Arnaldo Rabelo

24 fevereiro 2007

Skol muda logotipo sem fazer alarde

A Skol aproveitou o Verão 2007 não só para lançar um novo rótulo (o que foi bem divulgado), mas também para mudar seu logotipo (o que não foi noticiado). O que a Ambev divulgou à imprensa foram informações sobre o rótulo termossensível, que avisa quando a bebida está com boa temperatura para consumo. Nele, uma seta transparente vai se tornando azul a partir dos 4° C (ou menos), graças a uma tinta especial.

Entretanto, se analisarmos melhor, veremos que o logotipo e o próprio símbolo da seta girando foram alterados. As letras estão em itálico, de forma semelhante ao logo da Skol Lemon e da Skol Beats. Resta saber se a mudança é só para essa versão de Verão ou se permanecerá depois.

22 fevereiro 2007

Marketing conectado

O livro Connected Marketing (Marketing Conectado), lançado no final de 2005, teve suas previsões atualizadas.

Veja abaixo as 10 previsões para marketing viral, buzz marketing (que poderíamos traduzir como ‘marketing do buxixo’) e campanhas boca-a-boca:

1. O marketing conectado se tornará mais estratégico, mudando o foco de promoções (campanhas) para inovações (produtos).

2. Medidas de retorno sobre o investimento se tornarão obrigatórias. Novas medidas surgirão, como “taxa de defensores da marca” ou “pressão para o aumento das vendas”.

3. O rastreamento (do trajeto percorrido pela mensagem) em campanhas boca-a-boca será uma medida importante em pesquisas de marca.

4. As novas ferramentas de marketing online (buxixo, viral e boca-a-boca) se integrarão às outras do composto de marketing (propaganda, promoções, relações públicas, etc.).

5. Gerenciar e evitar a propaganda boca-a-boca negativa, online (no mundo virtual) e offline (no mundo real), será uma área do marketing conectado cada vez mais importante.

6. O entretenimento online patrocinado (com marcas aparecendo em sites de diversão, games, realidade virtual, etc.) será mais usado como peça-chave de contato com os consumidores para marcas do setor de entretenimento.

7. As técnicas desenvolvidas para ações de marketing conectado serão adaptadas para gestão de mudanças e comunicação interna.

8. As técnicas desenvolvidas no marketing viral, de buxixo e boca-a-aboca serão cada vez mais adotadas em programas de CRM (gestão do relacionamento com o cliente) como ferramentas de retenção e aquisição de clientes (para transformar os compradores em defensores da marca).

9. Os telefones celulares evoluirão rapidamente para se tornar uma mídia importante para a divulgação de promoções de marketing conectado, como convites “móveis” (no celular), códigos para descontos em produtos por SMS (sistema de mensagens curtas de texto), etc.

10. Os profissionais de marketing poderão eventualmente localizar influenciadores de compra por código postal, pelo ponto-de-venda em que estarão buscando os produtos escolhidos, etc.

15 fevereiro 2007

Nike quer abrir 100 lojas próprias em todo o mundo

A fabricante de artigos esportivos Nike anunciou que pretende inaugurar 100 lojas nos próximos três anos, sendo metade delas nos Estados Unidos. A idéia, com a expansão das lojas próprias, é apresentar aos consumidores mais produtos da marca, reforçar a imagem da companhia e, com isso, elevar as receitas nos parceiros varejistas, que têm apresentado resultados modestos nos últimos anos. Entretanto, as lojas também têm de dar retorno: a expectativa da empresa é que o canal direto com o consumidor (que engloba lojas próprias, internet e outlets) responda por 15% das vendas da Nike daqui a cinco anos, contra 12% hoje.

12 fevereiro 2007

A Assolan Industrial vira Hypermarcas, com faturamento de R$ 750 milhões


O processo que levou ao enorme crescimento da Assolan, agora rebatizada de Hypermarcas, teve início em 1996 com a compra da Assolan pela Arisco. No ano 2000 a Arisco foi vendida para a Bestfoods por US$ 500 milhões. Meses depois da venda da Arisco, a empresa inglesa foi englobada pela Unilever. No acordo de venda, ficou acertado que João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, dono da Arisco na época, não poderia atuar por 5 anos nos ramos em que a Unilever operava.

Mas a Unilever não se interessou pela Assolan e quis vendê-la. Foi aí que Júnior a readquiriu. Com a Assolan nas mãos, Júnior iniciou uma estratégia agressiva de marketing e também de aquisições. Comprou oito empresas regionais de lã de aço, para aumentar a produção. Em seguida, negociou a Fisbra, que fabricava panos tipo perfex. Nos anos seguintes, outras quatro empresas foram incorporadas pela Assolan Industrial, que passou a produzir detergentes, sabão em pó e vários outros produtos de limpeza. Dentre todas essas compras, a maior tacada foi a Etti, vendida pela Parmalat, há quase um ano. Com essa última, a Assolan, já livre do embargo da Unilever, estreou no ramo de alimentos (molhos de tomate e vegetais enlatados). A essa altura, a empresa de Júnior havia se tornado uma gigante nacional de R$ 502 milhões em vendas – 17 vezes mais que em 2002.

A partir desta semana, nasce a Hypermarcas, que ocupa o lugar da Assolan Industrial no mercado brasileiro. João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, é o presidente do conselho da holding Monte Cristalina, controladora da Hypermarcas. Nelson Mello é o diretor-presidente da Hypermarcas. O nome Assolan continua a existir, mas apenas como marca de lã de aço e não mais como corporação. A Hypermarcas tem sob seu guarda-chuva 11 marcas em cinco unidades de negócio: Alimentos, que inclui marcas como Etti, Salsaretti e PuroPurê; Higiene e Limpeza, com a linha Assolan, os sabões Assim e os detergentes Sim; Higiene Pessoal, com os xampus Éh! (em parceria com a empresária Cristiana Arcangeli); Produtos de Saúde, com a recém-chegada Finn; e a unidade de Produtos Químicos, com a gaúcha Mat Inset. “A Hypermarcas já surge como uma gigante brasileira de bens de consumo.

Com nove lançamentos previstos para este semestre e duas grandes compras fechadas há poucos dias, a Hypermarcas promete faturar R$ 750 milhões somente este ano (contra R$ 502 milhões de 2006, como Assolan), R$ 900 milhões em 2008 e chegar aos R$ 2 bilhões até 2010. “Queremos ser reconhecidos pelo varejo e pelo consumidor como a melhor opção de marcas e produtos no segmento de bens de consumo”, diz Júnior. Triplicar o faturamento em tão pouco tempo pode parecer ambicioso para uma corporação que há quatro anos tinha apenas uma marca de lã de aço em seu portfólio. Mas convém não duvidar. Em 2002, quando sua Monte Cristalina comprou a Assolan, a marca não faturava mais do que R$ 30 milhões. Hoje, sozinha, responde por 43% das vendas da empresa, algo como R$ 215 milhões.

“Nossa estratégia é comprar ‘marcas adormecidas’: empresas com bons nomes, bons produtos, mas com baixa performance de mercado ou boa atuação apenas em nichos”, diz Mello. “Com a Hipermarcas, e toda sua estrutura comercial, de marketing, logística e gestão altamente profissionalizada, vamos transformar essas marcas adormecidas em nomes de sucesso”, endossa Júnior. Era isso que ele tinha em mente quando fechou a compra da Etti. A marca paulista, que nos bons tempos já foi dona de um terço do segmento de vegetais e molho de tomates, estava em baixa, perdendo mercado a cada ano. Hoje, está com 16% nos vegetais e 28% de participação em molhos e extratos de tomate. O mesmo princípio vale para a Finn, que, segundo Mello, tem potencial para ser muito mais do que a número 1 em adoçantes em pó. “A idéia é ampliar essa linha, com produtos inovadores”, diz Mello. A unidade denominada produtos de saúde, na qual a Finn está inserida, será o foco de boa parte dos esforços da equipe de Mello neste ano. A idéia é ter um mix de produtos voltados ao bem-estar, à indústria diet e light. “Estamos estudando vários segmentos. Não há nada fechado”, diz o executivo. “Uma coisa é certa: não entraremos em commodities. Nosso interesse é por bens de consumo com valor agregado.”

Ele revela que, por meio de futuras aquisições – e também do desenvolvimento de novos produtos –, as unidades de negócios da Hypermarcas podem se multiplicar além das cinco atuais. Só para os próximos 24 meses, há R$ 100 milhões em caixa para investimentos em publicidade, lançamentos e expansão da corporação. Segundo ele, as fábricas estão prontas para absorver a demanda do mercado. “Aplicamos R$ 10 milhões na planta da Etti, em Araçatuba (SP), e outros R$ 6 milhões em nossa unidade em Itajaí (SC), que faz produtos de limpeza. Vamos continuar nesse ritmo.” Na parte de distribuição, a Hypermarcas não deverá fazer grandes aportes. A estrutura montada por Júnior e Mello, que mistura operação própria e parceria com atacadistas, já garante o abastecimento dos produtos da empresa em 278 mil pontos-de-venda. “Reinvestimos 100% do nosso lucro na própria empresa e, quando se faz necessário, também captamos no mercado. A ordem, agora, é crescer”, explica o diretor-presidente. Ele não descarta a possibilidade de abrir o capital da Hypermarcas, mas diz que ainda não há data prevista para isso. Uma coisa é certa: se o futuro da empresa for realmente brilhante como Júnior e Mello traçaram, não faltarão investidores.

Texto a partir de reportagem de Darcio Oliveira e Lílian Cunha (Isto É Dinheiro)

07 fevereiro 2007

Apple muda de nome de olho na sala de estar digital

A mudança de nome da Apple Computer para Apple apenas, em 9 de janeiro, chama a atenção para a nova realidade da empresa: a estratégia do CEO Steve Jobs privilegia agora a convergência entre aparelhos eletroeletrônicos muito mais do que os computadores pessoais.

O fato é que as mais recentes declarações da Apple apontam para uma empresa de eletroeletrônicos mais do que de computadores. No mesmo dia em que a companhia anunciou a mudança de nome foi lançado o iPhone, um híbrido de celular e iPod, e também a TV Apple, um aparelho para reprodução de vídeos baixados através do serviço de iTunes para o aparelho de TV do consumidor. Em 17 de janeiro, a Apple declarou ter vendido 21 milhões de iPods no primeiro trimestre fiscal encerrado em 30 de dezembro. O iPod e o iTunes representaram para a empresa 4 bilhões de dólares de um total de 7,1 bilhões em receitas no mesmo trimestre. As vendas dos computadores da empresa, por outro lado, foram responsáveis por 2,4 bilhões em receitas. A Apple fabricou 1,6 milhão de Macs no trimestre, ao passo que alguns analistas de Wall Street esperavam que a empresa fabricasse pelo menos 1,75 milhão de computadores.

Especialistas da Wharton observam que o novo nome da Apple torna oficial uma estratégia de negócios já em andamento desde que o iPod foi lançado em 2001: criar aparelhos que estejam no centro da sala de estar digital, onde o conteúdo audiovisual estará disponível mediante solicitação e poderá circular em rede por intermédio de diversos aparelhos. Mas assim como na indústria de computadores pessoais, a Apple tem pela frente uma concorrência acirrada. Na mesma semana em que a empresa lançava seu iPhone, a Microsoft — que também tem projetos para o chamado lar digital — apresentou o Home Server [servidor doméstico], um dispositivo que dará suporte ao conteúdo digital em toda a casa. A Apple tem ainda outros concorrentes, como a Sony, que há anos trabalha no segmento de aparelhos eletrônicos para a sala de estar.

A Apple terá de trilhar um caminho delicado em sua tentativa de atrelar o consumidor à sua plataforma, e com isso impulsionar seus lucros. Ao mesmo tempo, precisa se assegurar de que seus produtos funcionem perfeitamente quando acoplados a outros aparelhos eletrônicos.

Sarah Kaplan, professora de Administração da Wharton, diz que a mudança de nome não tem efeito direto algum sobre o negócio da empresa, mas consegue deixar claro a seus empregados que a companhia tem uma estratégia de longo prazo, torna explícita sua mensagem de marketing e estimula os investidores a compararem a Apple a empresas de eletroeletrônicos, e não apenas às fabricantes de computadores. Além disso, diz Kaplan, “o segmento de eletroeletrônicos sempre valorizou o design do produto, e nisso a Apple é forte”.

Contudo, para Peter Fader, professor de Marketing da Wharton, a mudança do nome da Apple equivale a um aceno de bandeira branca no mercado de PCs. “Quantos computadores da Apple o iPod vendeu?”, indaga Fader em alusão ao chamado “efeito de aura” — isto é, o consumidor que adquire um iPod tenderia também a migrar para os computadores da Apple. “A verdade é que a Apple continua a ser um personagem secundário na indústria de PCs. A mudança de nome é o reconhecimento de que a empresa perdeu esse mercado.”

Outros dizem que a estratégia de convergência da Apple está abrindo uma nova via de crescimento dada a crescente comoditização do mercado de PCs. Eric Clemons, professor de Gestão de Operações e Informações da Wharton, diz que a convergência entre o PC, os equipamentos de entretenimento doméstico e os aparelhos sem fio mostra que gadgets da Apple como o iPhone e o iPod ganharão importância cada vez maior. “A Apple leva ao mercado diversas coisas: hardwares atraentes, softwares de primeira e uma imagem ‘descolada’”, diz Clemons. A empresa, acrescenta, “quer integrar um sistema de entretenimento pessoal [o iPod] e uma loja de música pessoal online [iTunes] a aparelhos de som e de vídeo de caráter mais familiar e doméstico”.

Se a Apple for bem-sucedida — Peter Oppenheimer, diretor financeiro da empresa, ressaltou em 17 de janeiro que o iPod controlava 72% do mercado de tocadores digitais de música no final de dezembro —, poderá vencer a queda de braço com a Microsoft. “À medida que a convergência entre o PC e os eletroeletrônicos avança, o processo torna-se mais complexo”, diz Kaplan. “Não se sabe ao certo se a Microsoft conseguirá dominar o setor. Se a Apple vencer a batalha pela convergência, mesmo que tenha perdido a disputa pelo mercado de PCs, terá a vitória final.”

Gente antiga e gente nova
De acordo com Fader, ainda é cedo ainda para prever se a Apple dará a última palavra. Afinal de contas, convergência digital é uma área nova para a empresa. A Microsoft é um inimigo já conhecido e briga com a Apple no segmento de sistemas operacionais, tocadores de música e centros digitais de entretenimento. Outros concorrentes, porém, serão desafiados pela primeira vez. Com o lançamento do iPhone, por exemplo, a Apple entra na seara da Motorola, Samsung, Nokia e Research in Motion, só para citar alguns. Além disso, a Apple não conta com um amplo segmento de negócios para desafiar uma empresa como a Sony em todos os frontes. “A Apple não é a Sony”, diz Fader. “Steve Jobs está investindo pesadamente em alguns nichos específicos.”

A Apple pode também criar problemas para si mesma com o conceito de convergência por trás do iPhone, que pode roubar vendas do iPod e ainda assim não ser capaz de concorrer com o Blackberry, da Research in Motion, e o Treo, da Palm, diz Fader, acrescentando que “no caso dos celulares, a funcionalidade é mais importante do que o design”.

Fader diz também que a TV da Apple não é nenhuma maravilha. Não se sabe, por exemplo, se o consumidor quer realmente passar para o aparelho de TV os vídeos baixados da Internet, ou se a qualidade da imagem será adequada à tela grande. “Se você me perguntasse cinco anos atrás se a sala de estar digital seria uma realidade em 2007, eu diria que sim”, observa Fader. “Agora, ninguém sabe se o mercado quer mesmo a convergência. O consumidor parece disposto a deixar a TV ligada enquanto navega pelo laptop no sofá.”

Já Clemons não é tão pessimista, prevendo que a Apple pode perfeitamente enfrentar rivais como a Sony. Para ele, a Apple leva vantagem sobre a Sony em diversas áreas importantes. “A Sony parece estar perdida. A empresa tem uma capacidade tecnológica extraordinária, mas não surpreende mais ninguém. Os fones de ouvido brancos e diminutos da companhia japonesa [usados no iPod] ficaram conhecidos popularmente como ‘por favor, me roube’ pelo fato de estarem quase sempre conectados a um iPod caro. Faz muito tempo que a Sony não tem a mesma visibilidade da Apple.” Além disso, é difícil dizer se a estratégia da Sony de controlar a sala de estar digital com o PlayStation 3 funcionará. “O fator de integração [entre PC e eletroeletrônicos] será obra de um computador ou de um celular, não de uma TV ou de um console de jogos. A Sony não tem presença em nenhum dos segmentos. A Apple tem em ambos.”
Kendall Whitehouse, diretor sênior de tecnologia da informação da Wharton, acrescenta que a Microsoft continua a ser uma rival de peso. Embora o tocador Zune não tenha estreado com o mesmo entusiasmo com que a crítica recebeu o iPod, a Microsoft tem os recursos necessários para continuar a desenvolver o produto. Além disso, o Xbox, console de jogos da empresa, também pode fazer o papel de centro difusor de mídia, enviando vídeos de PCs dotados de centros de edição de mídia para o televisor de tela grande do consumidor.

Enquanto isso, acrescenta Kaplan, é cada vez mais difícil classificar os segmentos disputados pela Apple. A exemplo da Microsoft, também no caso da Apple os segmentos disputados terão de ser elencados por linha de produto, e a empresa pode acabar concorrendo em nichos diversos. “A Apple tornou-se muito mais diversificada, portanto não se pode compará-la com outras empresas pura e simplesmente. Deve-se tomar como referência sua linha de produtos”, diz Kaplan. “O iPhone, por exemplo, concorre com a Motorola e com a Nokia; o concorrente no segmento de PCs é a Dell. Assim como a General Electric, deve-se desmembrar a empresa por linha de produtos, já que são bastante distintos.”

Ativos da Apple
Nesse novo cenário competitivo, especialistas da Wharton concordam com a tese de que a Apple dispõe de um conjunto de ativos extremamente importantes para derrotar seus inimigos. Sua principal vantagem é a perícia demonstrada em seus designs. A empresa possui também um olhar apurado que lhe permite produzir uma tecnologia complexa — como, por exemplo, o software de gestão de direitos digitais, que restringe a forma como o conteúdo é apresentado e compartilhado —, mas que pode ser facilmente utilizada pelo consumidor.

O design, porém, vai além do desenvolvimento de aparelhos arrojados, observa Betsey Stevenson, professora de Negócios e de Políticas Públicas da Wharton, que estudou a forma pela qual o consumidor acolhe novas tecnologias. Segundo Stevenson, tecnologias que não oferecem dificuldades ao consumidor aceleram a aceitação de tecnologias avançadas. “Basta lembrar como as pessoas reagiram quando apareceram os primeiros caixas automáticos”, diz ela. “Foi uma mudança tecnológica complicada para muita gente na época, mas hoje é até banal.”

A sala de estar digital ainda tem pela frente uma série de nós. Contudo, muitos deles — como os dispositivos múltiplos de entretenimento em rede — podem ser superados com um bom design. Stevenson diz que o consumidor constrói seu conhecimento tecnológico a cada novo aparelho que surge. O caixa eletrônico, por exemplo, abriu caminho para o consumidor e lhe proporcionou informações que lhe permitiram, mais tarde, utilizar pontos automáticos de venda de passagens aéreas, entre outras coisas. Contudo, um design bem formulado pode acelerar de forma surpreendente os índices de adoção, uma vez que o consumidor “não precisa de nenhum estoque prévio de conhecimentos tecnológicos para chegar à conclusão de que o produto é fácil de usar”, diz Stevenson.

Dada a importância do design, a Apple talvez tenha boas chances de se tornar líder em tecnologia da sala de estar digital. Clemons diz que o talento para o design da empresa não se esgota na criação de novos aparelhos inventivos, estendendo-se também à criação de designs para software. Uma das grandes façanhas da Apple no campo do design foi facilitar a compra legalizada de música pelo consumidor sem sobrecarregá-lo com um software pesado de gestão de direitos digitais (DRM, na sigla em inglês). “O iPod da Apple e sua loja, a iTunes, são rigorosamente controladas, de modo que o roubo de conteúdo, ou sua transferência ilícita, é algo bastante complicado”, diz Clemons. “É muito fácil para o consumidor se esquecer da razão pela qual as restrições existem, e de onde vêm.”

Além da vantagem da Apple no campo do design com iPods para todos os gostos e novos aparelhos modernos com a TV da Apple e o iPhone, a empresa tem também um ativo que muitas vezes é subestimado — uma base de clientes fiéis, diz Kaplan. No setor de eletroeletrônicos, acrescenta, a chave do sucesso consiste em aperfeiçoar rapidamente um produto, e esse desenvolvimento acelerado não ocorre com facilidade quando a empresa não sabe de onde vai tirar um milhão de clientes. A Apple não tem essa preocupação: é quase certo que o primeiro milhão de unidades de qualquer produto novo da empresa será devorado por fãs obcecados.

Essa base de fidelidade proporciona a Apple uma curva de aprendizagem rápida que poucas empresas conseguem acompanhar. O iPhone, por exemplo, deve estrear em junho em meio a uma demanda elevada pelo produto. Essa demanda permitirá a Apple colher feedback do usuário e aperfeiçoar rapidamente o produto. Em última análise, tal processo deve culminar com a adoção em massa do aparelho. “Existe um grupo de indivíduos obstinados dispostos a comprar qualquer coisa feita pela Apple”, diz Kaplan. “Com um milhão de clientes, a curva de aprendizagem é percorrida num instante. O produto incorpora então as características preferidas do cliente, e qualquer um pode operá-lo.”

O jogo da integração vertical
Mas o que poderia dar errado? Especialistas da Wharton dizem que o cliente pode acabar se irritando com as tentativas da Apple de integrar verticalmente seus produtos — e, com isso, amarrar o cliente à sua plataforma —, em vez de trabalhar com aparelhos de outras marcas. A integração vertical consiste na tentativa de controlar diferentes partes de uma cadeia de produtos. A Apple, por exemplo, tem o seu canal de vendas de música, o iTunes; ela controla o software de gestão de direitos digitais e vende os dispositivos que permitem tocar o conteúdo. A Microsoft segue uma trajetória semelhante com o Zune e outros produtos conectados à plataforma Windows.

Contudo, ninguém sabe se essa estratégia vertical sairá vencedora no final, já que o consumidor poderá requerer suporte para padrões diversos. Do jeito que as coisas estão hoje — a Apple com seu software de gestão de direitos digitais, e a Microsoft com seu DRM próprio — não há compatibilidade possível. Isto significa que as bibliotecas das duas plataformas não podem ser compartilhadas facilmente. “Enquanto a Microsoft e a Apple tiverem sistemas de gestão de direitos digitais distintos, as transferências de um dispositivo para o outro poderão apresentar problemas”, diz Clemons.

Whitehouse diz que a tensão entre estratégias de integração tecnológica (exemplificada pelo rolo compressor da Apple formado pelo iPod/iTunes e a plataforma Windows da Microsoft) e produtos eletroeletrônicos dotados de dispositivos plug and play continuará a existir durante algum tempo. As declarações recentes da Apple, observa, reconhecem a tensão entre múltipla funcionalidade e a tentativa de amarrar o cliente em uma plataforma.

Whitehouse cita o discurso de Jobs durante a Macworld, em 9 de janeiro, ocasião em que anunciou os planos para a TV Apple: “A TV Apple será uma forma de desfrutar de sua mídia digital na tela grande da TV. A iTunes tem excelentes conteúdos à venda. Agora, você pode comprar uma TV widescreen, conectá-la à TV Apple e fazer a transferência de conteúdo sem fio. É muito simples.” O discurso de Jobs foi revelador, diz Whitehouse, porque ficou na tênue fronteira entre o laudatório — quando mencionou o número de saídas da TV Apple, que é o que importa para os aficionados por tecnologia — e o prático, quando disse que o aparelho é fácil de usar — que é o grande atrativo para o público em geral.

A Apple parece estar seguindo uma estratégia de integração vertical, acrescenta Whitehouse, salientando que a empresa tem enfatizado o papel do iTunes como centro exclusivo de conteúdo digital; no entanto, o sistema da empresa funciona tanto no Mac quando no Windows. “Uma vez que a Apple tem uma fatia menor no mercado de sistemas operacionais, ela tinha de pensar em trabalhar com outros sistemas. O iTunes e o iPod, por exemplo, rodam tanto no Windows quando no Mac.”

Entretanto, como ressalta Fader, a Apple não deu o passo seguinte, que seria abrir o iTunes para inúmeros formatos diferentes de DRMs. Fader diz que a empresa tomou algumas medidas no tocante à abertura do seu software a outras plataformas, porque sua intenção é amarrar o cliente ao iTunes. “O iTunes e o iPod são uma contradição. A Apple abriu ambos ao Windows, por que então não dá o passo seguinte?”, indaga.

De acordo com Kaplan, esse tipo de questão — guerras de plataformas, tentativas de integração vertical e tocadores variados — ocorre com freqüência em mercados imaturos. Qualquer aparelho de TV pode ser acoplado a um DVD, diz ela, porque os padrões foram consolidados em comum acordo entre os fabricantes de aparelhos eletrônicos à medida que o mercado amadurecia. Todavia, os aparelhos eletroeletrônicos nem sempre funcionam quando acoplados a equipamentos distintos resultantes de novas tecnologias.

Fader não acredita que a sala de estar digital resolva a questão do formato por enquanto. A Microsoft tentará impor o Windows ao seu entretenimento digital; a Apple tentará impor o iTunes e a Sony espera conseguir o mesmo com o PlayStation 3.

Conclusão: de acordo com especialistas da Wharton, a sala de estar digital está apenas ensaiando os seus primeiros passos, portanto deverá haver ainda muitas outras tentativas estratégicas e erros freqüentes.

Fonte: Wharton/Universia

Habib´s reposiciona marca

"Muito mais por você". Este é o novo conceito da marca Habib´s, um dos negócios mais bem-sucedidos do País. Assinada pela agência Z+, a campanha de reposicionamento de imagem tem como objetivo mostrar que, além de qualidade e preço, o Habib´s faz muito mais pelos seus clientes. A iniciativa faz parte da estratégia de marketing para fortalecer a imagem institucional e atrair novos consumidores.

De acordo com Alberto Saraiva, presidente da rede Habib´s, para sintonizar as vontades dos atuais e potenciais consumidores, a rede investe cada vez mais em pesquisas. "O resultado dessa iniciativa é que a campanha reforça a grande diversidade do nosso cardápio, e mostra que somos uma rede de fast food diferente, com personalidade, ótimo serviço, produtos de qualidade e preço imbatível", diz.

O novo conceito, "Muito mais por você", foi definido a partir da pesquisa qualitativa, com consumidores entre 15 e 17 anos e pais com filhos (até 10 anos), das classes B e C, em São Paulo e Rio de Janeiro. "Com o desafio de mexer em um time que está ganhando, fomos para as lojas entender a percepção dos clientes e, principalmente, como estes se relacionam com a marca Habib´s", comenta Aluisio Guimarães, sócio e diretor de planejamento da agência.

A pesquisa apontou que a diversidade é um dos atributos da rede mais lembrados pelos entrevistados. A começar pelo cardápio das lojas, que não se restringe às famosas esfihas. Pizzas, fogazzas, sorvetes etc. disputam a preferência dos clientes com os pratos árabes. Os entrevistados também elogiaram os vários pontos de contato com a marca: restaurante, drive-thru, delivery e o Bib´s Festa. "O Habib´s oferece a rapidez do fast food com as mordomias típicas de restaurante, o que atrai diversos públicos", explica Guimarães. Com isso, em uma única loja, podem se encontrar famílias, adolescentes recém-saídos das baladas e colegas de trabalho, em divertidos happy hours.

Para traduzir a diversidade da rede, a campanha utiliza uma linguagem bem-humorada. As peças gráficas ganharam um tom lúdico, no qual algumas das letras são substituídas por fotos de alimentos - pizza, sorvete etc. -, pessoas (crianças, jovens etc.) e ilustrações de objetos que compõem o universo dos diferentes públicos do Habib´s."Além de preço baixo, o Habibs tem muito mais qualidade e variedade do que a maioria das pessoas pensa, e a campanha comunica isso com uma linguagem irreverente, agregando modernidade, atitude e jovialidade à marca", comenta Alan Strozenberg, sócio e diretor de criação da Z+.

O filme, previsto para entrar no ar nesta semana, traz os mesmos elementos da linguagem gráfica, em animação. Inspirado nas colagens e animações de Terry Gilliam nos programas de TV do grupo inglês Monty Python, as cenas ilustram com muito bom humor que todo ser humano sempre quer mais. As colagens vão mostrando esses diferentes desejos, nas diferentes idades, sob uma locução acelerada e muito divertida, deixando claro todos os esforços da rede Habib´s para entender seus consumidores. "Essa ‘cara’ dá ao Habib´s uma personalidade única no segmento", acrescenta o diretor de criação.

Fonte: Consumidor Moderno

06 fevereiro 2007

Coca-Cola e Pepsi em novo duelo

Marcas disputam mercado de refrigerantes light/diet

Coca-Cola e Pepsi deram a largada em Porto Alegre, no início deste ano, a uma nova corrida para introduzir no mercado brasileiro a versão sem açúcar de seus refrigerantes: Coca-Cola Zero e Pepsi Max. A Pepsi e a Ambev, sua parceira na distribuição, escolheram a capital gaúcha por ser a praça onde a marca tem a maior participação no País: cerca de 23%, de acordo com o Instituto ACNielsen. A Coca-Cola Zero também desembarcou em Porto Alegre certamente para não deixar a rival curtir a novidade sozinha.

O único ponto convergente entre as colas é que os dois lançamentos vão expandir a participação do segmento light/diet no mercado de refrigerantes, que hoje está em 8,6%, mas atinge 11,2% na capital paulista. Alexandre Loures, gerente de comunicação corporativa da Ambev, diz que isso já vem ocorrendo. "Entre 1o de setembro e 31 de dezembro, o consumo de refrigerantes diet/light cresceu 37% contra 26% do mercado", diz o executivo, citando dados da ACNielsen. As duas empresas prometem que as novas bebidas estarão nas principais praças ainda no primeiro semestre.

Ricardo Fort, diretor de marketing da Coca-Cola, diz que o lançamento da Coca-Cola Zero é um movimento balizado pela bem-sucedida experiência com a marca Sprite que começou na Grécia em 2002 e chegou ao Brasil em 2005. A boa aceitação e o rápido sucesso em vendas fizeram com que o conceito fosse estendido ao guaraná Kuat no ano passado. Como resultado, as versões light desses refrigerantes saíram de linha e a Zero passou a dividir as preferências do público com a versão normal. Fort, porém, não acredita que aconteça o mesmo com a Coca-Cola Light por entender que a bebida tem um público cativo que aprecia o sabor diferente do original. "Há uma base gigante fiel à Light, hoje a quarta maior marca entre os refrigerantes e a líder no segmento de baixa caloria. Existe espaço para as duas." Ele considera mais provável haver migrações por parte dos que preferem a versão tradicional.

Dois filmes, criados pela Ogilvy da Argentina, apresentam a Coca-Cola Zero. Em "Boomerang", um jovem brinca com o apetrecho australiano. Enquanto olha uma garota, é atingido pela peça que retorna. Em "Soutien", um rapaz desabotoa a peça íntima da moça de onde caem duas garrafas de Coca-Cola Zero. "Por essa você não esperava. Coca-Cola Zero" é a assinatura dos filmes na adaptação brasileira, feita pela McCann no Rio de Janeiro.

Alexandre Loures diz que a Pepsi também vai manter as versões light. "As adesões certamente virão mais dos que não gostam do sabor light. O grande desafio é vencer o preconceito de quem acha que haverá diferença em relação ao sabor original", diz o executivo da Ambev, destacando que a Pepsi Max terá uma fórmula exclusiva no Brasil, desenvolvida em testes. No filme criado pela AlmapBBDO, um príncipe usa um discurso "açucarado" para conquistar a princesa, que rejeita e fica com um tipo mais moderno, "menos açucarado". No caso da versão light do Guaraná Antarctica, Loures explica que não haverá mudança na composição, mas mais destaque na embalagem para o fato de a bebida também não conter açúcar. "A terminologia diet/light envelheceu e não é bem percebida pelos mais jovens", analisa.

Fonte: M&M Online

05 fevereiro 2007

Apelo ecológico movimenta indústrias de vários setores

Indústrias de diferentes setores ampliam negócios com a onda de conscientização ecológica. A confecção de roupas infantis Pistache& Banana inicia a exportação para o maior mercado consumidor do mundo, os Estados Unidos, além de França e a África do Sul suportada pelo algodão ecológico e pelas fibras de garrafa PET (Poli Tereftalato de Etileno) reciclada, enquanto o setor têxtil acumula seguidas quedas de exportação. A fabricantes de embalagens de polipropileno e polietileno, Poli Blow, descobriu uma nova fórmula, semelhante às matérias-primas, mas cuja decomposição é iniciada em cinco anos apenas vê pela frente um cenário melhor ao iniciar negociações com grandes multinacionais.

A divulgação de temas ligados à sustentabilidade no último São Paulo Fashion Week pode finalmente fazer com que a Mossi & Ghisolf (M&G) comece a receber pedidos da Alya Eco, fibra para tecidos finos de PET reciclado. Cerca de 34% das garrafas plásticas recicladas, 174 mil toneladas por ano, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de PET de 2005, tornam-se fibras têxteis no Brasil. Mas a maioria é destinada à fabricação de não-tecidos, tecidos técnicos e profissionais, como carpetes.

“O que fizemos foi criar uma fibra fina para que PET reciclado seja usado pela indústria de moda, sem demérito qualquer para outras fibras. Mas isso foi em 2001 e o volume vendido ainda não é significativo”, explica Luiz Bittencourt, gerente Comercial da M&G fibras e resinas. Para ele, este ano houve uma mudança importante para o futuro da Alya Eco, ao invés da apresentação da fibra pela própria companhia, marcas consagradas no mundo da moda, como Fause Haten, apresentam as primeiras peças nas passarelas com a “fibra reciclada”. “Não somos mais nós empurrando a novidade, mas o mundo da moda demonstrando sua aplicação”, afirma Bittencourt.

Essa é a fibra utilizada pela Pistache&Banana, alem de algodão livre de agrotóxicos — em toda a linha — obtida por meio de um acordo com pequenos agricultores do interior do Paraná que recebem pela produção 50% a mais sobre o valor de mercado do algodão. “Trabalhamos sob o conceito de comércio justo que prega, entre outras coisas, a sustentabilidade da produção e a remuneração justa para fornecedores de matéria-prima”, explica Juliana Paffaro diretora da confecção.

O apelo á consciência do consumidor tem feito com que a confecção tome espaço na fábrica em Santa Bárbara do Oeste (SP) de outra marca tradicional com quem divide a capacidade produtiva da planta e que fornece para grandes redes como Renner e C&A.

Em sua segunda coleção, a Pistache&Banana estima que o mercado doméstico demande 40 mil peças este ano. “Para os EUA deveremos mandar um volume bastante significativo”, explica ela “lá o conceito de comércio justo já é bastante disseminado”. Na semana que vem, a diretora da companhia vai para a França onde participará da feira Kids Fashion, uma das maiores feiras infantis da Europa. “Acreditamos no potencial de vendas na Europa onde existe o conceito de consumidor consciente”, diz Paffaro. Até agora, a confecção infantil exportou para o país 5 mil peças por meio da distribuição da cadeia Fair World. Durante uma feira em São Paulo, um executivo da África do Sul não só resolveu distribuir a marca no país como há interesse em abrir uma franquia. “Me surpreendi com o nível de conscientização e interesse dos sul-africanos”, diz Juliana.

Assim como a idealizadora da Pistache&Banana, o diretor de Marketing da Poly Blow, David Pulido, descobriu a nova resina que possibilita o início da degradação de embalagens em 5 anos em uma viagem fora do Brasil. Vem do Canadá a matéria-prima para a fabricação da Poli Bio.
Enfrentando problemas para exportar, a fabricante de embalagens que tem como clientes multinacionais como Merial, Byer e Fortdodge á fechou acordo de fornecimento do Poly Bio para a Brascola e guarda resposta de tantas outras, que prefere manter em sigilo, sobre a adoção da embalagem. “Imagine convencer a matriz de uma multinacional que uma embalagem brasileira é única e realmente pode degradar-se em 15 anos, eles estão fazendo os testes por conta própria”, afirma Pulido. A empresa, com 140 funcionários, atende 90% dos frascos para vacina de febre aftosa vendidos no Brasil, venceu o prêmio da Organização Mundial de Embalagem este ano na categoria House & Hold, depois de ficar com o troféu do Prêmio Abre de Design & Embalagem, em Ecodesign.

Fonte: DCI

Marketing Verde

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) culpa a ação do homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental.

"Concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso aumentaram notavelmente como resultado das atividades humanas desde 1750, e agora excedem, em muito, os valores (anteriores)", diz o relatório.

"Os aumentos globais na concentração de dióxido de carbono se devem, sobretudo, ao uso de combustíveis fósseis e mudanças no manejo da terra, enquanto o aumento de metano e óxido nitroso se deve primordialmente à agricultura."

As conclusões estão descritas no "Resumo para os Formuladores de Políticas", que integra a primeira parte do relatório "Mudanças Climáticas 2007".

O documento diz que, até o fim deste século, a temperatura da Terra pode subir de 1,8ºC – na melhor das hipóteses – até 4ºC.

O derretimento das camadas polares deve fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, dizem os cientistas. Além disso, tufões e secas devem se tornar mais intensos.

Marketing Ambiental
O Marketing Ambiental pode ser assimilado pelas empresas como uma ferramenta estratégica. Para viabilizar este objetivo é necessário desenvolver uma cultura de comunicação capaz de integrar conteúdos de vários departamentos técnicos ligados ao meio ambiente e qualidade de vida. É responsável em dar forma à política ambiental da empresa, auxiliando a otimizar e a implementar seu aperfeiçoamento integrado a um Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

Trata-se de uma ferramenta capaz de projetar e sustentar a imagem da empresa, difundindo-a com uma nova visão de mercado, destacando sua diferenciação ecologicamente correta junto à sociedade, fornecedores, funcionários e ao mercado. O Marketing Ambiental, também conhecido como Marketing Verde, Ecologicamente Correto ou Ecomarketing, extrapola a mera publicidade ou divulgação dos produtos ou serviços oferecidos por empresas que querem veicular na mídia e no meio profissional ou para o consumidor a aplicação de métodos ambientalmente corretos aplicados ao seu gerenciamento interno ou na produção ou prestação de serviços.

O marketing verde é uma verdadeira e ampla adoção de políticas ambientais que vão do início, desde a coleta da matéria prima até sua disposição; é a compreensão gerencial ampla, dotada de métodos abrangentes e envolventes. Envolve a área de recursos humanos, ciência e tecnologia, educação, tudo enfim que estiver envolvido com a produção ou a prestação de serviços. Será uma necessidade empresarial. A empresa poluidora ou eticamente incorreta sob o ponto de vista ambiental será expurgada gradativamente pelos consumidores.

O Marketing Ambiental não se limita à promoção de produtos que tenham alguns atributos verdes (tais como recicláveis e produtos que não destruam a camada de ozônio). Isso porque, para posicionar-se como ambientalmente responsável, a empresa deve, antes de mais nada, organizar-se para ser uma empresa ambientalmente responsável em todas as suas atividades. Para isso, todos os funcionários devem estar conscientes de que a empresa não pode ter nenhuma falha em seu comportamento ambiental, pois é muito difícil e demorado o processo de reconstrução da imagem de uma empresa previamente retratada na mídia como ambientalmente irresponsável. Além disso, a empresa deve adotar um comportamento pró-ativo, ou seja, deve estar sempre aperfeiçoando seu comportamento ambiental, pois as expectativas da população quanto ao verde está em constante mudança e os objetivos que as empresas devem buscar atingir, em termos de emissões atmosféricas, por exemplo, são ideais (emissão zero de partículas poluentes). Por isso, para atingir tais objetivos, as empresas devem traçar metas cada vez mais rígidas.

Alguns (bons) motivos para que a sua empresa adote um programa de marketing ambiental

1. Funcionários e Acionistas sentem-se melhor por estarem associados a uma empresa ambientalmente responsável, e essa satisfação pode até mesmo resultar em aumento de produtividade da empresa.

2. Redução de Custos - Ocorre na medida que a poluição representa materiais mal aproveitados devolvidos ao meio ambiente, ou seja, a maior parte da poluição resulta de processos ineficientes, que não aproveita completamente os materiais utilizados. Além disso, a simples auditoria ambiental, pode identificar custos desnecessários que a empresa pode eliminar.

3. Facilidades na Obtenção de Recursos - Bancos e, principalmente, organizações de desenvolvimento (como o BNDES e o BID) oferecem linhas de crédito específicas para projetos ligados ao meio ambiente com melhores condições, tais como maior prazo de carência e menores taxas de juros. Além disso, a maior parte dos bancos analisa a performance ambiental das empresas no momento de conceder financiamentos. Dessa forma, empresas mais agressivas ao meio ambiente podem precisar pagar juros mais altos ou até mesmo ver negado seu pedido de financiamento.

4. Pressão Governamental - Os diversos Governos no mundo, através de legislação, vem buscando punir através de multas e proibições, práticas das empresas que tenham impactos ambientais significativos. A legislação vem sendo cada vez mais rigorosa na busca pelo "Impacto Ambiental Zero". O Governo ainda pode atuar através de suas compras, ou seja, proibindo a aquisição, por parte de suas empresas e orgãos, de produtos que afetem significativamente o ambiente físico e estimulando a consumo de produtos "ecologicamente corretos".

5. Pressão das ONGs - As diversas ONGs pressionam empresas através de campanhas veiculadas na imprensa e lobby junto a legisladores. Empresa sob a mira de uma das principais ONGs será bombardeada na imprensa e provavelmente passará a ser percebida pela população como ambientalmente irresponsável, o que representa forte publicidade negativa.

Iniciativas brasileiras
Ao utilizar o chamado marketing verde, as empresas gastam menos por trabalhar próximo a organizações da sociedade civil, ser o foco de atenção crescente da mídia e ainda por atrair o apoio voluntário de formadores de opinião. Além disso, o grupo de consumidores responsáveis, que hoje é inferior a 10% do total de compradores, tende a crescer nos próximos anos, o que pode fazer com que os pioneiros tenham mais experiência e consigam com isso vantagem competitiva importante. Esse é o diagnóstico do Walk the Talk, estudo elaborado pelo Pacto Global (uma iniciativa da ONU em prol da responsabilidade social), Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas e a consultoria francesa Utopies.

O relatório, divulgado no final de 2005, destaca duas empresas brasileiras: Natura e Pão de Açúcar. A empresa de cosméticos é uma das cinco citadas como pioneiras do marketing verde no mundo. No caso da rede de hipermercados, o relatório menciona, no capítulo sobre as grandes empresas, o projeto Caras do Brasil, iniciativa do Pão de Açúcar que consiste em colocar produtos de pequenos agricultores à disposição dos consumidores. O projeto é citado como uma das dez iniciativas de grandes empresas, que, segundo o estudo, ainda não utilizam o marketing verde em larga escala, mas já flertam com a proposta. O estudo considerou grandes empresas aquelas que estão, em seus países, entre as dez que mais investem em publicidade.

Para o estudo “Walk the Talk”, o marketing verde é viável economicamente — em particular para empresas que não dispõem de grande somas para publicidade — porque as ações social e ambientalmente responsáveis são cada vez mais discutidas na sociedade, o que agrega valor ao produto e à empresa. Além disso, o estudo apresenta uma pesquisa que afirma que 70% dos consumidores gostariam de consumir produtos socialmente corretos e só não o fazem mais freqüentemente por falta de informação.

O relatório diz também que, ao adotar esse tipo de marketing, as empresas se beneficiam do apoio de outros agentes. É que geralmente as corporações que adotam a proposta se associam ao poder público e a organizações não-governamentais — que indiretamente promoverão o produto e a marca.

O relatório lembra ainda que produtos e serviços social e ambientalmente corretos são apoiados por formadores de opinião. Para ilustrar esse aspecto, o estudo cita o caso do Toyota Prius — modelo de automóvel movido a gasolina e eletricidade, que reduz em até 90% a emissão de poluentes. Desde 2003, atores indicados ao Oscar — como Leonardo di Caprio, Morgan Freeman, Salma Hayek e Charlize Theron — chegam à cerimônia de entrega do prêmio de Hollywood nesses carros.

Embora o relatório mencione que uma das maiores vantagens do marketing verde seja o seu baixo custo, o estudo ressalta que a estratégia pode ser uma alternativa para promover elevação real nas vendas. Uma das empresas que aposta no marketing verde e tem bons resultados financeiros é a brasileira Natura, de acordo com o Talk the Walk. O relatório menciona ganhos recentemente obtidos pela empresa de cosméticos: crescimento de 32% nas vendas no período 2002-2004 (ante elevação de 20% do mercado de cosméticos), fazendo com que a fatia de mercado da empresa alcançasse 19%; receita de US$ 604 milhões (em 2004); e valor da marca equivalente a 113% do volume de vendas anual.

Fontes: UOL-BBC / Prima Pagina / AMDA

04 fevereiro 2007

Computador pode se tornar o meio de comunicação de massa mais consumido no Brasil até o final desta década

Venda de computador no país deve encostar na de TV

Previsão é comercializar 11 milhões de PCs e 11,7 milhões de televisores neste ano

Isenção de tributos e queda do dólar e dos juros são apontadas como motivos para o incremento no mercado de informática

Com o "boom" dos últimos anos, as vendas de PCs devem encostar nas de TVs já em 2007 e sinalizam que o computador pode se tornar o meio de comunicação de massa mais consumido do país até o final desta década.

A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) estima em 11,7 milhões o número de televisores que serão vendidos neste ano. Se confirmado, seria o terceiro ano consecutivo de resultados recordes para esse segmento e representaria um crescimento de 11% em relação aos 10,5 milhões de aparelhos vendidos em 2006.

Já o total de computadores comercializados neste ano pode chegar a até 11 milhões, segundo estimativas preliminares da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Em 2006, as vendas de PCs foram de 8,3 milhões, uma alta de 46% sobre o ano anterior. Já em 2010, a consultoria IDC estima que os brasileiros vão comprar 15,2 milhões de computadores.

Características distintas
Apesar de ambos os setores estarem aquecidos e otimistas com 2007, consultores afirmam que as duas indústrias têm características bastante distintas.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), enquanto há PC em apenas 18,6% dos domicílios brasileiros, o percentual de residências com TV já alcança 91,4%.
Por esse motivo, o comum é que o consumidor de TV troque o aparelho velho por um mais moderno, enquanto 60% dos compradores residenciais de PC adquirem a sua primeira máquina. De acordo com a consultoria IT Data, 2,2 milhões de pessoas compraram o primeiro computador no ano passado.

"Nos Estados Unidos, a taxa de residências com PC supera 60%. Temos um mercado potencial gigantesco no Brasil", disse o diretor da IT Data, Ivair Rodrigues.

Reinaldo, Sakis, analista sênior do IDC, lembra que, além do mercado potencial, as vendas de PC devem ser favorecidas nos próximos anos pela menor vida útil dos computadores quando comparada ao tempo médio de dez anos para a troca de TVs.

"A maioria das máquinas compradas hoje em dia [com preço ao redor de R$ 1.000] é bastante simples. A aposta da indústria é que o consumidor voltará a comprar um novo PC em três ou quatro anos", afirmou Sakis.

Razões
Relatório do banco UBS aponta mais quatro fatores para afirmar que o mercado de PCs continuará aquecido:
1) o fim da cobrança de PIS/ Cofins para máquinas de até R$ 4.000, que representam 90% das vendas;
2) a permanência do dólar em patamares baixos; 3) a continuidade da queda do juro ao consumidor;
4) o combate à pirataria aliado ao aumento da escala de produção das fabricantes.

O mercado de TVs, por sua vez, vive da modernização da frota. Para Anderson Kano, gerente de Planejamento Mercadológico da Gradiente, a indústria teve o resultado recorde do ano passado porque exatamente há dez anos, em 1996, também registrou o melhor desempenho da década passada - 8,5 milhões de aparelhos comercializados.

Ele também disse que aumentou a preferência por aparelhos mais modernos. A parcela de TVs vendidas com tela plana cresceu de 23% em 2005 para 35% do total em 2006. Já os aparelhos de 29 polegadas, que tinham uma fatia de mercado de 35% em 2005, passaram a representar 45% das vendas no ano passado e se consolidaram como o tamanho mais consumido no país.

TV digital
A implantação da TV digital no Brasil deve dar um forte impulso à venda de televisores somente no longo prazo.

As primeiras transmissões da TV digital estão previstas para dezembro, apenas na Grande São Paulo. Inicialmente, as imagens serão captadas pelas TVs analógicas com a ajuda de conversores.
A indústria promete lançar os primeiros televisores com tecnologia integrada para receber os sinais analógico e digital sem conversor só em 2008.

Mesmo assim, os primeiros modelos de TV integrada serão apenas os mais caros, de plasma ou LCD, acessíveis ainda a uma pequena parte da população, apesar da queda de preços.

Nos Estados Unidos, a TV digital começou a ser implantada em 1998 e somente ao final deste ano deve chegar a 90% dos aparelhos em uso no país.

Bradesco encomenda música a Ivete Sangalo para promover cartões

Para divulgar a campanha de verão dos Cartões Bradesco, a MatosGrey criou para as rádios o "Momento Ivete", em que a cantora Ivete Sangalo interpreta seu mais novo sucesso, "Completo", canção que traz no título o conceito do Bradesco.

Os ouvintes da CBN, a “rádio que toca notícia”, podem estar surpresos com a campanha que toca entre os boletins noticiosos, entrevistas, reportagens e comentários da rádio.

O Momento Ivete, veiculado dezenas de emissoras de rádio nas praças de São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Natal e Fortaleza, tem extensão na internet, onde o usuário pode baixar, sem custo, a música “Completo” direto no seu computador.

03 fevereiro 2007

Coca-Cola, a marca mais cara do mundo, vale US$ 43 bilhões

O estudo foi feito pela consultoria britânica Brand Finances; a única empresa brasileira no ranking foi a Petrobras, que ficou na 249.ª colocação e foi avaliada em US$ 1,67 bilhão

Já tradicional líder do ranking da Interbrand, ontem (02/02/07) a Coca-Cola apareceu como a marca mais valiosa do mundo na lista da Brand Finances, consultoria britânica especializada em avaliação e gestão de marcas. A marca Coca-Cola foi avaliada em US$ 43,14 bilhões, ficando US$ 6 bilhões à frente da segunda colocada, a Microsoft. O valor também é o dobro do obtido pela maior concorrente da empresa, a Pepsi: US$ 23,9 bilhões, que ficou em 19º lugar.

A listagem dos top ten segue com Citibank, Wal-Mart, IBM, HSBC, General Eletric, Bank of America, Hewlett-Packard e Malboro. Das 10 primeiras colocadas, apenas o HSBC tem sede fora dos Estados Unidos.

O país é a origem da maioria das 250 marcas consideradas mais valiosas. São 112 marcas americanas. Outras 92 são européias e apenas uma é brasileira. A Petrobras, cuja marca foi avaliada em US$ 1,67 bilhão, aparece em 249º lugar, logo após a grife Calvin Klein. Em um ranking feito no ano passado pela Brand Finances apenas com empresas brasileiras, a Petrobras era a primeira colocada, seguida pela Ambev, pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco.

Apesar disso, a consultoria afirma em seu relatório que existe uma tendência de que, nos próximos 10 anos, mais marcas de países em desenvolvimento e de segmentos não-convencionais atinjam os top 20. A razão é que as empresas dos países emergentes têm crescido rapidamente, enquanto companhias americanas, como Wal-Mart, Dell e McDonald's, têm recebido muitas críticas e podem ter sua imagem prejudicada, apresentando queda no ranking de marcas.

Dentre os 250 nomes, as empresas de serviços financeiros são as que mais se destacam, com 30 representantes. São seguidas pelas montadoras, com 19 marcas listadas, e varejo, com 20. Apesar do menor número, as montadoras ficam à frente das redes varejistas por apresentarem valor de mercado maior.

O Google é a primeira empresa de internet entre os classificados: na 15ª posição, teve valor avaliado em US$ 24,6 bilhões. Somados, os valores das 250 marcas ultrapassam US$ 2 trilhões.

A Brand Finances fez também a avaliação das 250 marcas que mais agregavam valor às suas respectivas empresas. Em média, o valor destas marcas representam 18% do valor total da empresa. As primeiras colocadas, porém, apresentam proporções bem maiores.

A líder foi a Nike - cujo nome representaria 84% do valor da empresa. Em seguida aparecem Prada (77%), Acer (71%), Avon (68%) e Bulgari (68%). Nos primeiros lugares, predomina o segmento de moda e beleza.

fonte: O Estado de S. Paulo

Publicidade em TV interativa movimentará US$ 2,2 bi

Em 2015, a publicidade em TV interativa vai gerar uma receita de US$ 2,2 bilhões no mundo inteiro, prevê um estudo apresentado por Al Nunez, vice-presidente da fabricante Tandberg Television, durante o IPTV World Forum Latin America, nesta quarta-feira, 31. Será ainda um montante pequeno, pois estará dentro dos US$ 400 bilhões previstos de receita com publicidade como um todo (TV tradicional, mídia impressa, internet, rádio etc.) em 2015.

Todavia, a publicidade em TV interativa traz algumas vantagens que podem torná-la mais atraente e, conseqüentemente, mais cara do que em outras mídias. Segundo uma outra pesquisa apresentada por Nunez, na TV com recursos de interatividade, 85% dos telespectadores assistem aos comerciais até o fim, ante 41% na TV tradicional.

Novidades
Com o advento da TV digital por redes IP, abrem-se novas possibilidades de exploração da publicidade, aproveitando a interatividade oferecida pela tecnologia. Uma possibilidade interessante é a transmissão de comerciais selecionados levando em conta o perfil do cliente. Por exemplo: um mesmo produto pode ter versões diferentes de comerciais, de acordo com a idade, a renda ou o endereço do consumidor. A emissora de IPTV, conhecendo o perfil de cada assinante, poderá oferecer aos anunciantes uma transmissão segmentada dos comerciais.

Outra possibilidade, já bastante comentada, é o chamado "hotspotting", que ainda está em fase de testes: o telespectador pode, com o controle remoto, marcar um objeto que está em cena e obter mais informações sobre ele. Outra é o que Nunez chama de "telescoping": o cliente, através do controle remoto, pode acessar uma versão mais longa de um comercial que acabou de ser veiculado.

Fonte: Tela Viva News