios e monstros, e depois modificá-los, em uma criação coletiva.

O movimento de expansão das redes sociais promete ganhar fôlego em 2009. E pelas mãos dos tradicionais gigantes. Em uma forma de aproveitar o momento, Facebook, MySpace e Google - o dono do Orkut - desenvolveram projetos para transformar qualquer site parceiro em "social". Em breve, no site da CNN, por exemplo, será possível se logar com os dados do Facebook e saber quais dos seus amigos da rede social comentaram uma notícia por exemplo.

E vai pegar? Veremos no decorrer de 2009.

Fonte: Agência Estado - 08/01/09

06 janeiro 2009

Foco no cliente é diferencial competitivo

Pesquisa aponta as vantagens em conhecer o cliente e seus hábitos de consumo

Nessa nova fase da economia mundial, conhecer os hábitos de consumo dos clientes e utilizar corretamente as informações obtidas a partir das interações realizadas com eles pode representar a continuidade e a ampliação dos negócios de muitas empresas. É o que mostra os resultados de uma pesquisa realizada pelo SAS, empresa de inteligência analítica de negócios, em parceria com o grupo Peppers & Rogers e a Jubelirer Research.

O estudo reforça a abordagem de que as empresas que possuem a capacidade de gerenciar as experiências vivenciadas pelos consumidores, juntamente com o constante foco no cliente, usufruem de decisiva vantagem competitiva. A pesquisa foi feita com mais de 150 executivos de organizações líderes no mercado norte-americano, que foram convidados a responder uma série de perguntas que mediam as competências em gerenciar a interação realizada com o consumidor.

Um dos pontos destacados no estudo é que entre as empresas que possuem alto nível de interação com o consumidor, 81% registraram melhoria no desempenho competitivo. A pesquisa mostrou ainda que embora 76% dos entrevistados afirmem que incentivam os empregados a tratar os consumidores de maneira adequada, apenas 62% provêm as ferramentas e o treinamento necessário para conquistar a confiança dos clientes.

O resultados revelaram também que enquanto 76% garantem que a confiança do consumidor está ligada ao sucesso financeiro do negócio, apenas 60% quantificam como determinada ação aumenta ou diminui a confiança do consumidor quando toma decisões de compra. Além disso, grande parte das empresas quer focar na melhoria da interação com o consumidor, mas se sentem pressionadas por resultados de curto prazo. Apenas 42% dos entrevistados concordam que as empresas podem fazer o que é correto, apesar da pressão em apresentar resultados.

"Como os 4 Ps do marketing - produto, preço, ponto de venda e promoção - se tornam cada vez mais táticos, este estudo confirma que um número cada vez maior de empresas está adotando os 3 Is do marketing - insight do consumidor, interação e incremento - como chave para crescimento a longo prazo de clientes rentáveis", diz Jeff Gilleland, estategista global de soluções de Customer Intelligence do SAS, ressaltando que ainda há espaço para melhorias.

Ele explica que as empresas têm feito um bom trabalho, reunindo informações de consumidores, mas falham na criação de soluções a partir disso. "Você não pode lidar com a experiência do consumidor, se você não sabe o que o seu consumidor planeja comprar. Das empresas entrevistadas, apenas 39% consideram como boas ou excelentes as previsões que fazem de comportamento de compra, cancelamento ou abandono de clientes", enfatiza Gilleland.

Fonte: Cliente S.A. - 06/01/09

05 janeiro 2009

Desfile de moda faz shopping ampliar vendas

(Danielle Fonseca)

Os shopping centers investirão, em 2009, cada vez mais em eventos como desfiles, exposições e ações ligadas ao segmento de moda, para estimular vendas até em épocas de pouco movimento. A ação tem levado lojistas a participarem de desfiles, para mostrar novas coleções, alcançando com a estratégia incremento de quase 40% nas vendas, como no Brasília Shopping, que pertence aos empreendedores Organizações PauloOctavio e JC Gontijo.

De acordo com a gerente de Marketing do shopping, Ana Paula Junto Cunha, há um impulso imediato nas vendas com os desfiles. Nas duas edições de bazares realizadas este ano, acompanhadas de programações especiais e brindes aos clientes, foi registrado incremento de até 38% nas vendas. Durante os lançamentos de coleções, como a primavera/verão, o shopping busca ajudar os lojistas a divulgar as novidades e percebe um impacto de até 32% nas vendas, comentou a executiva, ao DCI.

Segundo Ana, mesmo em outras ações menos comerciais, como exposições, igual a que o Mall fez este ano com a marca de perfumes Carolina Herrera, ocorre aumento do fluxo de consumidores e conseqüentemente aumentam as vendas. "Criamos uma oportunidade consumo, temos de incitar o consumidor e expô-lo ao novo, talvez ele nem entrasse em uma loja de perfumes antes", explica a gerente. Hoje, o shopping recebe 35 mil pessoas por dia, sendo 70% do mix - 150 lojas -, voltado vestuário, acessórios e calçados. "Somos um shopping mais intimista e o nosso público também é descolado, até o nosso slogan: 'Aqui tudo combina', está ligado à moda", diz. Apesar de estar 100% locado, o empreendimento ainda teve novas marcas em 2008. Foram inauguradas lojas de redes como Vivara, Calvin Klein e Le Lis Blanc.

Outro shopping que se destaca quando o assunto é moda e eventos é o Shopping Iguatemi, em São Paulo, administrado pela Iguatemi Empresa de Shopping Centers (IESC). Seu calendário anual é lotado de eventos e o Mall é patrocinador de um das principais semanas de moda do País, a São Paulo Fashion Week, além de hospeda alguns de seus desfiles.

Para o gerente-geral do Iguatemi, Sandro Fernandes, a meta é trazer inovações nos eventos já no ano que vem, sendo grande parte da verba do shopping destinada a essa área, cujo valor de investimento para aperfeiçoar os desfiles tem crescido a cada ano e deve ser maior em 2009. "Fomentamos a moda brasileira e ela faz parte do nosso DNA Outras vantagens são o impacto nas vendas e o reforço da marca Iguatemi."

O gerente também acredita ser um dos únicos com um espaço de mil metros quadrados dedicado só a eventos e que pode ainda acomodar cerca de 500 pessoas para ver um desfile no shopping, que ele afirma ter o espaço mais caro de aluguel na América Latina. "Se recebermos dois desfiles por dia, já teremos um fluxo de mil pessoas a mais, e de um público classificado". Mais de 75% das lojas do shopping são do segmento de moda e o local ainda deverá passar por um processo de expansão no ano que vem.

No interior, há centros de compras apostando mais em eventos do setor. É o Campinas Shopping, administrado pela AD Shopping, que passou a realizar desfiles com participação dos seus lojistas, chamado de Campinas Shopping Collection. De acordo com Tatiane Piza, gerente de Marketing do Mall, a expectativa é que haja um crescimento de 11% na verba para a realização do evento em 2009 e o objetivo "é consolidar o evento, tornando-o referência na cidade, seja pelas celebridades que reúne ou pela variedade de lojas".

A gerente afirma que o evento é voltado ao consumidor final e quase 80% dos lugares disponíveis é destinado a convidados das lojas participantes. "Orientamos o lojista a convidar os melhores clientes, estratégia que além de estreitar relacionamento contribui para fidelizar, já que naquele momento o cliente sente-se especial e tem acesso às novidades em primeira mão." A executiva ressalta a vantagem do reforço de marca do empreendimento para apresentá-lo como "um novo shopping", mais completo e com franquias reconhecidas nacionalmente. Tanto que em 2008 foram inauguradas 8 novas lojas do segmento, entre elas, Lojas Renner, Hering e Taco, totalizando 40% do mix para moda.

Estímulo

Um dos maiores shoppings do País, o Shopping Center Norte, da família Baumgart, também passou a realizar desfiles para estimular as vendas em períodos em que o movimento é menor e aquecer as vendas de férias, por exemplo. De acordo com Gabriela Baumgart, gerente de Marketing do Center Norte, a meta pe investir mais em desfiles ano que vem, sendo que este ano foram gastos R$ 750 mil em ações de marketing direto, para atingir compradores que freqüentam o Mall. Ainda "foi criado um jornal, com tiragem de 50 mil exemplares, mostrando tendências e dicas, que é distribuído gratuitamente aos freqüentadores", disse ela.

O modelo de realizar desfiles com lojistas também já é adotado pelo Shopping ABC, que pertence a BR Malls, e os faz durante o mês de setembro adiantando as próximas coleções. Segundo Elizabete Henriques, gerente de Marketing do shopping, "o desfile é uma excelente vitrine para as lojas", além de contribuir para o aumento do volume de negócios e de público. Só na última edição, o crescimento foi entre 10% a 30% para os lojistas. A loja de calçados Empório Naka, por exemplo, obteve crescimento de 15% nos negócios. Enquanto a Guaraná Brasil afirma que durante os desfiles teve um crescimento de público dentro da loja, além de incremento de 30% nas vendas, em comparação com a edição anterior.

Fonte: DCI - 30/12/08

A multiplicação das marcas

A Hypermarcas, criada pelo ex-dono da Arisco, avança no mercado das multinacionais criando - e espalhando - logotipos de sucesso

(Ana Luiza Herzog)

Desde que comprou a fabricante de palhas de aço Assolan, em 2002, o empresário goiano João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, vem trabalhando para transformar sua empresa - hoje chamada Hypermarcas - numa das companhias brasileiras de consumo de massa. Com faturamento de 1,1 bilhão de reais em 2007, a Hypermarcas tem hoje um portfólio com mais de 160 marcas e 1 500 produtos - de desodorantes a molho de tomate. Em março, Júnior dará mais um passo numa trajetória que, invariavelmente, avança sobre o espaço de alguns dos maiores grupos de consumo do mundo. A Hypermarcas vai lançar lâminas e aparelhos de barbear, um setor dominado pelas multinacionais Procter & Gamble e Bic, que têm, juntas, cerca de 54% de participação. Para entrar nesse mercado, que movimenta mais de 1 bilhão de reais por ano, Júnior apoiou-se na crença de que seu grupo tem marcas já suficientemente fortes para sustentar a expansão. As lâminas, por exemplo, terão o endosso do logotipo da Bozzano, uma das mais tradicionais marcas brasileiras de cosméticos masculinos, adquirida pela Hypermarcas há seis meses. "Na cabeça do consumidor, essa não será uma lâmina qualquer, mas uma Bozzano, que é sinônimo de marca para homem", afirma o paulista Claudio Bergamo, presidente da Hypermarcas. Por trás da frase de efeito está uma estratégia que vem sendo o grande motor da expansão da companhia: a prática de colocar sob o guarda-chuva de uma marca já reconhecida pelos consumidores uma miríade de itens - muitas vezes de diferentes categorias - que tenham afinidade com o produto que originalmente a consagrou.

Ainda que não seja uma novidade, a chamada extensão de marcas nunca esteve tão em voga. Segundo uma pesquisa recente da Troiano Consultoria de Marca, 81 de cada 100 produtos novos que hoje estão nas gôndolas do país pertencem a marcas já conhecidas. Em 2005, eram 77. Nos Estados Unidos, considerado o mercado de consumo mais maduro do mundo, essa relação é de mais de 90 produtos para cada 100. O que explica esse fenômeno é o crescente temor que os executivos de marketing têm de que uma marca criada do zero não vingue. Estima-se que uma empresa americana gaste, no mínimo, 250 milhões de dólares em marketing para que uma marca nova conquiste, ao longo de cinco anos, uma modesta participação de mercado de 5%. Em contrapartida, estudos mostram que colocar nas prateleiras um produto com a chancela de uma marca já consagrada custa, em média, 20% menos. Como numa espécie de efeito dominó, a cada nova extensão os gastos com marketing seriam reduzidos em outros 20%.

É justamente nessa economia de escala que os executivos da Hypermarcas apóiam sua estratégia. A primeira experiência se deu com a palha de aço Assolan. Comprado da Unilever há seis anos, o produto rapidamente foi relançado com uma agressiva campanha de marketing. Em 2003, quando comemorou a conquista de quase 25% de participação de mercado - ameaçando a hegemonia da líder Bombril -, a marca começou a ter os primeiros filhotes. "Com a ajuda de pesquisas, percebemos que a Assolan já estava forte o suficiente para batizar outros produtos", afirma Bergamo. Foram então lançados 14 itens, como esponjas, saponáceos e detergentes. Todos, porém, nutriam um elo com o produto original: eficiência para acabar com a sujeira na cozinha. Hoje são 63 itens de limpeza em 18 categorias diferentes (incluindo as que levam o logo Assim, espécie de subdivisão da marca Assolan, criada para abrigar produtos de limpeza para ser usados no resto da casa, como sabão em pó, desinfetantes e detergentes).

Apesar da multiplicação acelerada, a estratégia é encarada na Hypermarcas de forma quase simplista. "Ela é forte? Tem um atributo claro aos olhos do consumidor? Então, basta descobrir que outros produtos afins podem carregá-la e pronto", afirma Bergamo. Depois de definidas as possibilidades, é hora de dar um choque de publicidade nos lançamentos - uma estratégia que Bergamo aprendeu nos quase dez anos de trabalho direto com Júnior. Só em 2009, a Hypermarcas vai investir 250 milhões de reais em marketing. A verba é administrada dentro de casa. Desde que adquiriu a DM Farmacêutica, em meados de 2007, que tinha sua própria agência de publicidade, a empresa produz todas as suas campanhas publicitárias internamente. E não é pouca coisa: a cada mês, no mínimo três comerciais novos estréiam em canais de TV e estações de rádio. "Com isso, reduzimos custos e ganhamos mais agilidade", afirma Bergamo. Com essa estrutura, Júnior tem autonomia para interferir ainda mais na linha dos comerciais - algo que, desde os tempos em que era dono da Arisco, ele gosta de fazer. "Ele criou fórmulas das quais não abre mão e que, aparentemente, funcionam", afirma um publicitário amigo do empresário. Para começar, poucas campanhas da Hypermarcas dispensam o uso de celebridades consagradas, como Xuxa, Antônio Fagundes e Pelé. "Depois da Globo, somos de longe o maior empregador de artistas famosos do país", diz Bergamo. Além disso, Júnior consegue identificar modismos que podem ajudar a aumentar as vendas da companhia. Em 2005, por exemplo, quando a música Festa no Apê, do cantor Latino, se tornou um sucesso nas rádios de todo o país, Júnior teve a idéia de fazer o mascote da Assolan dançar ao som de uma paródia da melodia, em horário nobre da TV Globo. A partir de janeiro, também por sugestão de Júnior, a nova contratada para impulsionar as vendas da Assolan é Maisa, a apresentadora mirim que virou a sensação do SBT.

Muito além da palha de aço

A despeito da trajetória bem-sucedida da Hypermarcas até agora, a estratégia esconde riscos para as empresas. "Um dos mais freqüentes é a vaidade, que faz com que alguns executivos acreditem que suas marcas podem simplesmente dar nome a absolutamente tudo", afirma o consultor Jaime Troiano. Prova de que não são poucas as que caem na emboscada é que, todos os anos, a consultoria Tipping Sprung, em parceria com a revista americana Brandweek, publica uma lista com as extensões de marca mais desastrosas lançadas naquele período. Entre as que já figuraram no ranking do passado estão um kit para confeitar bolos da Harley-Davidson, comidas congeladas da Colgate e roupas íntimas descartáveis da Bic. "A tentação é realmente grande e é preciso ter muita cautela", afirma Jumar Pedreira, gerente de marketing do J. Macêdo. O grupo nordestino tem um dos melhores exemplos nacionais de extensão de marca com a Dona Benta - que nasceu como farinha de trigo, em 1978, e hoje abriga 40 produtos em cinco categorias. Ainda assim, a marca não passou incólume pelos fracassos ao lançar, em 2006, uma gelatina diet. "Quem compra Dona Benta quer prazer à mesa e, enquanto a marca tiver esse atributo, nada diet ou light faz sentido", diz Pedreira. A Hypermarcas ainda não errou, e provavelmente caberá à intuição de Júnior evitar que ela também tenha, no futuro, histórias desastrosas para contar.

Fonte: Exame - 23/12/08

Produtos sustentáveis têm apelo, mas não podem ser mais caros

O problema é o preço

A maioria dos consumidores se diz preocupada com questões ambientais, mas apenas um terço pagaria mais por um produto ecologicamente correto

(Aline Lima)

O gerente comercial Rodrigo Bassi Menegocci, de 24 anos de idade, se lembra bem de um anúncio que viu tempos atrás na televisão, em que um fabricante de sabão em pó prometia plantar uma árvore para cada caixa vendida do produto. Embora Menegocci tenha ficado entusiasmado com o apelo ecológico, nem sempre ele opta por levar para casa aquele sabão em pó - ou qualquer outro produto menos agressivo ao meio ambiente. "Quando vou fazer compras, levo em consideração o aspecto ambiental, mas é preciso que o produto tenha qualidade e o preço seja honesto", diz.

Menegocci é o típico consumidor verde "pragmático", perfil detectado em uma pesquisa realizada pelo instituto Quorum Brasil com exclusividade para o Guia EXAME de Sustentabilidade. O levantamento, realizado em setembro, ouviu 200 moradores da cidade de São Paulo - homens e mulheres com idade entre 20 e 50 anos e renda familiar mensal entre 5.000 e 10.000 reais. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua decisão de compra. Apesar das boas intenções, na prática o comportamento desse grupo é outro. A pesquisa revela, por exemplo, que 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde. Além disso, 47% dos consumidores afirmam que não deixam de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza.

Os números indicam que a consciência ambiental é fortemente influenciada pelo fator preço. No entanto, na análise do consultor William Horstmann, sócio do Quorum Brasil e responsável pelo levantamento, só esse elemento não explica a contradição entre o discurso e a prática do consumidor. "O preço é um fator inibidor, claro, mas não o suficiente para uma pessoa decidir se leva ou não para casa determinada marca", diz. "Se o consumidor não age de acordo com o que diz, é porque falta informação sobre o assunto." Um dado revelador dessa falta de divulgação é o baixo número de marcas citadas espontaneamente pelos entrevistados quando o assunto é o meio ambiente - apenas nove marcas foram lembradas e a mais citada foi a fabricante de cosméticos Natura, mencionada por 18% dos entrevistados.

O levantamento do Quorum Brasil confirma os resultados de uma pesquisa similar realizada no ano passado pela consultoria McKinsey em oito países (Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido). Nessa sondagem, 87% dos entrevistados se declararam preocupados com os impactos ambientais e sociais dos produtos que compram. No entanto, apenas 33% dos consumidores disseram que compraram ou pretendem comprar produtos socioambientalmente corretos. Um dos produtos que conseguiram furar essa barreira foi o Prius, lançado pela japonesa Toyota em 1997. Primeiro carro híbrido do mundo (combina o uso de energia elétrica com o de gasolina), o Prius custa 50% mais do que um Corolla, modelo básico da mesma fabricante. Mesmo assim, mais de 1 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo.

Barreira econômica
Segundo especialistas, no Brasil a disseminação do consumo consciente depende, sobretudo, do aumento do poder aquisitivo da classe C. "Essa camada da população está encantada com o poder de consumo recém-adquirido", diz Thiago Lopes, gerente de planejamento da agência de publicidade Talent, que acaba de concluir um estudo no qual detectou nesse público certa indiferença em relação ao consumo orientado por valores responsáveis. "Não surte efeito algum falar em sustentabilidade quando o que essas pessoas querem, no momento, é realizar o sonho de ter um carro na garagem", diz Lopes. Apesar da barreira econômica, seria arriscado para qualquer empresa ignorar a parcela de consumidores que seguem a cartilha do consumo responsável - um terço da população entrevistada pela pesquisa do Quorum Brasil. Entre os principais motivos citados por esses consumidores para a compra de produtos com apelo ecológico estão a preservação da natureza e a preocupação com o futuro da próxima geração.

"A tendência é que o número de pessoas dispostas a assumir tais valores aumente", diz Heloísa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, organização não-governamental que promove o consumo consciente. Em pesquisa realizada há dois anos, a entidade verificou que 33% dos consumidores brasileiros são conscientes - têm um bom grau de percepção dos impactos coletivos ou de longo prazo em suas decisões de consumo e não se atêm aos aspectos econômicos ou aos benefícios pessoais imediatos. De olho nesse tipo de consumidor, muitas empresas têm se esforçado para colocar nas prateleiras produtos ecologicamente corretos. É o caso da rede varejista Wal-Mart, que pretende transformar sua linha de marcas próprias em modelo de sustentabilidade. Já é possível, por exemplo, encontrar nas gôndolas do varejista cereais matinais com embalagens que levam o selo FSC, certificado ambiental do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, e cobertores produzidos com fio de poliéster feito 100% de fibra de PET. Além disso, a rede negocia com seus fornecedores o desenvolvimento de embalagens que reduzam a quantidade de material utilizado.

"Até 2009, nossa meta é ter 100% das embalagens dos produtos de marca própria sustentáveis", diz Daniela de Fiori, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade do Wal-Mart. Para Mariana Cogswell, diretora de planejamento da agência Talent, o consumidor verde é, necessariamente, mais crítico e seu comportamento tende a influenciar cada vez mais o modo de produção das empresas. "Contribuir para o desenvolvimento sustentável não é mais uma questão de escolha da companhia, e sim obrigação", diz ela. A HP, uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do mundo, percebeu isso há muito tempo. Na década de 90, o trabalho de recolhimento e reciclagem de cartuchos da empresa virou referência no setor. Agora, a HP se prepara para dar um passo adiante: em vez de doar os cartuchos coletados a uma empresa de reciclagem, em novembro a própria companhia deve começar a reciclar o material. Após passar por um processo de limpeza e moagem, o material plástico produzido será usado na fabricação de novos cartuchos. "Queremos criar uma cadeia produtiva auto-renovável", diz Kami Saidi, diretor de operações da HP para o Mercosul. "À medida que aumenta a conscientização, o consumidor leva em conta essas iniciativas na sua decisão de compra."

Fonte: Exame - Guia de Sustentabilidade - 30/10/08