Arnaldo Rabelo

30 julho 2008

Hypermarcas compra Bozzano e Juvena

Além dessas duas marcas, corporação também adqüire Acqua Marine e Campos do Jordão, expandindo sua presença no mercado de higiene e beleza masculino

A corporação Hypermarcas acaba de ampliar a sua presença no setor de bens de consumo do País, adquirindo as marcas Bozzano, Acqua Marine, Juvena e Campos do Jordão, pertencentes à multinacional Revlon. Os novos negócios foram informados à imprensa na tarde desta última segunda-feira, 28.

O negócio, finalizado pelo montante de US$ 104 milhões, expandiu o alcance da Hypermarcas no segmento de higiene e beleza masculina, no qual já estava presente com as marcas Três de Marchant e Avanço. Além da aquisição dos produtos da norte-americana Revlon, a Hypermarcas também concluiu a compra das NY Looks e Radical, marcas de modeladores capilares e dos hidratantes Bia. As duas faces adquiridas pela corporação contabilizaram, juntas, um faturamento de R$ 120 milhões no ano de 2007.

Empenhada em pulverizar seu poder pelos diversos setores de bens nacionais, a Hypermarcas já havia, em junho deste ano, realizado a aquisição do Laboratório Americano de Farmacoterapia (Farmasa), em um acordo no qual as cifras foram mantidas em sigilo. Atualmente, a Hypermarcas comporta produtos dos segmentos de alimentos (como Finn, Zero-Cal, Salsaretti, entre outras), Higiene e Limpeza (Assolan, Assim), Higiene Pessoal (Éh!, Cenoura & Bronze, Monange) e Medicamentos (Maracujina, Doril, Lacto Purga, Epocler).

Fonte: Meio & Mensagem - 29/07/08

Nova pesquisa mostra que decisão no PDV é menor do que se pensava

(Luiz Alberto Marinho)

O varejo e as agências que fazem promoções no ponto de venda têm usado e abusado dos resultados de uma pesquisa feita em 1995 pelo POPAI (Point of Purchase Advertising Institute), dando conta que 70% das decisões de compra dos consumidores seriam tomadas diante das prateleiras dos supermercados. Com base nesses dados, muitos anunciantes diminuíram seus investimentos publicitários dirigidos para a construção de imagem da marca para reforçar ações dentro do PDV.

Esse cenário, porém, pode mudar um pouco. A edição dessa semana da Ad Age informa que uma nova pesquisa, feita pela OgilvyAction, mostrou que na verdade o percentual dos americanos que decide no ponto de venda qual marca vai comprar seria de 39,4%. O estudo revelou ainda que na média apenas 10% dos clientes trocam de marca e 29% acabam levando produtos de uma categoria que não estava na lista de compras em função de alguma promoção na loja. A pesquisa da OgilvyAction foi feita com 14 mil pessoas em diferentes países e entrevistava os clientes na entrada e na saída da loja para comparar a intenção inicial de compra com o que foi efetivamente adquirido.

Evidentemente, o fato de que quase 40% dos consumidores tomam suas decisões dentro das lojas ainda impressiona e deve ser levado em consideração pelas empresas na hora de formular suas estratégias. O que as pesquisas não mostram, entretanto, é que na maioria das vezes as escolhas acontecem dentro de um repertório de marcas do consumidor. O que isso significa? Que nós temos algumas marcas preferidas na cabeça em cada segmento. Diante da ausência de uma delas ou na presença de uma promoção do tipo pague 1 e leve 2, podemos eventualmente trocar a marca número 1 pela número 2. Mas, na minha opinião, seria um exagero afirmar que os consumidores descartam facilmente uma marca conhecida por outra só porque ela está exposta com maior destaque no supermercado.

Certo mesmo é que essa pesquisa da OgilvyAction vai dar novo gás a disputa entre o povo de promoção no PDV e o pessoal das agências de publicidade por maiores nacos da verba de marketing dos anunciantes.

Fonte: Blue Bus - 30/07/08

29 julho 2008

Campanhas com celebridades saturam mercado

Uma pesquisa da Datamonitor conclui que os anunciantes precisam adotar novas estratégias para evitar publicidade e embalagens de produtos com celebridades, pois essa tática alcançou uma zona de saturação. A celebração da fama atingiu um ponto dramático, com programas de reality show, capas de revistas e notícias de celebridades 24 horas por dia na internet.

Um dos problemas é que as celebridades estão na linha de divulgação de produtos muito diferentes, o que tira a credibilidade tanto delas quanto do próprio produto. Um exemplo é o jogador inglês David Beckham, que está em campanhas de Gillette, Pepsi, Empório Armani e até das canetas Sharpie.

A pesquisa aponta que os escândalos envolvendo celebridades ou a queda de status delas podem causar danos às marcas; além disso, a força da 'marca' da celebridade pode se sobrepor à marca anunciada. A Datamonitor cita a relação de Britney Spears e Pepsi para exemplificar.

E isso, sem contar que existe uma nova geração de celebridades que são os próprios produtos, segundo a empresa de pesquisa, e os maiores exemplos disso são o iPod e o iPhone da Apple, que se tornaram identidades globais com personalidade própria.

A conclusão do estudo é que para as campanhas com celebridades continuarem efetivas, os anunciantes precisam se assegurar que a participação dela está baseada numa história ou mensagem de marca muito forte. A personalidade da celebridade precisa estar em sincronia com a personalidade da marca.

Com informações do Brand Republic.

Fonte: Meio & Mensagem - 28/07/08

28 julho 2008

GM passou 1/4 da verba para a mídia digital nos ultimos 3 anos

A GM destinou quase 1/4 de seus investimentos em mídia para a mídia digital nos ultimos 3 anos. A informaçao é do vide-presidente de marketing para a América do Norte, Mark LaNeve, ouvido pelo Advertising Age. A presença online da companhia envolve campanhas publicitárias, search marketing (marketing em mecanismos de busca), sites para revendedores e também gestão do relacionamento com o cliente.

Fonte: Blue Bus - 28/07/08

Santander pretende eliminar a marca Real

O Banco Central informou no dia 24/07 que aprovou a transferência do controle do banco ABN Amro Real para o Santander. Fábio Barbosa, atual presidente do Real, assume o comando da nova instituição.

O negócio foi aprovado no dia 22/07. A compra do banco Real já havia sido ratificada também pelo Cade, em dezembro do ano passado. Em outubro de 2007, o consórcio formado pelo Royal Bank of Scotland, Santander e o belgo-holandês Fortis comprou a maior parte das ações do ABN Amro, numa transação na qual o Santander ficou com o Real.

Segundo a coluna Radar, da Veja, a marca Real deve desaparecer em dois anos.

Fonte: Meio & Mensagem - 24/07/08

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Em agosto de 2007, a ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), em parceria com a Top Brands Consultoria e Gestão de Marcas, realizou uma pesquisa que avalia a importância e o prestígio das marcas para o consumidor brasileiro em diversas categorias de produtos e serviços. O banco Real foi o que teve o maior "índice de adesão", que reflete a satisfação, confiança e disposição do cliente de continuar com a marca.

Um relatório de 2007 da Brand Analytics explica que o papel da marca (capacidade de gerar demanda) em uma empresa de serviços financeiros chega a 20%.

Em 2005 a Interbrand avaliou a marca do banco Real como a 14ª mais valiosa do país (entre todas as marcas, em qualquer segmento), valendo US$ 187 milhões. O que mais contribuiu para a sua valorização foi seu posicionamento ligado a sustentabilidade ambiental.

Não será um desperdício perdê-la?

Coral faz mudanças em suas estratégias de marketing

Coral movimenta o mercado de tintas com lançamentos e alterações em suas embalagens que refletem mudanças no conceito de marketing

Para se aproximar ainda mais do consumidor, empresa investe em três novos produtos e na reformulação dos nomes e design de suas linhas.

A Coral investe para desmistificar a tinta e se consolidar, ainda mais, como uma marca de consumo. Depois de se aproximar de setores geradores de tendência, criar eventos sensoriais e aprofundar-se no conhecimento de seu público, a empresa lança a linha Decora, voltada para a decoração e o uso de cores. Paralelamente, a Coral irá reformular suas embalagens e os nomes de seus produtos, com o objetivo de ajudar o consumidor no processo de compra, comunicando, claramente, os benefícios e atributos de cada produto por meio de uma linguagem de fácil entendimento e menos técnica.

Os novos produtos, associados à reformulação das embalagens, fazem parte da estratégia para ampliar as vendas em até 20% em todo o Nordeste até o final de 2009. Hoje, a Coral exerce a liderança isolada no segmento de tintas, na região, com um market share de 40%. A expectativa é que esta participação aumente entre 5% e 7%, já com as alterações que estão sendo promovidas. Em Pernambuco, o share alcança 40%. A unidade pernambucana já deu início à produção local da nova linha e todos os 1,9 mil pontos de vendas da Região deverão disponibilizar a linha Decora, até meados de agosto.

Com essa estratégia, nesta primeira fase, a tinta Coralatex passa a se chamar Rende Muito; o Coralplus Super Lavável será Super Lavável, e Toque Sublime muda para Decora Acabamento Acetinado. “As embalagens renovadas trazem no design a personalidade da marca: contemporânea, amigável e moderna. Além disso, a intenção é nos diferenciar alterando a maneira de comunicação com o consumidor e com o mercado”, afirma Eduardo Takara, Diretor de Marketing. As inovações contemplam, ainda, o lançamento das tintas Chega de Mofo, direcionada para o combate ao mofo, e Coral Sol & Chuva, que protege as paredes externas de intempéries. A expectativa é de que as mudanças ampliem a participação da marca no mercado premium e aumente suas vendas, em nível nacional, em 10%.

“Pesquisa realizada pela Coral indicou que a categoria de tintas utiliza uma linguagem muito técnica. Agora, com as alterações, o consumidor poderá escolher facilmente o produto, de acordo com suas necessidades”, diz Takara. O executivo acrescenta, ainda, que as embalagens reformuladas traduzem o novo posicionamento da marca e são atrativas para o público feminino, um dos alvos da Coral. Um estudo feito no ano passado revelou que as mulheres têm papel importante no processo de pintura: 70% das decisões de compra de tinta são encabeçadas pelo público feminino e, cada vez mais, elas levam para casa cores que refletem a identidade e a personalidade dos moradores.

A chegada dos produtos Decora, aliás, está em consonância com a mudança no perfil do consumidor de tinta. A linha, que substitui o produto Coralplus, terá a opção Cores, com seis tons prontos do Colour Futures, e a versão Neutros. “A Coral será a primeira marca de tintas a lançar uma linha com a opção de neutros em cores prontas, que são tonalidades coringas no processo de decoração”, comenta Takara, ao complementar que Decora facilita o processo de escolha e combinação de cores.

Fonte: Fator Brasil - 25/07/08

27 julho 2008

Coca-Cola reavalia estratégia de marketing

A Coca-Cola está reavaliando sua estratégia global de marketing, o que pode levar a uma mudança no seu atual formato de trabalho com as agências, anunciou o Brand Republic. Segundo o site, o CEO Muhtar Kent avisou que irá recorrer mais a campanhas globais e que quer "otimizar o relacionamento com as agências" para reduzir custos.

A redução das despesas com marketing pode ficar entre 400 e 500 milhões de dólares até 2011.

A companhia pretende passar a recorrer ao marketing de relacionamento e investir em alguns mercados específicos para impulsionar o crescimento.

Fontes: Briefing (Portugal) de 24/07/08 e PublicidAd de 25/07/08

Microsoft vai ampliar estratégia de negócios na internet

Segundo Steve Ballmer, a companhia deverá investir entre 1,2 e 1,5 bilhão de dólares para conseguir competir com o Google em tecnologia de buscas e ganhar mercado

A Microsoft ampliará seus investimentos em suas operações online como forma de ganhar participação no crescente mercado de anúncios na internet, revelou o CEO da empresa, Steve Ballmer.

Em uma conferência com analistas na quinta-feira (24/07), o executivo afirmou que a companhia deverá gastar pelo menos 1,2 bilhão de dólares anualmente para competir contra o Google, líder de mercado de serviços de internet. Esses gastos serão relativos a preparar as propriedades de internet da Microsoft para competir com o maior buscador do mundo.

"O Google gasta cerca de 2,5 bilhões de dólares e continua crescendo em pesquisa e desenvolvimento. Você pode tirar suas próprias conclusões, mas eles dizem publicamente que cerca de 70% disso está no âmago das áreas de busca e publicidade. Nós certamente vamos ter que pensar sobre 1,2 a 1,5 bilhão de dólares para ficarmos competitivos e reinventar a área de pesquisa e desenvolvimento. É um grande número", disse.

Apesar dos reveses recentes na estrutura de internet - como as negociações fracassadas pela aquisição do Yahoo por 48 bilhões de dólares e da saída do mais importante executivo de internet, Kevin Johnson -, Ballmer disse que a companhia está no mercado de web para ficar.

Ele também informou que o mercado de mídia e comunicações é avaliado mundialmente em cerca de 1 trilhão de dólares e, portanto, a Microsoft com seu tamanho e força financeira "precisa ir atrás dele". Neste ano, o prejuízo da divisão de serviços online da empresa foi de cerca de 5% do resultado operacional.

“O Google não precisa de marketing. Nós precisamos. Então, vamos ter que gastar para competir e nossas despesas de vendas, particularmente à medida que nós elevamos nossa receita por busca, nossas despesas por vendas estarão alinhadas. Se nossa receita por busca é baixa, nossas despesas de vendas vão parecer relativamente altas”, complementou.

Ballmer também informou que não há mais nada em discussão entre Yahoo e Microsoft. “Yahoo para nós sempre foi uma tática, não uma estratégica”, disse. Segundo ele, a aquisição iria acelerar o crescimento da Microsoft nas buscas e, para isso, as companhias começaram a conversar.

“Nós falamos sobre busca e como poderíamos trabalhar juntos. Existiam várias boas razões para fazer isso, (...) mas não formos capazes de apresentar algo que funcionasse. É uma tática, nós somos disciplinados e nós perdemos”, resumiu.

Além das desgastantes etapas de negociação com o Yahoo e também da perseguição à liderança do Google em web, a Microsoft se debate com o crescimento do modelo de software como serviço, em que o usuário paga uma assinatura mensal para acessar seus programas via internet – e que desafia a venda de licenças, pelo qual a internet enriqueceu.

“Nesse momento em que o navegador de internet é computador, a Microsoft precisa se reinventar É um dos momentos de maior fragilidade pelo qual a empresa já passou”, diz Adam Braunstein, analista sênior da consultoria norte-americana Robert Frances Group.

Fonte: Exame - 25/07/08

São Paulo é invadida por ações de marketing inusitadas

Quem circulou pelas ruas de São Paulo na noite do dia 18/07 pode ter se sentido em uma história em quadrinhos ou em algum desenho animado da TV. Um sinal luminoso em forma de morcego foi projetado em 15 prédios da cidade. Não era o comissário Gordon chamando o Batman para resolver algum problema em Gothan City, mas sim uma nova forma de publicidade com o objetivo de instigar o público a assistir ao novo filme do “homem-morcego”.
A estratégia de divulgação da produção hollywodiana começou muito antes e de maneira sempre inusitada. Há um ano da estréia do filme, sites promoviam gincanas na internet e nas ruas das principais cidades do mundo. Em maio desse ano, uma nota na internet que solicitava a presença de 300 palhaços levou diversos fãs, vestidos como o personagem Coringa, ao vão livre do Masp para procurar pistas sobre a história. O objetivo era encontrar “capangas do Coringa” que estavam distribuindo ingressos para o trailer do filme, exibido em uma sala de cinema perto dali.

Recentemente São Paulo se tornou cenário para esse novo tipo de marketing, muitas vezes chamado de marketing de guerrilha. Em meio ao excesso de informações a que os paulistanos são submetidos diariamente, as agências de publicidade começaram a utilizar métodos não convencionais para divulgar uma empresa ou produto. A princípio, a idéia era usada no exterior por pequenas companhias que não podiam pagar por grandes anúncios na TV, em jornais ou revistas. Hoje, o conceito foi absorvido por grandes corporações que querem abordar o público de uma maneira diferenciada.

Segundo o diretor de criação da JWT (agência responsável pela projeção relacionada ao filme do Batman), Mario D’Andrea, a propaganda disputa a atenção não apenas com outras campanhas, mas também com a vida das pessoas. “Ações que ativem o contato entre consumidor e marca não devem ter hora nem lugar marcado”, avalia.

Para conseguir alguns segundos do dia-a-dia dos consumidores, vale tudo. Na divulgação de um site com conteúdo voltado para o público feminino, durante os meses de junho e julho, 50 motoboys circularam pela cidade com mochilas cor-de-rosa para transmitir a mensagem de solidariedade, otimismo e sensibilidade no trânsito. No início do ano, 200 pessoas foram algemadas nas grades, postes e árvores das avenidas Berrini e Paulista para promover a estréia de uma série de TV policial. Na última maratona de São Paulo, 47 pessoas correram vestindo camisetas com a palavra “bandido” enquanto um corredor usou uma camiseta com a palavra “polícia”. Isso para transmitir dados sobre criminalidade na cidade, referente à mesma série de TV que trata o assunto.

Para o sócio da agência Espalhe, Gustavo Fortes, o objetivo desse tipo de publicidade é que as pessoas vejam coisas diferentes e queiram falar daquilo para a família e os amigos. “É um negócio de boca-a-boca que começa na rua, vai pra internet e depois chega até a impressa”, afirma. Entre as ações pensadas pelos jornalistas, publicitários, blogueiros profissionais e um videomaker de sua agência muitas chegam a ter um toque de performance artística. Entre elas estão a colocação de um bloco de gelo de oito toneladas em uma grande avenida de São Paulo. Para o lançamento de um protetor solar em aerosol com efeito gelado, uma cena de verão com cadeira de praia e guarda-sol e latinhas do produto foi congelada e colocada na rua. A peça foi feita por um artista que usou uma moto serra molda-la e, à medida que o bloco derretia, quem passava na rua podia pegar o produto.

Para divulgar uma nova bebida à base de soja, a agência Power 4 decidiu colocar pessoas dançando na rua. A ação, que pretendia falar de ritmos e estilo de vida, tinha imagens e sons de cenas do cotidiano – como celulares tocando, criança chorando, gente falando – mixadas por artistas e levadas para as ruas. No local que servia de ponto para degustação do produto, 50 dançarinos vestidos como pessoas comuns, tomavam a bebida, ficavam paralisados por 20 segundos (em homenagem a um flash mob que ocorreu no metrô de Londres), executavam uma dança elaborada por um coreógrafo e depois voltavam a andar como se nada tivesse acontecido. Segundo a diretora de planejamento da Power 4, Cláudia Bertoni, mesmo quando as pessoas não entendem a ação, isso prende a atenção delas. “Era isso que a gente queria, prender a atenção”, diz.

Fonte: Época São Paulo - julho de 2008

21 julho 2008

Reposicionada, Colcci celebra estratégia de Marketing bem sucedida

(Thiago Terra)

Há vinte e dois anos a história da moda no Brasil começou a mudar. No sul do país, em Santa Catarina, nascia uma das marcas nacionais mais importantes para a moda brasileira nos últimos anos. Em 1986 a Colcci entrou na passarela sem muito brilho e glamour, é verdade. Naquela época a marca tinha sua fábrica de fundo de quintal e seus produtos eram baseados em malharia e moleton.

Em 1999 a Colcci foi comprada pelo atual grupo gestor, AMC Têxtil, após passar por um período de crise. Um ano depois da aquisição da marca o grupo investiu em estrutura, ponto-de-venda e nos clientes. Desde então a empresa cresce e hoje está entre as principais do país no exterior, com presença em mais de 30 países. A Colcci começou a ganhar espaço e valor no mercado da moda a partir do momento em que teve o seu produto definido e acabado, sem falar da chegada às passarelas do Brasil e do mundo com ninguém menos do que Gisele Bündchen.

Ao detectar a carência de opções de moda para o público jovem, a Colcci investiu neste ramo e hoje é referência para novos e antigos consumidores. Independentemente do fator Gisele - que tem papel importante na reestruturação da empresa –, a Colcci já vinha trabalhando na expansão da marca no mundo através de desfiles com Paris Hilton, herdeira da rede de hotéis Hilton, e Liz Jegger, filha de Mick Jagger, vocalista da banda de rock Rolling Stones.

Antes de Gisele, o Marketing entra na passarela
As primeiras ações de Marketing da Colcci tinham foco em ramificar a marca. A meta era dividir as ações com o objetivo de atingir o maior número possível de consumidores. Para se comunicar, a Colcci se preocupava em passar o conceito de uma coleção de moda. Os primeiros investimentos da marca foram feitos de forma padrão, com anúncios em revistas especializadas em moda.

Pouco tempo depois a Colcci chegou à TV com foco no público jovem. Para atingir este tipo de consumidor a marca investiu em TV fechada, através do canal MTV que tem grande aceitação pelos jovens. “Além da MTV trabalhamos muito com a web, catálogos, PDV e mala direta. Usamos também ferramentas e ações baseadas no ponto-de-venda”, explica Daniel Mafra, relações-públicas da Colcci.

Em 2003 a marca começou a aparecer com freqüência em desfiles de moda, principalmente no Fashion Rio daquele ano. Na época a Colcci apostou em desfiles com celebridades e para isso contratou Paris Hilton e Mick Jagger apenas para participar dos desfiles. “Usamos uma estratégia de imagem nos desfiles e decidimos que a marca precisava ter uma celebridade para atrair o público masculino e feminino. Pensamos em celebridades que são objeto de desejo e que o público não tivesse nada contra, que não gerasse mídia espontânea negativa”, aponta Mafra em entrevista ao Mundo do Marketing.

Fase de reformulações e investimento em estrutura
A Colcci passou por um período de dificuldades e crise em 1999, quando foi comprada pela AMC Têxtil. Desde então os consumidores passaram a ter contato com os produtos da marca em lojas multimarcas. Esta estratégia ampliou o mercado consumidor de Colcci.

Há dois anos a Colcci passou por um novo processo de reestruturação focada em atingir e atender consumidores mais exigentes e de maior poder aquisitivo. Com o reposicionamento, a maioria dos pontos-de-venda recebeu investimento enquanto outros foram desativados por não se adaptar ao novo estilo da marca.

A estratégia de expansão englobou estrutura e comunicação. Prova disso é que a fábrica da Colcci ocupa 12.000 m2 e tem cerca de 1500 colaboradores. “Houve uma retomada com reformulação em toda a fábrica. O investimento foi direcionado à estrutura da empresa e em Marketing através de estrelas pop para campanha e mais anúncios”, conta o relações públicas da Colcci.

Cuidados e efeitos
Assim como em qualquer segmento, uma reestruturação acarreta em cuidados para não desfazer a imagem da marca perante os consumidores fiéis. Normalmente uma empresa reposicionada corre o risco de entregar um produto diferente ao que o consumidor está acostumado. Na aquisição da Colcci, a marca já passava por um processo de mudança. “Continuamos o trabalho só que com um visual um pouco mais fashion e investimos na semana de moda, que é muito importante para uma marca de moda do ponto de vista nacional”, diz Mafra.

Falar em Semana de moda e Colcci leva qualquer consumidor - ou conhecedor do ramo da moda - a pensar em Gisele Bündchen. A modelo brasileira teve importância fundamental no processo de comunicação da marca, gerando penetração no mercado mundial e agregando valores por ser uma marca brasileira. “A Gisele é um bom cartão de visitas por ser “Brasil” e não é qualquer marca que pode pagar por ela. Isto significa para o mercado que a Colcci é uma empresa que tem estabilidade financeira”, ressalta Mafra.

Números da moda
A melhor forma de mostrar o crescimento da Colcci é através dos números. A marca está espalhada pelo mundo e pode ser encontrada em 1.650 lojas multimarcas e nove franquias internacionais. As franquias foram usadas como forma de expandir a empresa antes mesmo da compra da marca pelo grupo AMC Têxtil. No Brasil, a Colcci tem 102 franquias e pode ser encontrada em cerca de 1.500 lojas multimarcas.

Bem estabelecida no Brasil, a Colcci está trabalhando no desenvolvimento de outras franquias e, pelo visto, a empresa não pretende esperar a hora do desfile para encantar o consumidor. “O faturamento vai muito bem e o nosso trabalho internacional também. Temos uma nova sede nos Estados Unidos e entrar no mercado americano é o foco da Colcci este ano”, afirma Daniel Mafra, Relações Públicas da Colcci, que completa: “Além de vender roupa, a Colcci vende moda”.

Fonte: Mundo do Marketing - 18/07/08

Tecnologia para interação com clientes: mídia social em um banco centenário

O Wells Fargo e sua marca registrada estão sendo cada vez mais bem aceitos. O banco norte-americano pode representar o Velho Oeste e a História, mas a abordagem sobre nova tecnologia e sobre mídia social da empresa, já no alto de seus 156 anos, se baseia na interação inovadora com o cliente.

Tim Collins, Vice-Presidente Sênior de Marketing Experimental do Wells Fargo, diz que o banco nunca temeu as "aventuras" propiciadas pela nova tecnologia, e que presenciou um sucesso tangível decorrente de seus experimentos online.

Ele supervisiona os quatro blogs da empresa, um mundo virtual chamado Stagecoach Island (Ilha da Carruagem, em português), e o YouTube, seu canal de vídeo. Ele também está planejando expandir a presença da empresa em sites como o Facebook e o MySpace.

Tim diz que o Wells Fargo, que foi um dos primeiros bancos a oferecer o atendimento bancário online, está sempre tentando "estar onde seus clientes estão" e, como ele mesmo afirma, está surpreso por mais empresas prestadoras de serviços financeiros não terem adotado a mídia social. Recentemente, ele esteve presente em um 1to1 no Run podcast para conversar sobre o que ele aprendeu das experiências de mídia social adotadas pelo Wells Fargo. Segue um excerto.

Por qual motivo você decidiu adotar uma estratégia de mídia social, lançando o Stagecoach Island em 2005 e os blogs em 2006?

Acreditamos que a mídia social é um ótimo meio de se ter uma conversa franca com nossos clientes e com nossas comunidades. Podemos ajudar a educar, e ainda conseguimos ter um feedback, o que nos leva a acreditar que a adoção deste tipo de mídia é uma excelente oportunidade. Instituições que oferecem serviços financeiros não são consideradas acolhedoras, tampouco bagunçadas.

A mídia social e a oportunidade de diálogo que sua adoção estimula realmente ajudam a fazer com que se possa lidar melhor com os serviços financeiros.

Este tipo de mídia não é voltado para o mercado de massa. Ele realmente é focado nas comunidades interessadas. Muitos produtos oferecidos pelos serviços financeiros e muitos dos próprios serviços se baseiam justamente nestas comunidades interessadas, o que leva a crer que isto seja algo realmente interessante. Não é a abordagem mais comum que você encontra sendo adotada pelos publicitários tradicionais.

Para a maioria das empresas, ainda existe um pouco de medo da mídia social, uma vez que ela implica em um fórum completamente aberto, regido por poucas regras a que as empresas possam se agarrar. Em alguns casos, elas ficam paralisadas pelo simples pensamento de entrarem neste espaço.

"Percebemos que havia muito mais recompensas do que riscos. E começamos em um ponto bastante seguro. Lançamos o Stagecoach Island, que, realmente, diz respeito à educação financeira, e ela é algo central à nossa marca. Inauguramos nosso blog com o artigo "Guiado pela História", que discute a história que cerca o Wells Fargo e o Oeste dos Estados Unidos. Não estávamos falando sobre produtos e sobre serviços sólidos, e isto era confortante a muitas das pessoas de nossa organização. Desta forma, conseguimos ganhar alguma experiência em um assunto relativamente seguro antes de adentrarmos outros assuntos mais complexos, que eram realmente relacionados com nossa linha de negócios."

Você tem conseguido medir ou encontrar as origens dos resultados tangíveis de suas iniciativas de mídia social?

Já tivemos resultados bastante positivos de todas nossas iniciativas. Por exemplo, em nosso blog sobre empréstimos aos estudantes, o Student LoanDown, tivemos um comentário de uma mãe que estava tendo problemas porque sua filha tinha atingido o limite de empréstimo estudantil. Ela perguntou se poderíamos ajudar. Conseguimos contatar aquela escola em particular e oferecemos a ela uma diretriz baseada em nossa experiência com outras escolas, o que a levou a elevar o limite de crédito daquela estudante.

Uma vez que a escola obteve tanto valor por nossa causa, fomos adicionados a sua listagem de fornecedores de empréstimos preferidos. Este foi, para nós, um resultado comercial muito positivo. Também recebemos um feedback daquela mãe, que postou um comentário bastante positivo em nosso blog, dizendo que ela havia transferido todas as finanças da filha para o Wells Fargo em decorrência da experiência. Isto foi positivo para todos.

Que conselho você pode dar aos profissionais de marketing quando se trata de embarcar em uma estratégia de mídia social?

Em primeiro lugar, você precisa pensar em sua empresa e em quais são seus objetivos. Você precisa fazer o que faz sentido para sua empresa ou para sua linha de negócios. Mas você também precisa adequar seus objetivos com o que a comunidade quer.

Comunidades de mídia social têm sua própria cultura. Você precisa aprender sobre ela e respeitá-la, porque, se você não o fizer, você vai falhar.

Em segundo, seja transparente. Usuários de mídias sociais esperam certo nível de transparência. Isto não significa que você não pode ter regulamentos rígidos sobre o que se pode falar e o que não se pode.

Mas, se você opta por falar sobre um assunto, você precisa perceber que você tem que ser transparente, o que significa que você vai ter que postar também um comentário negativo que ocasionalmente receba.

Outro fator fundamental é o desejo de aprender com os próprios erros. Errar não é algo ruim, e a comunidade vai respeitar francamente se você errar e admitir tal erro.
Você ganha muito mais credibilidade como marca se fizer isto.

Por último, se você está pensando em entrar no espaço das mídias sociais, comece de uma maneira bem contida. Uma vez que você testou, aprendeu seu caminho e iniciou todos seus processos e diretrizes em um ponto seguro, então vai poder dar continuidade ao processo.

Fonte: Administradores - 21/07/08

Marketing da parceria em alta

Empresas percebem a importância de unir estratégias diferenciadas para atrair clientes e aumentar as vendas

O marketing é composto de várias facetas e o mercado se utiliza das suas mais diversas ferramentas para atingir seu objetivo. Uma delas é a parceria. Empresas de segmentos afins se unem para mostrar seu produto, agregando resultados quase que imediatos. A Ouvidor Interiores, aproveitando o aquecido mercado imobiliário, firmou parceria com algumas das maiores construtoras da região — Inpar/Gafisa, Marte, Diagonal, Colméia, Cipesa, Taíba Beach Invest, Moura Dubeaux, Carneiro de Melo e Marquise.

Os empreendimentos acabam servindo de “vitrines” para divulgar as peças da loja. “Essa é uma estratégia que utilizamos para difundir nossa marca e aumentar as vendas”, afirma Alexandre Jereissati, proprietário da Ouvidor. A loja fornece às construtoras artigos com preços especiais visando a boa divulgação. Além dos móveis e objetos de decoração, a Ouvidor também oferece tecidos para a confecção de cortinas para empreendimentos no Ceará e Rio Grande do Norte.

Empresários de áreas aparentemente distantes identificam na parceria uma boa oportunidade de negócio. É o caso da Denaná, que fechou acordo com o restaurante Lá na Roça. O “redário” do Lá na Roça, uma das atrações do restaurante, famoso por sua culinária e ambientação tipicamente regionais, apresenta agora redes da marca Denaná, produzida pela Ramalho. Após o almoço, os clientes têm disponível para a saudável “sesta”, onze redes distribuídas pelo salão. Segundo Emílio Ramalho, diretor da Ramalho Têxtil, o “redário” reforça a valorização da cultura cearense, indo ao encontro do perfil da indústria de difundir e preservar a tradição da rede de descanso pelo mundo afora.

Outro exemplo é a Santana Textiles que fecha parcerias para divulgar os seus tecidos. Um exemplo bem recente foi a Loco Serious Denim, linha premium da empresa, que patrocinou a grife Animale, no São Paulo Fashion Week, um dos desfiles mais comentados do evento.

“Consideramos esta ação importante para a consolidação do denim, pois os estilistas têm toda a liberdade de utilizá-lo em suas criações”, afirma Larissa Feitosa, coordenadora de marketing. Isso permite que tanto o cliente como o consumidor do jeans identifiquem a gama de possibilidade que o tecido apresenta.

Fonte: Diário do Nordeste - 21/07/08

BIC francesa entra no mercado de celulares

A BIC lançou um celular. Numa parceria com a Orange, a marca lançou na França o BIC Phone, um celular que se concentra apenas nas suas funções básicas: enviar e receber chamadas e SMS (mensagens curtas de texto).

Mantendo a estratégia de simplicidade e baixos preços da marca, o celular da BIC será vendido em tabacarias, papelarias, estações de trem e aeroportos franceses, a partir de setembro, a 49 euros.

Fonte: Briefing (Portugal)- 18/07/08

Na sombra da gigante, Schin aposta no charme artesanal

(Renato Andrade)

Que tal tomar uma cerveja artesanal, produzida em uma pequena fábrica em Campos do Jordão, em um restaurante no Nordeste do país?

A Schincariol trabalha para que isso se torne realidade, com uma estratégia no mínimo arriscada: popularizar o consumo das cervejas especiais sem transformá-las em bebida comum.

Detentora da segunda posição no mercado de cervejas do Brasil, amplamente dominado pela gigante AmBev, a Schincariol comprou no último um ano e meio as principais microcervejarias do país, dedicadas à produção das chamadas cervejas especiais ou premium.

A compra da paulista Baden Baden, da carioca Devassa e da catarinense Eisenbahn garantiu ao grupo um leque amplo de cervejas, seja por tipo ou por valor. E é com esse mix que a empresa pretende aumentar a venda de cervejas especiais, fixando-se como o principal grupo nesse segmento e garantindo, por tabela, um aumento da receita.

As cervejas premium ainda respondem por uma parcela marginal do mercado de cervejas do país, que no ano passado vendeu cerca de 7 milhões de litros, de acordo com levantamento feito pela empresa de pesquisa Nielsen.

Mas o que é pequeno hoje, cerca de 2 por cento do total, é encarado como um incentivo, diante das possibilidades de crescimento sustentado por uma melhora na renda do consumidor.

"Como o mercado ainda é pequeno, tem muito a ser desenvolvido", afirmou Juliano Mendes, gerente do grupo de cervejas especiais do grupo Schincariol, em entrevista à Reuters.

Para o executivo, ex-dono da Eisenbahn, o segmento tem potencial para crescer a taxas robustas por um longo período. "Ainda vamos conseguir crescer por alguns anos, pelo menos uns cinco, a taxas acima de 50 por cento", disse.

GRANDE COM CHARME DE PEQUENO

O movimento de aquisição de pequenas cervejarias por grandes grupos não é novidade. Mas o que a Schincariol considera como inovador é o respeito à tradição na produção das cervejas artesanais.

Em vez de fechar fábricas, transferir a produção para unidades de maior escala e alterar a receita do produto, a opção adotada foi oposta.

"A Schincariol está fazendo exatamente o contrário. Está mantendo totalmente a identidade de cada marca, a fábrica, as receitas, as pessoas", disse Mendes.

"Queremos manter essa essência, mas conseguir dar mais exposição, tentar levar para mais pessoas através de distribuição, de uma rede de comercialização maior, através de mais ações de divulgação da marca, coisas que são muito difíceis para essas cervejarias enquanto independentes."

Reconhecida como uma produtora de cerveja popular, a Schincariol enfrenta outro desafio: convencer os clientes que suas cervejas especiais não serão "comuns" com preços mais salgados.

Para Eduardo Tomiya, especialista em gestão de marcas, a solução é relativamente simples. "A questão é saber se ela quer capitalizar só na marca Schincariol ou se quer, no fundo, ser uma gestora de marcas, como uma Unilever ."

Segundo Tomiya, o consumidor não está preocupado em saber quem é o dono do produto que ele consome. A atenção estaria voltada para a chamada proposta de valor da mercadoria.

"Se eles começarem a mudar o sabor da cerveja, para transformá-la em algo mais popular e ter mais escala, aí sim podem ter um risco, mas eu estou entendendo que o modelo de negócio deles é de gestão de marcas", disse.

Segundo Mendes, da Schincariol, essa desconfiança foi forte quando a empresa anunciou a compra da Baden Baden, em janeiro de 2007. Com a Devassa, em agosto passado, a dúvida dos consumidores foi menor. Em maio deste ano, com o anúncio da Eisenbahn, o efeito foi oposto.

"Mesmo observando alguns casos, como no Orkut, onde pessoas disseram que nunca mais iam botar Eisenbahn na boca, o que aconteceu depois da compra? As vendas cresceram", disse.

As vendas da cerveja catarinense subiam 25 por cento ao mês e passaram para 35 por cento logo após o anúncio do negócio.

A AmBev domina o mercado de cervejas no país com as mais tradicionais marcas do tipo pilsen: Bohemia, Brahma, Skol e Antarctica. No segmento de especiais, as marcas mais importantes do grupo são as Bohemias Confraria (tipo Abadia), Escura (tipo Schwarzbier) e Weiss (tipo Weiss Bier).

Fonte: O Globo - 18/07/08

15 julho 2008

Na esteira do Google - como defender sua reputação online

Surgem as primeiras agências brasileiras especializadas em defender a reputação das empresas na internet - um problema que atinge negócios de todo o planeta

(Paula Barcellos)

Apesar de uma sólida carreira como colunista do diário inglês The Guardian, o jornalista americano Jeff Jarvis não figurava, até o ano passado, na constelação de estrelas da internet. Criador de um blog chamado Buzz Machine, Jarvis usava o espaço para escrever sobre mídia online e comentar sobre o futuro do jornalismo. Era mais um em meio a tantos outros. A situação começou a mudar quando ele comprou um laptop da Dell, uma das mais respeitadas fabricantes de computadores do mundo. Como a máquina veio com defeito e a companhia não resolvia o tal problema, Jarvis resolveu partilhar seu infortúnio na internet. Irônico, apelidou o caso de “Dell Hell” (Dell Inferno) e, a partir daí, o alcance de seu blog e a reputação da empresa sofreram drásticas transformações. Até o segundo semestre do ano passado, quando alguém digitava o nome da Dell no Google, apareciam mais de 5 milhões de resultados relacionados à expressão “Dell Hell” — quase todos escritos por consumidores irados com a empresa. Para Jarvis, o que começou como uma tremenda dor de cabeça se transformou em uma janela para o estrelato. Para a Dell, foi uma lição tão dolorosa que, num recente encontro da Word of Mouth Marketing Association, nos Estados Unidos, o vice-presidente da companhia, Bob Pearson, disparou: “O Google hoje é a nossa mais importante home page”.

O drama vivido pela Dell está longe de ser um caso isolado. Empresas de todos os portes têm enfrentado situações semelhantes na internet — e os grandes responsáveis por essa ameaça, ainda que sem nenhuma intenção, são exatamente os sites de busca. Ao mesmo tempo que eles ampliam a visibilidade das empresas, dando oportunidade para que o internauta conheça mais sobre a companhia e eventualmente até compre seus produtos, também expõem as corporações a uma enxurrada de críticas, vindas de blogs e grupos de discussão, que podem provocar danos graves à reputação. Por causa desse efeito colateral, vem ganhando espaço um novo tipo de agência de publicidade: aquela que procura auxiliar as empresas a lidar com o lado negro do Google e de seus congêneres. Nos Estados Unidos, essa atividade, conhecida como searching engine optimization (SEO), está rapidamente se incorporando às estratégias de comunicação de muitas companhias — nos últimos 12 meses, as agências que se dedicam a esse mercado faturaram cerca de 8 bilhões de dólares. E a Dell, claro, tornou-se uma cliente. No Brasil, o sistema ainda é pouco conhecido, mas empresas como GM, banco Real, Cyrela, Motorola e SulAmérica já adotaram a novidade. “Se o consumidor migra para o digital, temos de acompanhá-lo não só na hora da compra mas em todo o processo”, diz Samuel Russel, diretor de marketing da GM.

O poder de um clique
Características do SEO, um produto desenvolvido pelas agências de marketing digital para melhorar a imagem das empresas no Google

O que é
O serviço, chamado de search engine optimization (SEO), faz com que as empresas tenham maior controle sobre a maneira como aparecerão no site de buscas Google

Como funciona
O primeiro passo é avaliar a imagem do cliente na internet, vasculhando de blogs a grupos de discussão. Depois, elabora-se uma estratégia, que pode ser a reformulação do site ou a geração de notícias, para reverter os casos mais negativos

Principais empresas que adotam o sistema no Brasil
GM, banco Real, Intel, Motorola, Dell e SulAmérica

Tamanho do mercado nos Estados Unidos
Cerca de 8 bilhões de dólares

Fonte: IAB/ Omniture

Em linhas gerais, o serviço oferecido por essas agências é uma espécie de vacina contra os males proporcionados pelo excesso de visibilidade na internet. Elas começam fazendo uma varredura de tudo o que é publicado sobre a empresa-cliente na rede. Identificados os problemas, como blogs ácidos ou grupos de discussão com críticas à companhia, parte-se para a reação: uma campanha de inteligência em que as agências digitais veiculam fatos positivos e que possam ser indexados pelos sites de busca. Além disso, elas mexem na home page da empresa de forma que as palavras mais digitadas pelos internautas remetam à página da companhia e evitem, ao máximo, os blogs mais críticos. Um trabalho desse nível, que implica geração de fatos e conteúdo para enfatizar a integridade da empresa, custa em torno de 100.000 reais por mês, preço relativamente baixo levando-se em consideração os resultados prometidos. “Depois das mudanças, os sites das empresas chegam a receber até 20% a mais de acessos. Tudo isso num período de, no máximo, seis meses”, diz Marcelo Sant’lago, diretor de novos negócios da Mídia Click, agência brasileira que tem entre seus clientes companhias como Motorola e Cyrela.

Agências como a Mídia Click e todo esse mercado devem sua existência, em larga medida, ao fenômeno Google. Quando alguém procura informações sobre um assunto na internet, em geral recorre ao site criado por Sergey Brin e Larry Page. Estima-se que uma em cada seis pessoas no planeta faça isso diariamente, o que dá a incrível marca de 1 bilhão de usuários. Só nos Estados Unidos, e apenas no mês de maio, foram nada menos que 94 milhões de internautas diferentes acessando o site da empresa — cerca de um em cada três americanos. Embalado por esses números, o Google tornou-se também um modelo inovador de publicidade, possibilitando às empresas que elas apareçam, por meio de links patrocinados, no exato momento em que o consumidor vasculha a internet em busca de informações que tenham a ver com os produtos ou os serviços oferecidos pelas companhias. O que ninguém controlava, pelo menos até recentemente, era como a imagem corporativa apareceria nos resultados da busca. A partir de casos como o da Dell, surgiu a oportunidade para um novo nicho, que, por sinal, tem sido visto com entusiasmo pelo Google. “Para nós, o clique só é positivo quando é bom para o cliente”, diz Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google no Brasil. Infelizmente, para muitas empresas, isso não acontece sempre. Ainda hoje, quando se digita a expressão “Dell Hell” no Google, aparecem cerca de 400 000 resultados.

Fonte: Revista Exame - 10/07/08

14 julho 2008

InBev compra fabricante da Budweiser por US$ 52 bi e torna-se líder global

A cervejaria belgo-brasileira InBev comprou a rival americana Anheuser-Busch (dona da marca Budweiser) por US$ 52 bilhões (US$ 70 por ação). A nova companhia irá se chamar Anheuser-Busch InBev e a proposta foi aprovada por unanimidade pelas diretorias das duas empresas, segundo comunicado conjunto de ambas divulgado nesta segunda-feira.

A empresa resultante da combinação de ambas deve criar uma das cinco principais empresas de bens de consumo mundiais e a principal do setor de cervejarias. Com base nos dados de 2007, a produção combinada de ambas teria chegado a 460 milhões de hectolitros, receita de US$ 36,4 bilhões e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) de US$ 10,7 bilhões.

O executivo-chefe da InBev, Carlos Brito, será o executivo-chefe da nova empresa e a diretoria será composta pelos atuais diretores da InBev, pelo presidente e executivo-chefe da Anheuser-Busch, August Busch 4º e um outro membro da diretoria da empresa americana.

"Estamos muito satisfeitos de anunciar essa transação histórica", disse Brito. "Essa combinação vai criar uma companhia global muito mais forte e competitiva, com um catálogo de produtos com grande potencial de crescer no mundo todo."

August Busch disse que o negócio representa novas oportunidades para a empresa. "Esse acordo oferece valor adicional para os acionistas da Anheuser-Busch ao mesmo tempo em que amplia o acesso ao mercado global para a Budweiser", disse.

O negócio ocorreu depois de a InBev ter concordado em elevar o valor a ser pago pela empresa americana; na sexta-feira, a InBev aumentou a oferta de US$ 46,3 bilhões para US$ 50 bilhões.

Ofensiva

No final de junho, a fabricante da Budweiser rejeitou a oferta da InBev por considerá-la "inadequada e em desacordo com os interesses dos acionistas". "A proposta da InBev subestima significativamente os ativos excepcionais e as perspectivas de nosso grupo", disse Patrick Stokes, presidente do conselho administrativo da Anheuser-Busch.

O executivo-chefe da InBev, Carlos Brito, disse que considera o valor oferecido por ação o preço justo e afirmou que o financiamento da oferta está assegurado. "Nossa oferta apresenta certeza em um contexto de enfraquecimento da bolsa", afirmou.

A Inbev fez a oferta à direção de Anheuser-Busch em 11 do mês passado, para formar a maior cervejaria do planeta, reiterando-a em 16 de junho, advertindo posteriormente a Anheuser-Busch contra uma aliança defensiva da cervejaria americana com o mexicano Grupo Modelo.

"A proposta da InBev se apóia em uma firme trajetória de expansão internacional, assim como em um crescimento e rentabilidade consistente", acrescentou o principal responsável da cervejaria. A fusão criará uma companhia "mais forte, mais competitiva no mercado mundial, com uma pasta de marcas imbatível e uma boa rede de distribuição", ressaltou Brito.

Fonte: Folha Online - 14/07/08

13 julho 2008

Nova lei obriga grandes empresas a contabilizarem marcas

(Guilherme Neto)

A publicação de balanços patrimoniais e da avaliação econômica de marcas de empresas de grande porte de capital fechado passou a ser obrigatória a partir deste ano. Ou não. A polêmica surgiu com a aprovação da lei nº 11.638/07, de 28 de dezembro de 2007, que altera e revoga dispositivos da chamada “Lei das S.A.”, de 1976.

A nova lei cria um subgrupo nos ativos permanentes: os intangíveis. A partir de agora, não apenas as marcas, mas também patentes, softwares e direitos autorais, entre outros bens não-físicos, ganham um espaço exclusivo e obrigatório na publicação.

Até então, nenhuma regra especificava esses ativos, que eram colocados em espaços aleatórios, geralmente como ativos imobilizados, ou, em muitos casos, não eram sequer divulgados.

Nova lei obrigaria a atualização do valor da marca
A regra é aplicada para empresas de capital aberto e companhias de capital fechado com ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões. Para alguns advogados, porém, a falta do simples verbo “publicar” no texto da nova lei isentaria as grandes empresas de publicar o balanço e a avaliação de marca.

Há quem comemore, já que a nova lei supostamente obrigaria uma atualização anual do valor da marca na publicação e no seu patrimônio. Até o ano passado, o valor declarado deveria ser o da época de registro da marca no Instituo Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Valor este que, com o tempo, provavelmente não corresponde à situação atual da marca.

“A atualização no valor da marca acontece só no caso de empresas que adquirirem marcas de terceiros, já que a compra terá ocorrido segundo o valor de mercado”, conta Ivo Viana, consultor de impostos da IOB, empresa que presta serviços de consultoria jurídica e contábil. Segundo ele, as companhias que hoje já têm marcas registradas no balanço devem apenas usar os intangíveis separadamente, sem causar qualquer reflexo no patrimônio.

Publicação revelaria dados corporativos sigilosos
Para muitas empresas, porém, a publicação dessas informações revela dados sigilosos que seus executivos não gostariam de vir a público. Para Rudinei Modezejewski, sócio da consultoria de marcas E-Marcas, “Os auditores são a favor da publicação porque isso vai gerar uma demanda de trabalho que eles já estão acostumados a fazer. A avaliação de marcas, porém, não é bem vista, já que traz à tona algo com o qual eles não estão acostumados, um trabalho muito subjetivo, sem parâmetros definidos”, comenta.

A falta de um modelo único não dificultaria o trabalho de fiscalização do governo, já que uma avaliação para ser contabilmente aceita tem que atribuir critérios bem objetivos que comprovem a origem daquele valor.

“Para isso, tem que ser feito por uma consultoria com registro no conselho regional de economia, assim como os próprios consultores. Mas não existe nenhuma lei que delimite um parâmetro oficial”, explica Cecília Manara, advogada da Manara & Associados, escritório especializado em Propriedade Intelectual.

Atualização de ativo intangível incidiria só em caso de venda
A atualização do valor econômico dos ativos intangíveis só incidirá em impostos em caso de venda. “O valor da marca só geraria tributo a partir da sua realização. Nesse caso, seria só na sua venda, mesmo porque o valor da marca já pagou imposto, já que está embutido no faturamento”, afirma Modezejewski.

Obrigatória ou não, a nova lei põe de volta na mesa de discussão o papel dos ativos intangíveis, em especial a marca, no patrimônio das empresas e como importante ferramenta de Marketing. “A partir dela há como estabelecer uma estratégia mais bem definida. Quando licencia-se uma marca, por exemplo, o estabelecimento de royalty fica mais fácil e verdadeiro a partir do valor da marca”, conta Manara.

Além desse motivo, a transparência obtida com a publicação e a atualização constante dos dados intangíveis traria vantagens comerciais. “A marca bem avaliada e contabilizada pode servir como garantia para uma operação de leasing, de financiamento, empréstimo bancário, joint-venture com empresas do exterior ou transações internacionais, por exemplo”, comenta o sócio da E-Marcas.

Fonte: Mundo do Marketing - 11/07/08

10 julho 2008

Comportamento do consumidor de baixa renda

Estudos sobre a maneira como as classes de menor renda gastam seu dinheiro sugerem que as empresas terão de identificar melhor seus novos clientes: são grandes as diferenças de comportamento dentro das classes C, D e E.

Desejos de consumo todo mundo tem, mas a distância entre a vitrine e o caixa da loja, cada consumidor percorre de um jeito.

"Por impulso, não tem jeito!”, diz Nathália Silva, balconista.

"Eu só compro o que precisa!", fala Mário José do Carmo, industriário.

"A marca assim, também é essencial, assim, porque dependendo da marca veste bem a roupa", afirma Tiago Ferreira, auxiliar técnico.

Uma pesquisa sobre os hábitos de consumo dos brasileiros, com renda familiar de até mil reais por mês, mostrou como eles gastam o pouco dinheiro que têm.

Pouco em cada bolso, porque juntos eles somam 86% da população, 160 milhões de pessoas que movimentam mais de R$ 300 bilhões por ano.

É um mercado que interessante qualquer empresa, mas segundo o estudo, ainda pouco conhecido dos estrategistas de vendas.

Normalmente, essa imensa quantidade de compradores em potencial é tratada como "consumidores de baixa renda", como se formassem uma massa uniforme. A pesquisa mostrou que é preciso olhar com mais atenção.

O estudo dividiu os consumidores de baixa renda em cinco grupos.

O primeiro é o dos gastadores. Eles dão valor a marcas e são os mais propensos ao consumo.

Os precavidos têm mais cuidado com o dinheiro. Na hora da compra, usam mais a razão do que a emoção.

O terceiro grupo é o dos endividados. Loucos por crediário que, mesmo com dívidas, estão prontos para novas compras.

Os austeros têm renda parecida com a dos endividados, mas, mantêm as contas em dia, eles não pagam a mais pela marca de um produto.

E os miseráveis que compram muito pouco, por falta de acesso a crédito.

Para o coordenador da pesquisa, conhecer as diferenças destes consumidores e se adaptar a elas pode ser a chave do sucesso de vendas. “É a lição de casa que toda empresa devia fazer antes de ir ao mercado. Você pode fazer pequenos ajustes na sua estratégia e atingir um mercado muito maior do que provavelmente a empresa atinge hoje”, afirma Luis Minoru Shibata, diretor da Ipsus.

Fonte: Jornal da Globo - 09/07/08

09 julho 2008

Filme de cinema usa a internet para se promover

Filme "Nome Próprio" terá pré-estréia para usuários do MySpace

Os usuários do site MySpace ganharão uma pré-estréia exclusiva do filme "Nome Próprio", de Murilo Salles, no domingo (dia 13).

A exibição gratuita contará com a presença do diretor, da atriz Leandra Leal e da escritora Clarah Averbuck, cujos textos e blogs serviram de inspiração para a produção.

A pré-estréia será no dia 13 de julho. A cidade e o local dessa sessão exclusiva foram anunciados no dia 8, no perfil do filme dentro do MySpace.

"Nome Próprio" é uma livre adaptação cinematográfica dos livros "Máquina de Pinball" e "Vida de Gato", de Clarah Averbuck, e de seus textos publicados na internet, no site e no seu blog pessoal. O longa-metragem estréia dia 18 de julho nos cinemas.

A pré-estréia exclusiva faz parte de uma série de ações do filme no MySpace. Vídeos exclusivos, teasers e cenas que não entraram no longa-metragem já estão disponíveis na rede.

Fonte: Folha de S. Paulo - 07/07/08

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O filme usou vários recursos da internet de forma coordenada, como um site próprio, um blog, teve um concurso de trailers para o público, perfil nas redes sociais Orkut, MySpace, Facebook, no site de microblogging Twitter, no site de vídeos YouTube, no Fotolog e no site de compartilhamento de fotos Flickr.

07 julho 2008

Varejo não conhece a classe média alta

Estudo mostra que o segmento não tem os desejos e aspirações atendidos

Embora represente apenas 4% do total da população brasileira, a classe média alta, que detém uma parcela significativa da renda total do país (23%), ainda não dispõe de uma opção de varejo que a satisfaça. Espremida entre o poder de compra crescente da classe média (B/C) e a classe AA, esse consumidor busca um modelo de varejo "inteligente", que equilibre diferenciação e atendimento personalizado, pagando um preço justo por isso. Essa é a conclusão do estudo "Em busca de um modelo de varejo para a classe média alta", da TNS InterScience, realizado em maio, na cidade de São Paulo.

De acordo com Elizabeth Salmeirão, diretora de Retail & Shopper Insights da TNS InterScience, o desafio do varejo é oferecer produtos e serviços diferenciados a essas pessoas. "Tem que entregar o que elas aspiram e o que cabe no seu bolso", completa. De acordo com o levantamento, o consumidor de classe média alta pertence às classes A2 (76%) e A1 (24%), tem aproximadamente 36 anos e renda média familiar de R$ 8,3 mil. A amostra é igualmente representada por casados e solteiros economicamente ativos que trabalham fora (72%) em período integral. Quase a totalidade (88%) viaja a cada seis meses para o Brasil (90%) e para exterior (15%).

A distribuição dos gastos da classe média alta é bem diferente das populares, que concentram seus gastos em moradia (32%) e alimentação (27%). "Como o peso dos gastos com moradia e alimentação é menor, a distribuição é mais equilibrada, ou seja, gastam mais com vestuário, lazer, educação e viagens", analisa a especialista.

Menos vulnerável ao momento econômico do país e, portanto, com menor risco de endividamento a médio e longo prazo, a classe média alta apresenta menor índice de inadimplência (19%) em comparação às classes mais baixas (42%) e tem hábitos regulares de compra, o que significa, para o comércio, a garantia de vendas mais freqüentes.

Poder de compra - Igualmente diferente é a percepção atual da classe média alta sobre seu poder aquisitivo. "O padrão de consumo mudou. Se, por um lado, esse segmento se considera mais pobre que há vinte, trinta anos, por outro reconhece que tem, atualmente, mais opções de consumo e necessita de produtos que não existiam no passado, como celular, tevê por assinatura, internet, eletroeletrônicos e automóveis", constata.

O maior dilema, entretanto, é a sensação de "achatamento". Espremida entre a classe AA, seu aspiracional, e as classes B/C, que agora consomem mais e têm hábitos mais próximos aos seus, a classe média alta tem a sensação de pertencer a um estrato social mais baixo. "Agora seu maior desafio é lutar para manter o padrão de vida", observa.

De acordo com Elizabeth, para se diferenciar das classes mais baixas, esse consumidor busca a exclusividade de produtos e serviços da AA e acesso aos mesmos locais de gastronomia, lazer e cultura, mesmo que para isso tenha que fazer uma certa "ginástica". Poupa de um lado para gastar no outro, preza as escolhas inteligentes e se desdobra para encontrar o "bacana"ou "o diferente" que caiba no bolso, quebrando os parâmetros de comparação com produtos de luxo.

Fonte: Cliente S.A. - 07/07/08

Para enfrentar China, brasileiros vendem ‘sapato de marca’ no exterior

Estratégia da maior parte das indústrias é vender menos calçados a preços maiores.
Além de distribuir, indústrias já investem na abertura de lojas próprias no exterior.

As indústrias que participaram da feira internacional de calçados Francal, realizada em São Paulo, estão buscando uma nova forma de ganhar o mercado internacional: trocando quantidade por qualidade.

A invasão dos produtos chineses – que não poupa nem o mercado brasileiro – fez o setor desistir de concorrer no quesito preço.

Para não perder faturamento, as empresas investem em produtos de maior valor agregado e buscam fortalecer suas marcas no mercado internacional.

De janeiro a maio deste ano, o faturamento da indústria de sapatos nacional no mercado externo cresceu 2%, atingindo US$ 784,2 milhões, enquanto a alta do número de pares vendidos foi menor, de 0,8%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Lojas próprias
Oferecer um produto diferenciado é a estratégia das marcas Dumond e Capodarte, do Grupo Paquetá. A marca, que sempre trabalhou em associação com grifes famosas no Brasil - produzindo, por exemplo, para a Hugo Boss - está investindo em lojas próprias no exterior para vender sapatos femininos. A Dumond tem sete lojas no exterior, mas o plano é chegar a 30 unidades nos próximos quatro anos, com forte concentração no Oriente Médio.

Em busca do dinheiro do petróleo - e do forte consumo de acessórios femininos em países como os Emirados Árabes Unidos e o Catar - a companhia hoje exporta 35% de sua produção. Os sapatos enviados para o mercado internacional são os mesmos vendidos ao consumidor no Brasil por preços entre R$ 180 e R$ 500. Os calçados são fabricados em Sapiranga (RS), cidade próxima ao pólo de sapatos da cidade gaúcha de Novo Hamburgo.

"A estratégia é sempre atender a classe média alta, como acontece no Brasil", ressalta o gerente de exportações das marcas, João Marcos Taieti Gimenes. Segundo ele, o sapato brasileiro já “se vende” pela qualidade e pelo design, especialmente no caso dos modelos da Dumond. "A gente vende um conceito de brasilidade que está ligado aos detalhes e à combinação de cores", ressalta.

Sem ‘genéricos’
Atendendo meninas de até 9 anos de idade, a Pampili, empresa de Birigui (SP), busca agregar tecnologia e design a seus produtos para crescer no mercado externo – até desenvolveu uma palmilha especial para sapatilhas infantis. Hoje, a empresa vende para 50 países – com foco na América Latina e no Oriente Médio – e diz estar crescendo apostando no "conceito de marca", deixando de fornecer sapatos "genéricos" que ganham outro nome no exterior.

"Buscamos novos canais de distribuição e mais valor agregado, com produtos segmentados e venda em lojas tradicionais e também em seletivas. Deixamos, há quatro anos, de ser uma indústria de calçados para investir na nossa marca", explica Sérgio Andreazzi, gestor de negócios da Pampili.

A Calçados Beira Rio, do Rio Grande do Sul, exporta três marcas de calçados femininos - Beira Rio, Vizzano e Moleca - e afirma que "informação de moda, conforto e qualidade" são exigidos pelos clientes do mercado externo. A empresa diz que espera um crescimento de 20% em suas exportações neste ano, principalmente na América Latina.

A exemplo do que ocorre na Pampili, Rodrigo Miceli Piazer, gerente de exportações da Beira Rio – empresa que emprega 5 mil funcionários e tem sete fábricas no país – afirma que o objetivo é "internacionalizar as marcas". Por isso, os sapatos saem do Brasil com a etiqueta das marcas da empresa. Segundo ele, a Beira Rio exporta atualmente 10% dos pares de sapato que produz.

Tradicional
Presente em mais de 60 países, as sandálias Havaianas são o símbolo da estratégia de agregar valor a produtos tipicamente brasileiros. Hoje, as sandálias são exportadas para cerca de 60 países, e o mercado externo representa cerca de 12% das vendas totais.

O produto, segundo a executiva de sandálias da Alpargatas Carla Schmitzberger, é consumido por todas as classes sociais: para a classe D e E, é um substituto do sapato; para as classe A e B, é um produto com credencial de moda.

Por conta de forte presença das Havaianas no mercado interno - a marca vende quase uma sandália por habitante todos os anos (em 2007, foram mais de 150 milhões) - a executiva da Alpargatas conta que o crescimento no mercado externo é maior, ficando entre 30% e 40% ao ano.

Para reforçar seu negócio de sandálias, a Alpargatas adquiriu em novembro do ano passado a marca Dupé, que serve como uma espécie de estratégia da empresa contra as Havaianas “genéricas” que ganham espaço no exterior. Os modelos da Dupé são feitos com o mesmo produto das Havaianas – borracha – com a diferença de que são mais simples e têm um preço final cerca de 25% menor.

Fonte: G1 - 05/07/08

04 julho 2008

L'Oreal concentra esforços na internet

Marca de colorações da L'Oreal reformula site e lança ação de marketing viral para anunciar novidade

A Imedia Excellence, da L'Oreal, aposta na internet para conquistar novas consumidoras e se aproximar das mulheres que já optam pela linha de coloração. O site da marca foi reformulado e uma ação de marketing viral já está no ar, ambos protagonizados pela atriz Grazi Massafera, atual porta-voz da marca.

De acordo com a gerente de produto de Imedia Excellence, Marcela Rezende, a expectativa é de que as iniciativas ativem as vendas de toda a gama de cores da marca que completa 55 anos em 2008, além de torná-la ainda mais conhecida. A Imedia Excellence é líder em valor no mercado, segundo os dados da leitura de março/abril da Nielsen/ Retail. "Na internet, as pessoas escolhem o que querem ver, estão dispostas a se informar sobre determinado produto, ao contrário da TV onde os consumidores são impactados independente da sua vontade", explica.

A agência Publicidade Interativa assina página. A idéia é fazer com que a consumidora sinta-se em casa, por isso o nome Maison Imedia Excellence - maison significa casa em francês. O conteúdo interessante sobre o tema foi planejado para garantir mais tempo de permanência online. A navegação é fácil e a usuária pode escolher o nível de informação que receberá de acordo com seu perfil (se já teve ou não contato com o mundo da coloração).

O novo site utiliza ferramentas de web 2.0, permitindo, por exemplo, que as consumidoras enviem suas próprias dicas referentes ao universo da coloração e descubram sua cor ideal, a partir de dados como tonalidade original do cabelo, da pele e dos olhos. O ambiente também reúne dicas de aplicação, responde às principais dúvidas sobre o assunto e disponibiliza as bulas dos produtos para download.

"Esse site é um compilado de todos os sites de coloração do mundo. Não existia um lugar que reunisse todas as informações que as consumidoras buscavam sobre o assunto. A partir daí, senti a necessidade de reformular nossa página", conta Marcela.

Já a ação de marketing viral, anuncia o lançamento da coleção "Mel Encantador". Um e-mail marketing foi enviado para consumidoras do Brasil e da França, instigando sua curiosidade com a pergunta "O que está acontecendo com a Grazi" e contando que a atriz está muito animada.

Ao clicar no link no final do e-mail, as usuárias são direcionadas para uma página onde uma "amiga" dá um depoimento e pede que digitem seus números de telefone para que Grazi possa ligar para contar a novidade. A atriz então "telefona" para a consumidora e anuncia a tonalidade que está usando. Somente entre a última sexta-feira, 27 e o final de sábado, 28, já foram 10 mil ligações, de acordo com a Imedia Excellence.

Segundo Marcela, o lançamento de colorações criadas para celebridades - batizado como "Animação de cores" - tem apresentado bons resultados e já foi realizado com as atrizes Cristiane Torloni, Alinne Moraes e Maria Fernanda Cândido. "As mulheres sempre querem saber a cor do cabelo que as atrizes estão usando nas novelas", comenta.

A estratégia para o lançamento da coleção "Mel Encantador" prevê ainda comercial para TV, material para ponto-de-venda e anúncios para revistas. A campanha está sendo criada pela McCann Erickson e deve entrar no ar no final de julho. O novo site será divulgado por meio de banners e links patrocinados.

Fonte: Meio & Mensagem - 02/07/08